Noel Gallagher: Concorrente ao posto de melhor de 2011
Resenha - Noel Gallagher's High Flying Birds - Noel Gallaghers
Por Marcelo Vieira
Fonte: riorockzone.blogspot.com
Postado em 05 de novembro de 2011
Nota: 9 ![]()
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Como sempre preferi Noel a Liam, é natural que a expectativa pelo lançamento deste aqui fosse maior. Sem saber que era impossível, o ex-guitarrista do Oasis e principal mente criativa por trás da finada banda foi lá e fez: lançou um disco não apenas melhor que a estréia do Beady Eye de seu irmão, mas também um forte concorrente ao posto de melhor disco de 2011, empatando com o então absoluto ‘Wasting Light’, do Foo Fighters.
A fórmula mágica por trás de ‘Noel Gallagher’s High Flying Birds’ é a mesma que impulsionou o sucesso do Oasis por quase duas décadas: composições simples, músicas construídas sobre acordes básicos, conduzidas sempre por um violão ou uma guitarra clean, ênfase nas harmonias vocais e orquestrações que mais denotam a megalomania de Noel do que um apreço verdadeiro do cara pela mistura.
E é esse clima orquestral que abre o disco. A introdução de "Everybody’s on the Run" é grandiosa, como uma abertura de filme da década de 50 ou musical da Broadway. A música segue conduzida pelo violão, com Noel cantando em tons altos – os mesmos que Liam jamais alcançou e razão pela qual Noel faz os vocais principais em alguns clássicos do Oasis. "IF I Had a Gun" é uma que parece ter vindo direto das sessões de ‘(What’s the Story) Morning Glory?’, desnudando o lado sentimental deste que a julgar pelo que diz nas entrevistas, parece ser o sujeito mais mau-caráter do mundo do rock.
Em seguida vem o single "The Death of You and Me", cujo clipe, muito bom e lançado há uns dois meses, serviu de prévia para o que estava por vir. Musicalmente, a música é perfeita; tem refrão marcante, melodia que cativa e a passagem instrumental com tambores e sopros, algo como o circo chegando à cidade, é o sarcasmo que vestiu como uma luva na letra ácida sobre o fim de um relacionamento. "What a Life!" flerta com o pop radiofônico e eu já consigo a imaginar rolando nas festas alternativas que andam na moda.
Outra letra que merece referência é a de "Soldier Boys and Jesus Freaks" na qual Noel destila seu veneno e mostra seu repúdio pelo fanatismo religioso, a forma que a religião é imposta e como as pessoas ditas ‘crentes’ são cegadas pela fé. Isso somado a uma melodia que não tem erro é promessa de single de sucesso mais pra frente. E diretamente dos tempos de Oasis temos "Broken Arrow" e o melhor refrão de todo o disco. Nessa aqui é possível imaginar Liam cantando. Teria sido fantástico.
O encerramento com "Stop the Clocks" – mesmo título de uma coletânea do Oasis lançada em 2006 – é pura transcendência, seu feeling é o mesmo da clássica "Champagne Supernova", do já citado ‘Morning Glory’. Feche os olhos e levite em pensamento. Ao término da canção e subseqüente término do álbum, a sensação que fica é a de que Noel compôs tudo isto aqui como um roteiro a ser seguido em apresentações ao vivo. Tem a minha benção e aprovação prévia caso resolva fazê-lo. Se resolver tocar coisas de sua antiga banda no bis, melhor ainda.
Tracklist:
01 – Everybody’s On The Run
02 – Dream On
03 – If I Had A Gun…
04 – The Death Of You And Me
05 – (I Wanna Live In A Dream In My) Record Machine
06 – AKA… What A Life!
07 – Soldier Boys And Jesus Freaks
08 – AKA… Broken Arrow
09 – (Stranded On) The Wrong Beach
10 – Stop The Clocks
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