Atheist: Completamente anticomercial, insano e coerente

Resenha - Jupiter - Atheist

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Por Ben Ami Scopinho
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Nota: 8

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Figurando entre os pioneiros do Death Metal absurdamente técnico, esta é mais uma das bandas que retomou suas atividades nos últimos anos... Norte-americano da Flórida, a carreira do Atheist começou em 1988, cujos três álbuns subsequentes obtiveram boa repercussão pela cena underground, mas não o suficiente para que seus músicos seguissem em frente, encerrando seus trabalhos oficialmente em 1994. A volta somente se concretizou em 2006, e "Júpiter" é o primeiro álbum de estúdio desde então.
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Lançado no exterior pelo selo Season Of Mist, "Jupiter" se insinua por sutis atualizações sonoras, mas é indiscutível que também continue basicamente de onde parou "Elements" (93). A juventude se foi, mas a furiosa precisão matemática continua inabalável em composições muito complexas e que oferecem constantes mudanças de ritmos, mudanças tantas vezes bruscas, mas sempre com uma musicalidade marcante - inclusive algumas melodias estão mais fortes e até podem sugerir novas direções no futuro.

Para se chegar a esse resultado, obviamente cada novo músico foi selecionado a dedo, mas o maior destaque recai tranquilamente sobre o veterano Steve Flynn, esse baterista é criativo e muito técnico. Desde a abertura "Second Sun" já se tem noção de os territórios serem conhecidos, mas é a atmosfera progressiva de "Faux King Christ" que a eleva a um dos melhores momentos de "Jupiter". E, mesmo que tenha se passado tanto tempo, continua impressionante a forma como se intercalam toda a brutalidade do Heavy Metal extremo com passagens jazzísticas, como em "Live And Live Again".

O único aparte por aqui é que, considerando todo o tempo afastado do cenário musical, o Atheist preparou um repertório com apenas oito composições que cronometram pouco mais de 30 minutos. É muito pouco, mas, ainda assim, este disco mostra a relevância de um estilo que simplesmente não se perdeu no limbo após mais de duas décadas de seu nascimento. Completamente anticomercial, insano e coerente, não serão todos os ouvidos que assimilarão esta música, mas é ótimo ouvir esta banda novamente.

P.S.: Kelly Schaefer foi um dos quatro finalistas que buscaram o posto de vocalista do Velvet Revolver (quem diria!), cujo fim da história todos já devem saber: o escolhido foi o espalhafatoso Scott Weiland... Bom, talvez Schaefer tenha saído no lucro!

Contato:
http://www.officialatheist.com/
http://www.myspace.com/kellysatheistwebsite

Formação:
Kelly Shaefer - voz e guitarra
Chris Baker - guitarra
Jonathan Thompson - guitarra e baixo
Steve Flynn - bateria

Atheist – Jupiter
(2010 / Season of Mist – importado)

01. Second To Sun
02. Fictitious Glide
03. Fraudulent Cloth
04. Live And Live Again
05. Faux King Christ
06. Tortoise The Titan
07. When The Beast
08. Third Person

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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