Viper: Em 1989, lançando um clássico do metal nacional

Resenha - Theatre Of Fate - Viper

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Por Thiago Pimentel
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Em uma época que o heavy metal brasileiro realizava seus primeiros passos significativos, o grupo paulistano Viper fez uma de suas maiores contribuições quando lançou seu segundo registro, o clássico "Theatre of Fate".

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Abandonando a sonoridade mais ríspida e agressiva do disco anterior ("Soldiers of Sunrise", de 1987), "Theatre of Fate" marca uma notável evolução dos seus então jovens integrantes, sobretudo dos principais compositores/ arranjadores - Pit Passarell (baixo) e, a um ano da maioridade, Andre Matos (vocal) -, que, investindo em uma boa produção, novas sonoridades e estruturas, consolidaram este trabalho como um dos alicerces da música pesada nacional, quiçá mundial.

Na forma de uma peça instrumental, "Illusions" abre o disco de maneira épica destacando tanto as melodias de violão e guitarras - realizadas pelos músicos Yves Passarel e Felipe Machado - quanto os arranjos e teclados de Andre Matos - responsável por todos os teclados do álbum, aliás. Curiosamente, essa forma de introdução seria usada por Matos em discos clássicos do Angra e Shaman, mas isso é outra história...

Contracapa do disco
Contracapa do disco

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Após a climática introdução, surgem os primeiros riffs de "At Least A Chance" que, em conjunto com a bateria de Sérgio Facci, já denunciam a velocidade que ditará a maioria das faixas de 'Theatre of Fate'. De cara, já nota-se a grande influência do metal europeu - me refiro a influências além ao Iron Maiden - moldando o som do Viper principalmente nas passagens de guitarra claramente neoclássicas. Fora isso, os peculiares vocais agudos de Matos roubam atenção; entretanto, performances ainda melhores surgirão. Vale salientar que Sérgio Facci substituiu Cassio Audi - responsável pelas baquetas no primeiro disco - e que embora o encarte do álbum credite Guilherme Martin, Facci foi quem gravou, de fato, as partes de bateria do disco. Sim, no fim das contas, Facci foi um músico de estúdio; porém, Guilherme Martin realizou a turnê de divulgação de 'Theatre of Fate'.

O ritmo do álbum segue frenético com a rápida 'To Live Again' - a que mais remete ao primeiro registro do grupo, aliás - e a segunda canção mais clássica do disco, "A Cry from the Edge". Pelo seu início lento e cadenciado - seguindo os moldes das baladas tradicionais ao heavy metal -, talvez ela engane o ouvinte, mas é apenas isto: logo após a faixa desanda para o tradicional ritmo acelerado da banda e, embora apresente muitas melodias, ainda contém riffs pesados e momentos agressivos no vocal de Matos que, no decorrer da obra, é predominante limpo e agudo... bem agudo. A composição foi a "música de trabalho" da banda e rendeu um vídeoclipe.

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Me referi a "A Cry from the Edge" como a segunda mais clássica do disco, certo? O motivo é simples e chama-se "Living for the Night". Emendando partes limpas com momentos de puro heavy metal tradicional e um refrão pegajoso - na verdade, todas as linhas vocais o são -, a quinta música desse disco tornou-se o maior clássico do Viper sendo, inclusive, tocada até hoje por Andre Matos em shows de sua carreira solo. Aqui todos da banda tem um bom espaço, principalmente Pit, e destacam-se bem.

A sexta canção ("Prelude to Oblivion") traz uma certa teatralidade - remetendo uma das bandas favoritas de Matos, o Queen -, por parte das harmonias vocais, e talvez seja a que mais lembra o que Andre Matos fez no primeiro trabalho com o Angra ("Angels Cry", de 1992). Apesar dos vocais se sobressaírem, as guitarras também conseguem um ótimo destaque soando ainda mais neoclássicas que nas primeiras faixas. Também devo mencionar a inclusão do quarteto de cordas nela que, assim como em 'At Least a Chance', enriqueceram os arranjos da composição.

O álbum chega a sua conclusão com a trabalhada faixa-título - retomando certas doses de peso - e a releitura de 'Moonlight Sonata', do compositor alemão Beethoven - aqui simplesmente intitulada 'Moonlight'. Nesta última, destaca-se a grande performance de Andre Matos tanto cantando como executando os teclados. Chega a ser impressionante saber que o cantor registrou isso aos 17 anos de idade! A título de curiosidade, vale mencionar que Matos gravaria, anos depois, uma nova versão batizada de 'A New Moonlight' no seu primeiro álbum solo ("Time to Be Free", de 2007).

Primórdios do Viper: época do álbum Soldiers of Sunrise
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Em suma, um disco conciso que aliado a uma boa produção - realizada por Roy M. Rowland (Kreator, Testament, Sabat etc.) - e composições cativantes, projetou o Viper, inclusive, internacionalmente; a banda foi uma das primeiras, do Brasil, a atingir o mercado japonês, por exemplo. Também é interessante comparar, conhecendo seus trabalhos posteriores, a evolução de Andre Matos como cantor que, com o tempo, aprimorou sua forma de interpretação. Claro, nessa época seu alcance era imenso, mas a experiência proporcionaria performances mais diversificadas.

Os outros músicos, embora não sejam virtuosos, realizam um trabalho de bom gosto, ou seja, sem passagens desnecessárias e exageradas. Como Andre Matos bem pontuou em entrevista recente: o Viper fora marcado pela raça. Outro detalhe que merece ser mencionado, é que este foi o último disco com Matos nos vocais.

Atualmente, boa parte da banda reuniu-se, inclusive Andre Matos, para tocar 'Theatre of Fate' e 'Soldiers of Sunrise' - que celebra 25 anos desde seu lançamento - na íntegra em diversas apresentações especiais pelo Brasil. Especula-se que serão dois meses de reunião, porém esperemos que a turnê se amplie e, quem sabe, renda novos frutos que honrem o legado de discos como "Theatre of Fate".

Músicas-chave:
"Living for the Night" ; "Prelude to Oblivion"; "Moonlight"

Formação:
Andre Matos - vocal, teclado
Felipe Machado - guitarra
Yves Passarell - guitarra
Pit Passarell - baixo
Sérgio Facci - bateria

Tracklist:

1. Illusions 01:51
2. At Least a Chance 03:59
3. To Live Again 03:29
4. A Cry from the Edge 05:11
5. Living for the Night 05:26
6. Prelude to Oblivion 03:45
7. Theatre of Fate 06:18
8. Moonlight 04:40

Publicado originalmente em:
http://hangover-music.blogspot.com.br/2012/06/resenha-viper-...


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Sobre Thiago Pimentel

Tenta, desde meados de 2010, escrever textos que abordem as vertentes da mais peculiar - em seu ponto de vista - manifestação artística do ser humano, a música. Para tal, criou o blog Hangover-Music e contribui no Whiplash.Net. Além disso, é estudante de jornalismo, guitarrista e acredita que se algum dia o Deus metal existira, ele morreu em 13/12/2001.

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