Brother of a Feather: verdadeira modificação em Unpluggeds

Resenha - Live At the Roxy - Brother of a Feather

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Paulo Severo da Costa
Enviar Correções  


Em 1990, um raio hippie cruzou os céus da indústria fonográfica: em meio ao fim do hair metal, da ascensão do grunge e do início de uma MTV americana- em termos de qualidade - em estágio inicial de decomposição, o BLACK CROWES pareceu com seu debut, "Shake Your Money Maker", carregado de blues encharcado de anos 70. Nada de guitarras fritando, nada de depressão grunge, nada de rappers ou Dj´s: só a velha mistura de folk, rock n ´roll e blues na melhor tradição de FACES e STONES.

Kiss sobre Secos e Molhados: "há quem acredite em OVNIs"Black Sabbath: o dia em que Tony Iommi quase matou Bill Ward

Vinte e dois anos depois, após gravarem com JIMMY PAGE, brigarem como galos de rinha, se separarem, voltarem e lançarem discos fantásticos, os caras estão na ativa, envelhecendo em tóneis de carvalho de primeira. Em 2006, os problemáticos irmãos ROBINSON uniram-se em duo, nomearam o projeto de Brother of a Feather e gravaram ao vivo no lendário Roxy um CD e DVD ao vivo, nomeado "Live At The Roxy", lançado no ano seguinte.

O resultado conseguido é uma verdadeira modificação do paradigma da famosa linhagem de Unpluggeds: acompanhados eventualmente pelos backings de Mona Lisa Young e Charity White, além de Dave Ellis no sax tenor, o show é calcado na utilização de guitarras solitárias ou em duo de violões executados exclusivamente pelos irmãos, remetendo ao tempo de JOAN BAEZ ou DYLAN quase solitários em suas funções de cantor- compositor-guitarrista-arranjador. Trata-se de um registro áspero, contundente e sem as habituais maquiagens que a diversidade de instrumentos, sobretudo ao vivo, proporciona.

Com um repertório calcado na mistura entre covers e músicas autorais, o CD (que possui seis músicas a menos que a versão em DVD) é um grito primal, um pequeno tratado de emoção prevalecendo sobre a técnica: "Horsehead" e "Cursed Diamonds" remetem a crueza dos registros de NEIL YOUNG nos anos setenta: violões e guitarras secos, vocal etílico e apaixonado. "Over The Hills", um folk-country excelente recebeu da dupla uma versão definitiva, simples, fantástica.
O groove blueseiro estilo "barranca do Mississipi" está lá: "Someday Past The Sunset" e a irretocável "Thorn In My Pride" são a menção honrosa dos anos 2000 dos cânticos entoados em plantações de algodão há cem anos atrás. "My heart´s killing me" e "Polly" são absolutamente desaconselháveis para aqueles que choram por qualquer coisa: o jogo de vozes dos ROBINSON nessas faixas é um rolo compressor no quesito "estou sofrendo, vou encher a cara e te ligo às três da manhã".

Se você gosta de BLACK CROWES, escute esse disco. Se não gosta, escute também: dificilmente se verá um registro dessa qualidade de novo.

1. "Horsehead"
2. "Cursed Diamond"
3. "Over The Hill"
4. "Magic Rooster Blues"
5. "My Heart's Killing Me"
6. "Forgiven Song"
7. "Someday Past The Sunset"
8. "Roll Um Easy"
9. "Cold Boy Smile"
10. "Driving Wheel"
11. "Leave It Alone"
12. "Polly"
13. "Darling Of The Underground Press"
14. "Thorn In My Pride"




Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Kiss sobre Secos e Molhados: há quem acredite em OVNIsKiss sobre Secos e Molhados
"há quem acredite em OVNIs"

Black Sabbath: o dia em que Tony Iommi quase matou Bill WardBlack Sabbath
O dia em que Tony Iommi quase matou Bill Ward


Sobre Paulo Severo da Costa

Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n'roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas. Email para contato: [email protected]

Mais matérias de Paulo Severo da Costa no Whiplash.Net.

adWhipDin adWhipDin