Torture Squad: Entrando de cabeça numa nova fase
Resenha - Esquadrão de Tortura - Torture Squad
Por Arysson Lima
Postado em 28 de novembro de 2013
O Torture Squad sempre foi uma banda bastante aclamada na cena Underground nacional, desde o lançamento do seu primeiro álbum (o clássico Shivering, de 1995.), e desde então, a cada lançamento, vão obtendo ainda mais respeito do público e da crítica. No entanto, recentemente, a banda sofreu uma baixa: O vocalista VITOR RODRIGUES, atual VOODOOPRIEST, deixara a banda em busca de novos rumos em sua carreira. Em contrapartida, a banda decidira continuar em atividade como um poderoso Power Trio, com o guitarrista ANDRÉ EVARISTO nos vocais. E, em novembro de 2013, lançaram o primeiro álbum com a nova formação, ESQUADRÃO DE TORTURA.
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Se você é um fã mais tradicionalista da banda, esqueça a sonoridade que a banda faria anteriormente. O que temos aqui é totalmente diferente dos álbuns anteriores. Agora, a banda aposta numa sonoridade mais calcada no Thrash Metal, ainda mais técnica e uma produção seca (o que não significa que é ruim.), ao contrário do Death Metal vigoroso de outrora. Antes de iniciar a resenha faixa por faixa, é interessante apontar a temática do álbum - fala dos tempos de ditadura militar em terras tupiniquins. A banda conseguiu fazer excelentes letras a partir dessa base, o que torna a audição do álbum ainda mais interessante. A arte da capa também é impactante e muito bem feita, um capricho a parte.
Vamos as faixas. No Escape From Hell é uma música bastante violenta, escolhida como primeiro single. Com andamentos de baixo e bateria bastante velozes e André Evaristo mandando riffs cavernosos, a faixa é um dos destaques do álbum, e define exatamente toda a sonoridade que veremos em diante. Quanto aos vocais, bem... Logo de primeira, vemos que não existem mais aqueles guturais e screamos assustadores que eram a identidade da banda até então. O vocal de André é bastante urrado também, porém, bem menos agressivo. Nada que comprometa, mas é impossível não estranhar nas primeiras audições.
O álbum segue com a ótima Pull The Trigger, outro Thrash Metal veloz e bem trabalhado. Destaque para os pedais duplos do grande AMÍLCAR CHRISTÓFARO, considerado por vários um dos melhores e mais técnicos bateristas desse país. O solo de Andre Evaristo também é bastante legal, e o riff principal, convidativo a um belo "head bang".
Pátria Livre aparenta ser uma música instrumental, devido a longa introdução e a tamanha variedade de ritmos. Porém, pouco após metade da música, JOÃO GORDO, frontman do RATOS DE PORÃO, dá as caras, fazendo uma ilustre participação especial, na única música cantada totalmente em português do álbum. Um dos destaques do álbum, sem dúvidas.
Wardance é uma música que lembra muito a fase anterior da banda, instrumentalmente falando. Riffs grudentos, bateria intricada e um baixo presente. O diferencial é, novamente, os vocal. Não que eles estejam ruins, mas, outra vez, soam bastante estranhos. Boa música.
Archtectur Of Pain tem uma introdução interessante, de um noticiário da época narrada pelo álbum. Logo após seu fim, temos um riff de introdução poderoso e Amílcar mandando ver na bateria, sendo essa uma das melhores faixas do disco. Destaque para o baixo do MARCELO CASTOR, indiscutivelmente mais presente por aqui, e toda a densidade que ele acrescenta a sonoridade da banda. André Evaristo, mais uma vez, nos presenteia com um ótimo solo, embora curto. O final da música lembra um pouco Holliday In Abu Ghraib, do álbum anterior, AEquilibrium. Uma mera coincidência, diga-se de passagem.
Never Surrender é uma faixa bem progressiva e possui o melhor desempenho de Amílcar Christófaro no álbum. Aqui ele simplesmente estupra a bateria, com pedais em alta velocidade, Skank Beats brutalíssimos, viradas complexas e muito mais. Um verdadeiro capeta das baquetas. A introdução da música também é convidativa, um coro de "Heys", e a letra também é destaque, pois cita diversos acontecimentos importantes da história da ditadura militar brasileira.
Até então, o álbum mantém um bom nível com as músicas seguintes: In The Slaughterhouse (com blast beats marcantes e um baixo novamente presente), Conspiracy Of Silence, uma das mais longas do disco (com uma intro acústica, que logo se torna numa paulada certeira e técnica, com direito a D-Beats e uma pegada bastante Hardcore em diversos momentos, que aliás, está bastante presente em todo o álbum).
Nothing To Declare tem outra grande participação da cozinha, sendo essa que define toda a levada da música. Uma das mais velozes do álbum.
Como na maioria dos álbuns do Torture Squad, a penúltima música é uma vinheta. Como de praxe, For The Countless Dead dá início a Fear To The World, épico que dá fim ao álbum. A faixa mais longa do disco, com mais de oito minutos de duração, outra ótima introdução e refrão. Destaque para o belíssimo solo de André Evaristo.
E, no final, como faixa bônus, uma regravação de um dos clássicos da banda, A Soul In Hell, do debut da banda, que, cá entre nós, ficou bem aquém da versão original. A falta dos vocais mais agressivos é a responsável por tal.
Esquadrão de Tortura é um álbum que requer várias audições para ser entendido. A banda está trabalhando com novas sonoridades, como já dito antes, mais calcada no Thrash Metal com toques Hardcore, e os fãs mais radicais podem não se agradar com isso - eu, particularmente, admito que ainda estou dando boas chances, pois sempre fui acostumado com o Death Metal original que a banda tocava anteriormente. A verdade é que André Evaristo ainda está se adaptando ao posto de vocalista, mas por enquanto, não conseguiu substituir a altura o carismático Vitor Rodrigues, e está longe disso. No entanto, se destaca como guitarrista e os outros dois membros estão em constante evolução. Esquadrão de Tortura é um álbum interessante de se escutar, é. Mas não se aproxima do que a banda fez anteriormente. Entretanto, é uma oportunidade de criar novos fãs, e os desejo sorte nessa nova empreitada. THE TORTURE NEVER STOPS!
Track List:
01 - No Escape From Hell (04:58)
02 - Pull The Trigger (05:41)
03 - Pátria Livre (05:10)
04 - Wardance (06:29)
05 - Archtectur Of Pain (06:32)
06 - Never Surrender (05:53)
07 - In The Slaughterhouse (06:15)
08 - Conspiracy Of Silence (07:45)
09 - Nothing To Declare (04:07)
10 - For The Countless Dead (02:25)
11 - Fear To The World (08:51)
12 - A Soul In Hell (Recorded Version) (Bonus Track) (04:18)
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