In Virtue: Monte de ideias que não levam para lugar nenhum
Resenha - Embrace the Horror - In Virtue
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 29 de janeiro de 2012
Nota: 3 ![]()
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"O cenário metálico está saturado e não há mais nada o que inventar". Embora isso seja verdade para a maioria das pessoas, ainda existem bandas interessadas em inovar. Os norte-americanos do IN VIRTUE podem ser considerados um desses nomes: o grupo executa um gênero novo, rotulado de apocalyptic power metal. Com influências que passeiam pelo death metal com a mesma facilidade que se direcionam pelo doom/gothic, o trabalho do quarteto, mesmo que pioneiro, sofre pela inexperiência da proposta. O resultado final é uma mistura sem sentido – o que prova que apenas criatividade não é suficiente nos dias de hoje.
No entanto, o que torna o álbum "Embrace the Horror" um fracasso não é somente o esquisito gênero criado pela banda. As falhas se estendem também para a área técnica. O fato de o álbum ter sido gravado em três diferentes estúdios, na Califórnia, provavelmente comprometeu a estabilidade sonora do material, já que os riffs não aparecem de modo homogêneo e em muitas partes eles soam caseiros demais. O mesmo se pode dizer sobre as vozes, que salientam uma falta de encaixe com aquilo que o restante da banda executa em cerca de uma hora de música. De qualquer modo, o grupo formado pela cantora The Infamous Ms. C, Trey Xavier (guitarra e teclado), Chach Schindler (baixo) e Eli Vogt (bateria), evidencia muita honestidade e busca insistentemente contornar o play com profissionalismo, mesmo que "Embrace the Horror" desencadeie uma sequência de erros.
A abertura do disco, com a faixa "Suspense of Disbelief", exemplifica muitíssimo bem toda a mistura que o IN VIRTUE colocou em prática no restante da obra. Com a velocidade típica do power metal e riffs que apenas zunem no seu início, a música alia agressividade a um vocal tipicamente sinfônico, mas nitidamente fraco. A obviedade da proposta nesse primeiro instante – assim como em "Twin Species: The Virtuous and the Vengeful" – em nada contribui para que o quarteto californiano possa fazer história com o seu "surpreendente" apocalyptic power metal. De qualquer modo, o debut "Embrace the Horror" não é um fracasso absoluto porque possui boas ideias, mesmo que prejudicadas pelo pouco brilho do trabalho realizado em estúdio. A faixa "Witch Hunt" – que adicionou as vozes guturais de Trey Xavier de maneira satisfatória – é que mais se salienta no repertório.
O quarteto californiano parece se perder em um monte de ideias que não levam a sua sonoridade para lugar nenhum. A faixa "In Service to His Madness" repete interessante contorno agressivo por conta do vocal gutural de Trey Xavier, mas se perde (e muito) na hora de arriscar um refrão mais melódico. Outra verdade é que a cantora The Infamous Ms. C – apesar de toda a pompa do seu nome – pouco colabora para que o resultado de "Embrace the Horror" seja minimamente satisfatório – e não é por acaso que são as faixas mais próximas do doom metal que se sobressaem no repertório. Entretanto, ao rechear essas músicas com influências díspares, o IN VIRTUE compromete até mesmo aquilo que deveria se destacar. O trecho quase jazzístico de "Alea Iacta Est" e o toque folk de "The Essence of Unreason" soam inoportunos, mesmo que as duas músicas sejam, até certo ponto, legais.
O andamento predominantemente arrastado/atmosférico de "Foresworn II – Parabola" moldam essa que é a segunda faixa de maior destaque dentro do repertório. Por mais que o trabalho do IN VIRTUE seja descompromissado com a qualidade, há um caminho pelo qual a banda poderá trilhar no futuro, caso queira conquistar certa notoriedade no cenário internacional. Para isso, o primeiro passo seria repensar a necessidade da voz de The Infamous Ms. C. O segundo seria se conscientizar que sempre que o grupo investe em uma influência muito diferente, como o coral gospel de "Cataclysmic Shock", o resultado nunca é favorável a Trey Xavier & Cia. O mesmo se percebe em "Dead Black Eyes", que tem um quê indie (?!) totalmente desnecessário para a agressividade do doom que permanece ao fundo.
O trabalho – que vai de mal a péssimo na sua reta final – encontrou ainda uma brecha para fazer uma grande salada sonora em "Afterture: Requiem for Planet Earth". A quantidade de arranjos eletrônicos, provenientes de diversos gêneros, como a salsa e o bolero (?!?!), causam um enorme espanto e evidenciam uma certeza absoluta: o IN VIRTUE ainda tem muito o que amadurecer. O debut "Embrace the Horror" é desprezível na sua maior parte e não deve arriscar voos para além do undergound norte-americano. O apocalyptic power metal de Trey Xavier & Cia. precisa urgentemente de uma repaginada – ou será considerado ruim por toda a eternidade.
Site: www.invirtue.net
Track-list:
01. Suspense of Disbelief
02. Twin Species: The Virtuous and the Vengeful
03. Witch Hunt
04. In Service to His Madness
05. Alea Iacta Est
06. The Essence of Unreason
07. Foresworn II – Parabola
08. Cataclysmic Shock
09. Dead Black Eyes
10. Afterture: Requiem for Planet Earth
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