Biohazard: Hardcore e Heavy Metal pesado em todas as faixas

Resenha - Reborn In Defiance - Biohazard

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Por João Paulo Linhares Gonçalves
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Vou falar sobre o disco mais recente do Biohazard, chamado "Reborn In Defiance". Ele foi lançado em janeiro deste ano de 2012 mundo afora, e só agora pude escutá-lo e dar a devida atenção a mais um petardo desta banda que foi uma de minhas preferidas nos anos 90.
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O Biohazard chamou bastante a atenção da mídia e dos fãs na década de 90, se destacando como uma das principais bandas a misturar com sucesso e qualidade hardcore, heavy metal e hip hop. A banda chegou a fazer sucesso com o vídeo da canção "Punishment", que segundo a Wikipedia foi o mais tocado no programa da MTV americana "Headbanger's Ball". Os discos de mais sucesso da banda, "Urban Discipline" e "State Of The World Address", conseguiram vender mais de um milhão de discos. A maionese começou a desandar quando o guitarrista Bobby Hambel brigou com os demais membros e saiu da banda. Ainda assim, a banda seguiu lançando bons discos, como "Mata Leão" e "New World Disorder". Os desentendimentos com as gravadoras e a crise na indústria da música acabou levando a banda a crises e baixa popularidade, e pra completar, o baixista e vocalista Evan Seinfeld começou uma carreira de ator: primeiro, participando da série Oz; posteriormente, já namorando a atriz Tera Patrick, ele entrou na indústria pornô.

A banda ainda lançou outros álbuns até anunciar seu término em 2005. O fim acabou durando apenas três anos: em 2008, a formação original, com Hambel de volta à banda, anunciou uma turnê de reunião. Aproveitando o bom momento iniciado pela reunião, a banda partiu para a gravação de um novo álbum, este que estamos falando. O álbum foi gravado com o produtor Toby Wright (já trabalhou com Alice In Chains, Slayer, Korn e Fear Factory, dentre outros), nos estúdios da própria banda. Musicalmente, o álbum está forte e coeso, trazendo de volta as características que os álbuns antigos tinham. O retorno do guitarrista Bob Hambel trouxe mais consistência ao trabalho de guitarras, especialmente nos solos, e o produtor conseguiu que a banda produzisse um disco centrado, balanceando bem o hardcore e o heavy metal pesado em todas as canções

O álbum abre com uma faixa intro e a seguir temos "Vengeance Is Mine", um thrashcore de primeira para sacodir, sair pulando mesmo. Aquela alternância nos vocais entre Seinfeld e Graziadei, os solos de Hambel, a pegada forte da bateria de Schuler, todos contribuindo para uma faixa excelente. "Decay" é mais chegada para o metal, com bastante peso e um riff forte que mantém a canção durante toda a sua duração. "Reborn" é aquela canção que honra as origens da banda, colocando-a lado a lado com os grandes nomes do hardcore novaiorquino, como Agnostic Front, Madball, Cro-Mags (o atual baixista, Scott Roberts, já fez parte desta última), dentre outras. Claro que a banda adiciona nuances únicas que tornam a canção ainda melhor. "Killing Me" começa centrada num riff de peso, mas calcada nos vocais de Evan Seinfeld, que acabam dando um sabor diferente e todo especial à canção. "Countdown Doom" parece a continuação da faixa anterior, e Seinfeld canta bem rapeado, coisa que o Biohazard sempre fez muito bem, transformando a canção em um dos destaques do álbum.

"Come Alive" retorna o controle ao hardcore da banda, e é outra que dá vontade de sair pulando. Já "Vows Of Redemption" traz de volta uma tradição dos antigos discos da banda, de sempre trazer uma canção mais centrada, de levada mais calma ("Tears Of Blood" e "Love Denied" são bons exemplos), com diversas nuances como o piano (geralmente executado por Graziadei), e é outro destaque do álbum. "Waste Away" gira o volante e coloca o trem de volta aos trilhos do peso, com um belo riff. Em "You Were Wrong", o ritmo volta a ficar bem cadenciado, quase lento, alternando com trechos pesados. "Skullcrusher" segue pelo caminho do hardcore para esmagar nossos crânios com velocidade e peso combinados muito bem. "Never Give In" segue no mesmo caminho, outra faixa forte e poderosa (alguém deveria criar uma academia que desse aulas aeróbicas ao som do Biohazard; dá uma tremenda vontade de sair pulando e agitando!). O álbum se encerra com a instrumental "Season The Sky", mais centrada e cadenciada, quase que um tom melancólico para encerramento, depois de tanto hardcore e peso no álbum.

Com um álbum poderoso e forte, gravado pela formação original, era de se esperar que a banda voltasse com força. Mas, em junho do ano passado, a maré de boas notícias acabou e a banda anunciou que estava se separando amigavelmente de Evan Seinfeld. Ele saiu antes mesmo do lançamento do disco, que aconteceu apenas na Europa, pelo selo Nuclear Blast. Nos EUA, a banda pensou inicialmente em oferecer a versão digital gratuitamente, porém acabou desistindo da ideia e até agora ainda não encontrou um distribuidor para seu disco. Mesmo assim, eles caíram na estrada, excursionando pela Europa, EUA e Austrália durante este ano. O substituto de Evan Seinfeld foi Scott Roberts, ex-Cro-Mags, que já tinha tocado com a banda antes, só que como guitarrista. E a banda abre mais um capítulo na sua história, tentando recuperar pelo menos parte de seu sucesso. Um grande álbum para suportar a turnê eles tem, vamos torcer que eles lembrem da América do Sul - afinal, Graziadei já morou no Brasil durante um tempo...

Relação das músicas do álbum:
1 - "9:IIIX6.941"
2 - "Vengeance Is Mine"
3 - "Decay"
4 - "Reborn"
5 - "Killing Me"
6 - "Countdown Doom"
7 - "Come Alive"
8 - "Vows Of Redemption"
9 - "Waste Away"
10 - "You Were Wrong"
11 - "Skullcrusher"
12 - "Never Give In"
13 - "Season The Sky"

Alguns vídeos:
"Vengeance Is Mine":

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"Countdown Doom":

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"Skullcrusher":

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Sobre João Paulo Linhares Gonçalves

Roqueiro convicto, de carteirinha, desde os treze anos de idade. Já tive diversas bandas preferidas: de Iron Maiden, Metallica e Black Sabbath a The Who, Pink Floyd e Rolling Stones. O heavy metal sempre me atraiu muito, mas o rock praticado nos anos 60 e 70 é fascinante e estou sempre escutando. De vez em quando, dou chance ao punk, rock alternativo, blues, até ao jazz e MPB, pra variar.

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