Scorpions: Muitos dizem que é o melhor trabalho da discografia
Resenha - Blackout - Scorpions
Por Guilherme dos Santos
Postado em 28 de novembro de 2013
E lá já se vão 31 anos desde que Blackout pousou nas vitrolas e arrebatou o coração dos rockers americanos. O disco abriu as portas para o sucesso mundial do Scorpions, que por sua vez não deixou mais o consagrado posto de maior banda de Hard Rock alemã.
O grupo vinha trabalhando por um efetivo reconhecimento já há dez anos antes, quando lançaram seu primeiro álbum ainda com o grandioso guitarrista Michael Schenker. Entretanto, foi com o virtuoso Uli Jon Roth nas seis cordas que o Scorpions moldou parte de sua exuberante musicalidade, contrastando peso, harmonia, melodias cativantes, grande técnica, e claro, a emoção, fortemente refletida em suas encantadoras baladas.
A banda passou por uma série de trocas de integrantes na década de 70 até se estabilizar com os fundadores Klaus Meine (vocal) e Rudolf Schenker (guitarra), Francis Bucholzz (baixo), Herman Rarebell (bateria) e Mathias Jabs, que veio a substituir Roth após a debandada deste, já que ficava evidente os novos rumos musicais almejados pelo grupo.
Com o então novo guitarrista, o Scorpions surpreendia. Os discos Lovedrive (1979) e Animal Magnetism (1980) traziam uma banda apostando pesado no Hard Rock e na emotividade e intensidade das baladas (vide Holiday e Lady Starlight). Contudo após o lançamento do último trabalho, os problemas internos começaram a aparecer para a banda, mais precisamente na turnê. Num dos shows que promoviam Animal Magnetism, Klaus Meine ficou completamente sem voz, mal conseguindo falar após a apresentação. O diagnóstico médico revelou nódulos graves nas cordas vocais de Meine, que rapidamente se submeteu a uma cirurgia.
A gravidade dos problemas vocais do cantor, entretanto era grande e os médicos chegaram a sugerir para que Klaus procurasse outra profissão, pois cantar com a frequência como fazia, seria impossível novamente.
O vocalista passou por mais uma cirurgia e foi acometido de uma grande baixo autoestima durante a recuperação, chegando, inclusive a enviar uma carta para seus companheiros de banda pedindo que prosseguissem as atividades com outro frontman.
A essa altura também, Dieter Dierks (produtor e espécie de empresário) já era fortemente pressionado pela Mercury para que os rapazes iniciassem a gravação do novo álbum o mais depressa possível. Eventualmente foi contatado Don Dokken (da banda norte-americana Dokken), que se juntou ao grupo para o ensaio das novas composições.
Enquanto isso, Klaus passava por maus bocados, sem poder fazer aquilo que mais gostava, além da dificuldade de manter uma simples conversação sem que sua voz não se comprometesse. Porém, após uma viagem de repouso pela Alemanha, poucos dias antes do natal de 1980, ao voltar para a casa o cantor se depara com uma infinidade de cartas incentivando-o a não para com a recuperação e não desistir de seu futuro. Os comunicados vinham de fãs e de amigos de várias partes do mundo.
Diante de tanto estímulo, Klaus se emociona e vê de repente uma nova possibilidade, poderia ajudar o Scorpions de alguma forma, mesmo que não fosse cantando, trabalhando, quem sabe, como assistente ou promotor das turnês do grupo. Assim, o vocalista procura ajuda médica para iniciar um novo tratamento na melhora de sua voz. Constantes procedimentos e treinamentos vocálicos são iniciados; a persistência do músico se estenderia por nove meses. De repente, o que parecia impossível na visão clínica acontece: a voz de Klaus Meine está de volta, perfeita, milagrosa e surpreendentemente saudável. O mais incrível é que o tratamento reabilitou as cordas vocais do cantor de tal forma que expandiu o alcance vocálico de Klaus a notas impressionantes.
O grupo rapidamente se reestabeleceu e Dokken deu a deixa para que a banda prosseguisse seus rumos com Klaus literalmente arrebentando em estúdio. Depois dos dias degradantes, o grupo parecia estar renovado e pronto para desferir seu veneno como nunca havia feito antes. Ao lado do fiel escudeiro Dierks, esses alemães gravaram uma verdadeira obra-prima do Heavy Rock que conseguiu abocanhar de vez o tão almejado continente norte-americano. Blackout foi lançado oficialmente em 10 de Abril de 1982 e se consagrou como a obra máxima do Scorpions até aquele momento, sendo inclusive, eleito o melhor disco de Hard Rock do ano.
O carro-chefe responsável pela ascensão do trabalho foi a melódica power balada No One Like You que não demorou muito para virar um grande hit nas rádios do país. Como dito, a faixa foi o pontapé para a considerável vendagem de Blackout. O álbum ficou em 10º no Billboard 200, além de atingir os 1º e 3º lugares na França e no Canadá respectivamente. Ao lado da gloriosa semi-balada temos a empolgante Can’t Live Without You (17ª posição nos EUA) e o trio musical mais furioso de todo o álbum, que por coincidência podemos resumir em três palavras: Blackout, Dynamite e Now!. A letra da primeira retrata bem a angústia pelo qual a banda passara; numa performance significativamente única do vocalista, que antes à beira de um blecaute, agora faz questão de arrebentar, mostrando que sua voz nunca fora tão poderosa. Até quem é familiarizado ao Heavy Metal, sente que o cantor está realmente prestes a explodir com aqueles gritos estridentes no fim da faixa, estes solenemente acompanhados pela quebra de vidros.
Dynamite, como o nome já indica, é outro apetrecho feito para explodir. Os versos acompanhados pela sessão rítmica da bateria desembocam num refrão veloz e venenoso, características que podem muito bem ser constatadas pelas guitarras dos mestres Schenker e Jabs.
A última das três, não é menos inofensiva se formos falar de canhões venenosos de Heavy Metal. Com pouco mais da metade da duração de Dynamite, Now! é a típica bordoada rápida num disco do Scorpions, mas quando esse disco é Blackout, realmente a coisa se supera. Com estrutura rock’n’roll Now! é guiada por um riff vigoroso e culmina num contagiante e certeiro refrão. É muita música boa e até agora só foi a metade!
Como o Scorpions prima pelas melodias mais românticas em suas músicas, outro destaque certo é You Give Me All I Need, de pegajoso refrão. A balada When The Smoke Is Going Down é outro clássico à parte, com uma beleza digna de fechar shows; atualmente é a ultima no set-list das apresentações da banda, em Blackout também é a última do play. A divertida Arizona, com típica pegada e a viajante China White são as duas outras músicas que completam o repertório do disco, provando, apesar de mais tímidas, serem exemplos genuínos da criatividade e versatilidade da banda e não por isso, menos clássicas.
Com Blackout o Scorpions tomou seu lugar ao sol, ele seria efetivado com o disco seguinte Love At First Sting e o resto da história a gente já sabe...
A capa deste trabalho, sem dúvida é emblemática e portanto, não poderia passar batido. Trata-se de um auto retrato do artista austríaco Gottfried Helnwein publicado na revista Zeit e que casou perfeitamente com o som do disco, dando todo o impacto necessário. Rudolf Schenker usa uma máscara semelhante a capa no clipe de No One Like You, engraçado é que muitos imaginam ser dele próprio a foto que ilustra Blackout. Certamente é merecido o prêmio de melhor disco de Hard Rock dada a esta obra e não são poucos os que consideram Blackout como o melhor trabalho em toda a discografia do Scorpions, bem como a fundamental importância que este disco tem na história do Heavy Metal.
http://www.danielbatera.com.br
http://www.scorpionsbrazil.net
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