Gamma Ray: "Heading for Tomorrow", um álbum de médio para ok
Resenha - Heading for Tomorrow - Gamma Ray
Por Ricardo Mazzo
Postado em 08 de julho de 2013
Nota: 6 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Depois de gravar 3 dos maiores clássicos da história do Heavy Metal ("Walls of Jericho" de 1985, "Keepers Of The Seven Keys Part 1" de 1987 e "Keepers Of The Seven Keys Part 2" de 1988), o mestre Kai Hansen deixa o HELLOWEEN e funda aquela que viria a ser, na minha fanática opinião, a maior banda de Power Metal de todos os tempos, o GAMMA RAY. É fácil falar isso hoje depois que já ouvimos álbuns clássicos como "Land Of The Free", "Somewhere Out In Space" e "Power Plant", só para citar alguns. Para fazer justiça, comecemos pelo princípio, pelo álbum de estréia dessa banda que pertence ao meu Top 5 fixo de bandas de Heavy Metal, o "Heading For Tomorrow".
O ano era 1990 e o cenário para quem queria se destacar no mundo headbanger não era tão favorável, tendo em vista a concorrência altamente qualificada. O IRON MAIDEN vinha de uma seqüência de 5 álbuns espetaculares, o METALLICA, não muito atrás, preparava também sua 5ª obra-prima, enquanto que o riff lord Dave Mustaine e seu MEGADETH estavam prestes a lançar um dos maiores trabalhos que o Thrash Metal já presenciou. No entanto, uma banda que tinha o inventor do Power Metal e o maior compositor de Heavy Metal Melódico que se tem notícia só poderia lançar um álbum fantástico, certo? Nem tanto.
O primeiro e principal problema que podemos apontar é o fato de que qualquer pessoa que fosse escolhida para o posto de vocalista da nova banda seria imediatamente comparada ao ícone do Heavy Metal Melódico e então vocalista do HELLOWEEN, Michael Kiske. Além disso, convenhamos que Kai Hansen não era um excepcional vocalista na época. O selecionado foi seu amigo Ralph Scheepers que junto com Uwe Wessel (baixo) e Mathias Burchardt (bateria) formaram o quarteto responsável pelas gravações desse primeiro trabalho.
E o álbum começa da maneira que eu sempre achei interessante, com a famosa faixa "Welcome" preparando o clima para uma provável pancada na seqüência. E é o que acontece. "Lust For Life" chega chutando tudo para os altos e mostrando que Power Metal é feito com o sangue de Kai Hansen. Sim, surge um certo estranhamento com a voz de Scheepers, mas isso só vai desaparecer em "Man On A Mission", primeira música do álbum "Land Of The Free" de 1995, quando ele já não está mais na banda.
"Heaven Can Wait" é uma das melhores músicas dessa primeira fase do grupo. Apesar de ser um tanto quanto Pop, tem uma levada interessante e possui um refrão que realmente fica preso na cabeça por um bom tempo. No entanto, a 4ª faixa é bem esquisita. "Space Eater" parece não evoluir e fica na mesma batida o tempo todo. E tire as taças de cristal da sala, pois elas podem não agüentar os gritos de Ralph Scheepers. Não me agrada.
"Money" é interessante por ser rápida e apresentar um pedal duplo mais claro na bateria. Mas me incomoda o fato de parecer que cada música é de um estilo distinto, o que vou deixar passar por se tratar do primeiro álbum da banda. "The Silence" é a balada esperada do CD e agrada. Vocal adequado, instrumental diferenciado e os mais de 6 minutos são bem distribuídos por essa bela composição.
Para quem já conhece GAMMA RAY, é bastante interessante perceber algumas sementes já sendo plantadas nesse primeiro trabalho. O baterista Mathias Burchardt, talvez por falta de talento ou por ordens do chefe, faz timidamente em "Hold Your Ground" o que o "drum hero" Dan Zimmermann deu show a partir 1997. Pedal duplo rules! "Free Time", a única composta por Scheepers, vem para entrar para o grupo das músicas mais comerciais do álbum. Refrão fácil e pegajoso, talvez seja um pouco maior do que o necessário, chegando aos 5 minutos de duração.
A música que dá título ao álbum chega a beirar os 15 minutos e agrada. Ralph Scheepers continua com seus gritos, mas, nesse caso, se encaixam muito bem. Há um certo exagero nas partes mais lentas e instrumentais, o que leva a música ao limite de se tornar repetitiva. Para fechar, a interessante "Look At Yourself", do URIAH HEEP, é o primeiro cover apresentado pela banda, de uma lista bastante interessante que estaria por vir nos anos seguintes.
Um álbum de médio para ok, ainda mais depois de sabermos do que Kai Hansen era capaz. Para a época, não se comparava ao que estava sendo lançado. Por outro lado, um álbum de estréia que tentava achar seu estilo. Não o julgo como fundamental para aqueles que querem entender de Heavy Metal, mas certamente faz parte da estrutura primária de muita coisa que escutamos hoje. Talvez seja por isso o nome do álbum. Kai Hansen for president!
"Heading for Tomorrow" - 1990 - GAMMA RAY
1. Welcome
2. Lust for Life
3. Heaven Can Wait
4. Space Eater
5. Money
6. The Silence
7. Hold Your Ground
8. Free Time
9. Heading for Tomorrow
10.Look at Yourself
Outras resenhas de Heading for Tomorrow - Gamma Ray
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Foo Fighters - "Tenho muito a falar, mas preciso tomar cuidado", diz Josh Freese
O que o retorno de Angela Gossow ao Arch Enemy representa na prática?
Regis Tadeu afirma que último disco do Megadeth é "uma aula de dignidade"
Tony Iommi presta homenagem ao álbum de estreia do Black Sabbath
Quem é Berzan Önen, o novo vocalista turco e fortão do Nevermore
O cantor que Jack Black chamou de "Pavarotti do heavy metal"
"Não havia uma única mulher na plateia": o começo estranho de uma lenda do rock
A música do Van Halen que Eddie dizia ser a mais difícil de tocar ao vivo
"Superou minhas expectativas", diz baterista sobre novo álbum do Evanescence
Assista o primeiro teaser do filme oficial sobre a história do Judas Priest
O guitarrista brasileiro que ouviu a real de produtor: "Seu timbre e sua mão não são bons"
Vocal do Lamb of God diz que antigo logo da banda parecia cardápio de restaurante
Nevermore assina contrato com a Reigning Phoenix Music e prepara novo disco
Mayara Puertas quebra silêncio e fala pela primeira vez do rumor envolvendo Arch Enemy
"Ouvi e achei muito interessante": lenda do rock aprova o Sleep Token


Os 25 melhores discos da história do power metal, em lista da Metal Hammer
O disco que "furou a bolha" do heavy metal e vendeu dezenas de milhões de cópias


