Sonata Arctica: Marcando o novo milênio para os finlandeses

Resenha - Reckoning Night - Sonata Arctica

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Por Afonso Viana
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Lançado em 2004 pelo Sonata Arctica, "Reckoning Night", marca um "novo milênio", digamos assim, para os finlandeses: a chegada de Henrik Klingenberg, o novo tecladista, que caiu no gosto dos fãs. Além disso, traz mais uma dose de Power Metal do melhor, ao estilo Sonata, claro!

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Contando com Tony Kakko (vocal), Jani Liimatainen (guitarra), o já citado Henrik Klingenberg (teclado), Marko Paasikoski (baixo) e Tommy Portimo (bateria) (formação hoje considerada "clássica"), este quarto álbum da carreira do grupo marca o que já se mostrava com seu antecessor, "Winterheart’s Guild": que Sonata Arctica não é apenas mais uma banda que soa como Stratovarius e Helloween, assim como no início da carreira, mas sim uma banda com sonoridade própria, composições impecáveis de Tony Kakko, um verdadeiro gênio como letrista, e muita, mas muita qualidade.

"Misplaced", logo a primeira faixa, já mostra tudo o que acabou de ser dito. Ela já começa com dose extra de peso, um pausa causa certo suspense, a ponto de fazer os ouvintes pensarem "como assim!?", mas o peso vem novamente, e em menos de um minuto, já vemos a genialidade de Henrik sendo colocada em jogo, onde ele faz um riff sensacional durante o verso. "Blinded No More" se tornou constante em shows do Sonata, mas realmente é uma música arrasadora! Ela não é tão "speed" quanto é comum, mas cai fácil fácil no gosto, pois é realmente muito boa. Sutis toques colocados por Jani completam estupendamente a música, como, por exemplo, o primeiro solo, curto, simples, mas bem colocado. O final da faixa é realmente muito interessante, já dando deixa para "Ain’t Your Fairytale", que é puro peso! Os múltiplos vocais no começo soam muito bem para a música.

Prosseguindo, "Reckoning Day, Reckoning Night" não se mostra uma música em si, mas apenas uma atmosfera (muito interessante, por sinal), utilizada para dar início à já clássica "Don’t Say A Word". Não há muitas palavras para definir essa música. Digamos apenas que é muito teatral, e como um todo, é um verdadeiro espetáculo!

"The Boy Who Wanted To Be A Real Puppet" é um destaque para Henrik, que dá vazão a uma técnica que ele já tomou como absoluta para si, que logo mais será comentada. Pianos muito bem trabalhados, e como um todo, é outro verdadeiro teatro. "My Selene" possui a sonoridade já comum aos finlandeses, mas analisando detalhadamente, é uma canção muito bela. Seu primeiro verso, por exemplo, traz uma melodia belíssima, um dedilhado na guitarra esplendido e um ótimo clima. Diria que o destaque nesta vai para Tommy, que, apesar de fazer apenas o que lhe é comum, conseguiu chama a atenção nessa, utilizando muito bem, principalmente, o bumbo duplo.

"Wildfire" é outro peso em abundância, e seu destaque vai para o solo, um duo entre a guitarra e o teclado, sendo que este segundo usa um som parecido com sinos. O caso é que a sonoridade ficou incrível! A próxima, "White Pearl, Black Oceans..." é um pequeno épico, de quase nove minutos. Dotada de uma letra fenomenalmente grande, ela traz em seu instrumental um pouco de cada pegada que a banda fez na época. E o que segue ela é "Shamandalie", outro destaque do álbum, uma música belíssima! Uma semi-balada, onde se encontra predominância total na técnica de Henrik antes comentada: quando utilizando um piano, o tecladista, além da base, costuma fazer uma harmonia que acompanha o vocal, criando assim um efeito verdadeiramente belo. Muitas músicas que vieram depois trouxeram isso, principalmente ao vivo, tornando-se uma marca de seu estilo.

Ainda como surpresa, temos a faixa oculta "Jam". Realmente divertida, é o que pode ser dito. É uma gravação "ao vivo em estúdio", onde os integrantes falam muita bobagem (na língua de sua terra natal), riem muito, aparentando até estarem bêbados, mas emplacam um improviso com violões, pandeiros, batuques e etc., criando um verdadeiro flamenco! Muito legal de se ouvir (apesar de talvez não agradar os headbangers de plantão).

Vale destacar também que novamente temos a participação do velho amigo do Sonata, Nik Van-Eckmann, que empresta sua voz mais uma vez para fazer o narrador que aparece em algumas músicas do álbum.

Um verdadeiro marco na sonoridade da banda. Talvez se compararmos esse CD aos atuais da banda, pensaríamos que hoje em dia falta algo que antes sobrava: guitarras! Talvez Jani faça falta, mas que o Sonata Arctica já é uma banda marcada na história do metal, isso é inegável. Verdadeiramente recomendado.

Faixas:
01 – Misplaced
02 – Blinded No More
03 – Ain’t Your Fairytale
04 – Reckoning Day, Reckoning Night
05 – Don’t Say A Word
06 – The Boy Who Wanted To Be A Real Puppet
07 – My Selene
08 – Wildfire
09 – White Pearl, Black Oceans...
10 – Shamandalie
11 – Jam (faixa oculta)

Gravadora(s):
Nuclear Blast

Publicado originalmente em http://musicisthedoctor.tumblr.com/


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