Avenged Sevenfold: Falta de músicas mais pesadas atrapalha

Resenha - Nightmare - Avenged Sevenfold

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Por Paulo Finatto Jr.
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Nota: 7

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Em pouco menos de cinco anos, o AVENGED SEVENFOLD se viu em uma escalada vertiginosa. A banda, que deixou de ser um simples representante do underground para virar um expoente do gênero pesado, conquistou um imenso público, sobretudo constituído por fãs adolescentes. A perda do baterista The Rev – que faleceu em 2009 – não abalou o quarteto por muito tempo. Com o astro Mike Portnoy (ex-DREAM THEATER) como convidado, a banda consolidou o seu mais recente álbum, intitulado “Nightmare”. No entanto, o status de “febre” que contorna o AVENGED SEVENFOLD é nitidamente superestimado.
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Por mais que a banda norte-americana mostre qualidade e técnica em “Nightmare”, o motivo que faz de M. Shadows (vocal), Zacky Vengeance (guitarra), Synyster Gates (guitarra) e Johnny Christ (baixo) mega-astros do mundo da música é inconcebível. Não que a banda possua um repertório extremamente fraco e sem nenhum hit de impacto. O que se vê (e se ouve) aqui é um disco que apresenta (poucas) ótimas composições, mas que cai continuadamente em mesmices. A participação de Mike Portnoy (bateria) claramente deu um brilho extra à obra. De certo modo, o ex-DREAM THEATER é responsável por aquilo que o AVENGED SEVENFOLD criou de mais interessante em “Nightmare”. O que comprova a ideia de que o grupo é superestimado são os números que contornam o disco. O primeiro lugar no Billboard 200 e figurar entre os cinco primeiros nas paradas do Reino Unido mostram como a carreira da banda possui muito apelo comercial.

Em atividade desde o fim dos anos noventa, M. Shadows & Cia. chegaram ao mainstream com o álbum “City of Evil” (2005). A banda, que foi se afastando do metalcore do debut “Sounding the Seventh Trumpet” (2001), aos poucos conquistou reconhecimento necessário para ser apontada como um dos melhores nomes da sua década pela revista norte-americana Ultimate Guitar. A performance do AVENGED SEVENFOLD, sobretudo em cima do palco, é digna dos maiores elogios. No estúdio – por outro lado – não há a mesma energia e a mesma uniformidade apresentada nos shows do quinteto. Entretanto, “Nightmare” possui músicas particularmente interessantes. A faixa de abertura, que empresta nome ao disco, é claramente uma das melhores composições que o AVENGED SEVENFOLD escreveu em sua recente história. As melodias e a agressividade foram unidas na medida certa. De outro lado, “Welcome to the Family” e “Danger Line” não possuem o mesmo impacto da sua antecessora, mas podem parecer com certo destaque entre os fãs mais entusiasmados, mesmo que não cheguem a empolgar os mais céticos.

As primeiras faixas deixam mais do que comprovado o contorno de genialidade que Mike Portnoy deu ao álbum. Embora não tenha participado do processo de composição de “Nightmare”, é nítido como o seu estilo – rico em detalhes práticos – se encaixou bem à sonoridade tradicional do AVENGED SEVENFOLD. Entretanto, a mesmice do trabalho aparece a partir da faixa seguinte (“Buried Alive”). Por mais que possa ser apontada como impressionante a capacidade do grupo em criar baladas, a monotonia toma conta de músicas como essa. Nem mesmo faixas que misturam o peso com climas mais cadenciados – como em “Natural Born Killer” – conseguem conquistar uma honraria dentro da obra. Do mesmo modo, “So Far Away” passa sem causar reviravoltas dentro do repertório de “Nightmare”. No entanto, a agressiva “God Hates Us” evidencia como o quinteto norte-americano (que conta atualmente com o baterista Arin Ilejay) passeia bem quando investe em elementos mais próximos do metalcore/thrash metal do passado.

Na sequência, o disco conta com a sua primeira (e única) balada de impacto. “Victim” não possui o mesmo apelo comercial da acústica “So Far Away” e tampouco cai nas mesmices sonoras de “Buried Alive”. A faixa conta com interessantes riffs de guitarra e um refrão verdadeiramente pegajoso que faz toda a diferença nessa comparação. Por outro lado, “Tonight the World Dies” pode ser apontada como outra balada incômoda pela ausência de características mais impactantes e pelo exagero acústico e comercial. A falta de músicas mais pesadas – o disco possui ainda a cadenciada “Fiction” – é o principal motivo pelo qual “Nightmare” não pode receber uma quantidade expressiva de elogios. Embora a extensa “Save Me” possa até reverter o quadro a favor do AVENGED SEVENFOLD, é a mesmice das insistentes baladas que comprometem o resultado final da obra.

Por mais que possa parecer injusta resenha (sobretudo para os mais fanáticos pela banda), o mais recente disco do AVENGED SEVENFOLD precisa ser encarado de acordo com a proporção que o grupo adquiriu em pouquíssimo tempo. A banda não pode mais ser comparada aos demais nomes do underground. O trabalho dos norte-americanos deveria merecer um lugar de destaque na história da música pesada, ao contrário do modo precipitado que muitos querem entregar atualmente ao grupo liderado pro M. Shadows. Não há dúvidas de que “Nightmare” possui ótimos momentos. No entanto, a falta de criatividade, sobretudo no que contorna a quantidade expressiva de baladas de pouca riqueza sonora, é que deixa um ponto de interrogação sobre o futuro grupo. Por quanto tempo a família AVENGED SEVENFOLD é capaz de resistir?

Track-list:

01. Nightmare
02. Welcome to the Family
03. Danger Line
04. Buried Alive
05. Natural Born Killer
06. So Far Away
07. God Hates Us
08. Victim
09. Tonight the World Dies
10. Fiction
11. Save Me

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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