A Tribute to Vulcano: Homenagem a uma lenda brasileira
Resenha - Satanic Legions - A Tribute to Vulcano
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 27 de fevereiro de 2011
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Em uma época que o cenário underground era fortemente influenciado pela NWOBHM, o surgimento das vertentes mais extremas abalou a mesmice sonora da década de oitenta, sobretudo em nosso país. O início do death/black metal viu o VENOM dominar Europa e consolidou – exatamente no mesmo período – o VULCANO como o maior expoente do gênero na América Latina. No ano em que completa trinta anos de carreira, a banda santista é homenageada com "Satanic Legions", um competente tributo que chega às lojas via Violent Records.
A carreira da banda, que nunca foi oficialmente interrompida, enfrentou altos e baixos desde o compacto "Om Pushne Namah" (1982), curiosamente cantando em português. Em meio a muitas dificuldades de gerenciamento por ser um grupo independente, o VULCANO resistiu à pressão e proporcionou importantes obras para o gênero que ajudou a construir, como "Live!" (1985) – o primeiro álbum de metal brasileiro a ser gravado ao vivo – e "Bloody Vengeance" (1986). Não há dúvidas de que uma série de mudanças internas corroborou para os momentos inconsistentes que Zhema & Cia. enfrentaram no passado – por muitos anos os fãs não viram nenhum disco novo chegar às lojas. No entanto, o VULCANO deu a volta por cima e desde "Tales from the Black Book" (2004) vem retomando o espaço que nunca deixou de ser o seu.
O disco "Satanic Legions: A Tribute to Vulcano" mostra um interessante panorama da carreira da banda, inclusive da sua fase mais recente. Embora não possua uma (necessária) uniformidade nas gravações apresentas, o tributo evidencia cuidados técnicos e gráficos irreparáveis por parte da gravadora. Da capa à escolha das bandas participantes, a Violent Records deu vida a um álbum coeso e praticamente obrigatório para os fãs mais antigos desse ícone do metal brasileiro. Para comprovar, a versão de "Witche’s Sabbath" abre a obra com uma surpresa. Os santistas do CHEMICAL DISASTER adicionaram em estúdio os vocais adicionais de Angel (que por muito tempo participou do VULCANO) e um solo de Soto Jr. (ex-guitarrista e falecido do grupo), ambos retirados de um show da banda na década de oitenta. O resultado é excelente.
Na sequência, "Spirits of Evil", assinada pelo ORGY OF FLIES; e "From the Black Metal Book", em uma versão executada pelo INFECTOR, mantêm as características originais que o VULCANO propôs nos discos "Blood Vengeance" (1986) e "Tales from the Black Book" (2004), respectivamente. As faixas, que podem até não possuir uma gravação primorosa, não fazem feio. Da mesma forma, "Guerreiros do Satã" – executada pelo black metal do MALEFICARUM – mostra como a banda serviu de referência para todo o movimento extremo que surgiu em nosso país nas décadas seguintes. Por outro lado, "Incubus" pode ser considerado um destaque do disco porque é Luiz Carlos Louzada, atual cantor do VULCANO, que assume os vocais da HIERARCHICAL PUNISHMENT.
Embora possa parecer um pouco de preciosismo, não há nenhuma incompetência na execução do repertório de "Satanic Legions: A Tribute to Vulcano". A versão de "Fall of the Corpse", assinada pelo MORLFOK, pode soar mais agressiva, mas isso certamente pouco importa. "Welcome to the Army", retirada do álbum "RatRace" (1990), ganhou uma roupagem de luxo pelas mãos do PREDATORY. Com influências mais próximas do MOTORHEAD, até mesmo a gravação proporcionada pelo ABOMYDOGS possui elementos que se encaixaram muito bem à proposta original da música, mais próxima do death/black. Do mesmo modo, repertório mais clássico do VULCANO é bem representado pelo FRONT ATTACK LINE em "Death Metal" e pelo PENTACROSTIC em "Fallen Angel".
Com certo prejuízo em razão da gravação abafada, o BLASPHEMICAL PROCREATION mostra um trabalho apenas mediano em "Holocaust". Do mesmo modo, as versões para "Dominios of Death" pode aparecer um pouco apagada, mas é evidente que o GOREMPIRE mostrou competência na sua execução, assim como o CHAOSMASTER evidenciou em "Prisoner from Beyond". De outro lado, "Ready to Explode", assinada pelo IMPETY; e "The Signals", apresentada pelo REPULSÃO EXPLÍCITA, relembraram com destaque as músicas que projetaram o VOLCANO na década de oitenta.
Na reta final do tributo, a versão de "Red Death" do AQUERONTE e de "The Bells of Death" do BRUTAL EXUBERÂNCIA podem até passar em branco, mas a inclusão de "Besta Cibernética", do primeiro compacto do VULCANO, é muito bem-vinda para o caráter contemplativo da obra. Embora não possuam uma gravação exemplar como a anterior, "Gates of Iron" e "Riding in Hell" – do MIDNIGHTMARE e do READY TO EXPLODE respectivamente – não possuem os requisitos mínimos para serem apontadas como destaque. Por outro lado, "Legiões Satânicas" aparece muito bem na versão assinada pelos veteranos do NERVOCHAOS, que tem tudo para ser o melhor momento de "Satanic Legions: A Tribute to Vulcano" ao lado da faixa de abertura. Por fim, duas faixas medianas – "F.T.W. (Fuck the War)" do UNBORN e "Bloody Vengeance" do EIGHTEENTH ANGEL – encerram o tributo sem o mesmo pique do seu início.
De qualquer forma, "Satanic Legions: A Tribute to Vulcano" é representativo e simboliza uma sincera homenagem a um dos ícones do underground brasileiro, importantíssimo para o movimento death/black nacional. A Violent Records está de parabéns por concretizar esse tributo. Os fãs certamente aguardam o retorno do VULCANO com um novo disco nos próximos anos, ainda mais que a banda oficializou o seu novo line-up com Luiz Carlos Louzada (vocal), Zhema Rodero e Fernando Nonath (guitarras), Carlos Diaz (baixo) e Arthur Justo (bateria).
Site: www.myspace.com/violentrecs
Track-list:
01. Witche’s Sabbath (Chemical Disaster)
02. Spirits of Evil (Orgy of Flies)
03. From the Black Metal Book (Infector)
04. Guerreiros de Satã (Maleficarum)
05. Incubus (Hierarchical Punishment)
06. Fall of the Corpse (Morfolk)
07. Welcome to the Army (Predatory)
08. Devote to the Devil (Abomydogs)
09. Total Destruição (Sepulcro)
10. Death Metal (Front Attack Line)
11. Fallen Angel (Pentacrostic)
12. Holocaust (Blasphemical Procreation)
13. Dominios of Death (Gorempire)
14. Prisoner from Beyond (Chaosmaster)
15. Ready to Explode (Impiety)
16. The Signals (Repulsão Explícita)
17. Red Death (Aqueronte)
18. The Bells of Death (Brutal Exuberância)
19. Besta Cibernética (Breakdown)
20. Gates of Iron (Midnightmare)
21. Riding in Hell (Ready to Explode)
22. Legiões Santânicas (Nervochaos)
23. F.T.W. (Fuck the War) (Unborn)
24. Bloody Vengeance (Eighteenth Angel)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música do Rainbow que Ritchie Blackmore chama de "a definitiva" da banda
A melhor música de cada álbum do Iron Maiden, segundo ranking feito pela Loudwire
"I Don't Care", do Megadeth, fala sobre alguém que Dave Mustaine admite ter implicância
Ao lidar com problemas de saúde, Dee Snider admitiu fazer algo que rejeitou a vida inteira
Metal Church anuncia seu décimo terceiro disco, o primeiro gravado com David Ellefson
Uma cantora brasileira no Arch Enemy? Post enigmático levanta indícios...
A música épica do Rush que mexeu com a cabeça de Dave Mustaine
Eagles encerrará atividades em 2026, revela Don Henley
O disco "odiado por 99,999% dos roquistas do metal" que Regis Tadeu adora
"Não tenho mágoa nenhuma": Luis Mariutti abre jogo sobre Ricardo Confessori e surpreende
35 grandes músicas que o Megadeth lançou no século XXI
Summer Breeze anuncia mais 33 atrações para a edição 2026
Jão sofre fratura exposta em dedo da mão e se afasta das atividades do Ratos de Porão
Quem pode ser a nova vocalista do Arch Enemy no Bangers Open Air?
W.A.S.P.: a condição imposta por Blackie Lawless para entrada de Aquiles Priester
A triste constatação de Erasmo Carlos sobre o rock brasileiro
Queen: 10 coisas que você não sabe sobre Bohemian Rhapsody



CPM 22: "Suor e Sacrifício", o álbum mais Hardcore da banda
O fim de uma era? Insanidade e fogo nos olhos no último disparo do Megadeth
Alter Bridge, um novo recomeço no novo álbum autointitulado
O disco que "furou a bolha" do heavy metal e vendeu dezenas de milhões de cópias



