Yngwie Malmsteen: O que prevalece é o clima cansativo
Resenha - Angels of Love - Yngwie Malmsteen
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 30 de março de 2011
Nota: 4 ![]()
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Não há dúvidas de que YNGWIE MALMSTEEN conquistou fama e prestígio após criar discos incríveis como "Rising Force" (1984) e "Odyssey" (1988). No entanto, o guitarrista sueco vem perdendo o rumo da sua carreira desde o controverso (e fraco) "War to End All Wars" (2000). O músico virtuoso, que não chama mais a atenção dos seus fãs como nas duas décadas anteriores, buscou recuperar os seus maiores sucessos em "Angels of Love". Entretanto, a nova abordagem clássica do seu repertório soa cansativa e muito aquém do que um dia representou para o metal.
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As releituras de "Angels of Love" se distanciam assustadoramente do que um dia o guitarrista compôs e executou, sobretudo com o apoio de uma banda e de cantores renomados como MARK BOALS (ROYAL HUNT) e JOE LYNN TURNER. Para quem espera encontrar as referências marcantes do metal tradicional da década de oitenta no álbum, as características que envolvem o disco de YNGWIE MALMSTEEN podem soar extremamente desajustadas com a proposta mais agressiva que instrumentista sueco apostou no passado. Por outro lado, quem se identificou com o apelo erudito do ao vivo "Concerto Suite for Electric Guitar and Orchestra in Em Opus" (1998), certamente irá apreciar as dez novas versões que aqui são apresentadas.
De qualquer modo, parece ser unânime a ideia de que o álbum soa cansativo, sobretudo porque a performance de YNGWIE MALMSTEEN se reduz a pouquíssimos recursos instrumentais. O sueco é quem assinou as guitarras e o violoncelo de "Angels of Love" e – além disso – contou apenas com o suporte de Michael Troy Abdallah para os arranjos de teclado. Por mais que possa ser apontada como uma iniciativa ousada, a impressão que fica é que faltou um conceito mais consistente por trás do disco. As melodias de violão clássico – que se desdobram como uma verdadeira constante dentro da obra – acabam soando extremamente repetitivas para os fãs mais céticos da carreira de YNGWIE MALMSTEEN. Entretanto, o resultado final de uma ou outra faixa pode até impressionar.
A abertura com "Forever One", do álbum "The Seventh Sign" (1994), ganhou um contorno clássico que se encaixou perfeitamente bem à proposta cadenciada da faixa. Não há dúvidas de que o disco inicia de modo incrivelmente exemplar. Porém, "Angels of Love" – uma releitura para "Like an Angel" – e "Crying" não evidenciam uma vontade explícita de YNGWIE MALMSTEEEN em construir uma novidade dentro da sua carreira. As melodias são calmas e bonitas, mas o que prevalece é o clima cansativo, consequência da exaustiva insistência do guitarrista em dar a todas as músicas exatamente a mesma faceta erudita. Nem mesmo "Brothers" e "Memories" – retirada do excelente "Odyssey" (1988) – conseguem reverter o jogo a favor do mestre das seis cordas.
Em contrapartida, uma boa parcela dos fãs – sobretudo os que se aventuram como guitarristas – irão se deliciar com a técnica que YNGWIE MALMSTEEN esbanja do início o fim da obra. No entanto, o repertório é de difícil assimilação para aqueles menos chegados à música erudita. A (única) inédita "Ocean Sonata" se sobressai às demais faixas de "Angels of Love", sobretudo por explorar uma riqueza de detalhes até então intocada pelo guitarrista no álbum. O restante do repertório – de "Miracle of Life" a "Prelude to April" – não chega a empolgar, mesmo enquadrando uma performance excepcional do sueco com o seu instrumento em mãos.
A falta de rumo na carreira do músico europeu é clara em "Angels of Love". O disco, que está muito distante dos melhores momentos que YNGWIE MALMSTEEN proporcionou nos anos oitenta, peca pela sua demasiada simplicidade. De certo modo, os anos de ouro do guitarrista só irão retornar a partir do momento em que o veterano instrumentista unir novamente a virtuose com um repertório consistente. A ausência de criatividade – e até mesmo de uma banda completa por trás do registro – é que determina a principal consequência da obra. Não é por "Angels of Love" que YNGWIE MALMSTEEN será reverenciado por toda a eternidade.
Track-list:
01. Forever One
02. Angels of Love
03. Crying
04. Brothers
05. Memories
06. Save Our Love
07. Ocean Sonata
08. Miracle of Life
09. Sorrow
10. Prelude to April
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