Extreme: desconhecida e conhecida por muitos ao mesmo tempo
Resenha - Take Us Alive - Extreme
Por Caio César
Postado em 20 de setembro de 2010
Fiz uma experiência várias vezes, relacionada ao Extreme, a qual consistia perguntar ao "pesquisado": "Conhece a banda "Extreme"?" e a pessoa sempre respondia que nunca havia ouvido falar de tal grupo. Na mesma hora eu colocava pra tocar a linda balada "More than words" e a reação era quase sempre a mesma: "Hum, essa eu conheço!". Reconheço que a primeira coisa que ouvi desse grupo foi justamente a balada internacionalmente conhecida citada acima que de fato é uma canção cativante e emotiva que entrou pra história do rock.
No entanto, o Extreme é muito mais que palavras (perdoe o trocadilho), muito mais mesmo! Pra começar o guitarrista Nuno Bettencourt é, no mínimo, um absurdo quando falamos de técnica, e o vocalista Gary Cherone apesar de não ter uma das vozes mais potentes do Hard rock é parceiro de composição de Nuno e possui uma energia e carisma no palco que são capazes de incendiar qualquer platéia. Além disso, o misto de funk com Hard Rock do grupo os faz únicos, e devo dizer que este é o ingrediente que mais me atraiu e me fez conhecer a banda mais a fundo.
Ultimamente houve um retorno a ativa do grupo que havia se separado em meados da metade dos anos noventa. Aparentemente, parecia apenas mais um retorno em meio a tantas reuniões de grupos antigos que vem acontecendo atualmente. Essa impressão ficou pra trás quando ouvi o novo disco "Saudades de Rock", talvez um dos melhores discos de rock lançados em 2009. Junto a esse os integrantes decidiram que deveriam registrar um dos shows da turnê e é sobre esse que venho escrever aqui nesta resenha. "Extreme – Take Us Alive" foi gravado em Boston, o berço do grupo.
Apesar de nunca ter ouvido algum material ao vivo do grupo, além de alguns poucos registros não originais, ouvia boatos de que Gary Cherone não "segurava" muito bem ao vivo. A sorte foi que quem me passou esses boatos estava completamente enganado. O cara esbanja energia, carisma e todos os ingredientes que todo bom vocalista deve ter.
Com Pat Badger no baixo (outra presença significativa no show) e Kevin Figueiredo na bateria a apresentação se inicia com a clássica "Decadence Dance" com Nuno esbanjado harmônicos na guitarra e Gary segurando perfeitamente as notas. Nota-se certo desgaste na voz do vocalista, mas isso não compromete em nada a apresentação da empolgante faixa que costumava abrir os shows do grupo. Em seguida, entra "Confortably Dumb" que pertence ao disco novo. Uma faixa que soa Extreme do início ao fim tendo nos riffs de Nuno Betencourt a sua principal marca. Um destaque não só no show, mas também no disco novo do grupo. Logo em seguida, "Rest in peace", um dos grandes sucessos do disco "III sides to every story", é tocada. É uma de minhas favoritas do grupo. Uma melodia extremamente alegre misturando a energia do funk com o peso do Hard Rock. "It(‘s a monster)", um dos clássicos de "Pornografitti", foi entoado pela platéia logo em seguida. Neste momento, Cherone mostra sua grande capacidade de interagir com o público, gesticulando e chamando todos a acompanhar a banda.
"Star", canção com nítida influência do Queen nos vocais, inicia-se cantada a capella por Badger, Nuno e Gary seguida de mais um furioso riff de Nuno. Uma das melhores canções do disco novo funciona muito bem ao vivo principalmente no coral super afinado do trio citado acima.
"Tell me something I don’t Know" quebra um pouco o ritmo que o show vinha tendo com uma levada um pouco menos acelerada. É aberta um pouco a exibição de Nuno e de Pat. Em seguida temos um Medley de algumas canções do primeiro disco "Extreme" com "Kid Ego", "Litlle Girls" e "Teacher’s Pet" emendada com outro clássico do mesmo disco "Play with me".
Terminada essa sequência temos Nuno de violão no palco. Ele executa "Midnight Express", canção do disco "Waiting for the Punchline". Ele aproveita pra mostrar um pouco de toda a técnica apurada que possui na bela canção acústica. A chegada de Gary Cherone traz o inevitável pro show. Ele explica o quanto a canção significa pra Nuno e ele, pede para o público não ficar tímido, e acompanhados da platéia, a dupla executa o grande hit da banda "More than words". Uma exibição digna de aplausos que misturou a euforia do público com o feeling dos músicos. Talvez esse tenha sido o momento do show em que o clímax atingiu o máximo.
Após essa execução, Nuno aparece ao piano para apresentarem uma balada do disco novo, chamada "Ghost". A música tem um toque oitentista e funciona muito bem ao vivo. O funk metal volta com a maravilhosa "Cupid’s Dead" do disco "III sides to every story" pra mais uma exibição de gala de Nuno na guitarra e um início de Kevin arrepiante na bateria. O funk Metal dá lugar ao country divertido que dá nome ao DVD, "Take Us Alive". Nuno e Pat aproveitam para se divertirem no palco incorporando algumas improvisações à música. O premiado solo "Flight of the wounded Bumbleblee" traz nova exibição técnica de Nuno.
Chegando aos momentos finais temos mais funk com "Get a funk out" e, explorando o lado mais Hard da banda, vem "Am I ever gonna change". Finalmente o grupo encerra com sua outra canção que dominou as rádios no fim dos anos oitenta "Hole Hearted" em uma exibição divertida com uma grande interação dos músicos com a platéia. Inclusive o baterista Kevin Figueiredo se juntou aos outros membros da banda com um bumbo pequeno e um prato pra executar a percussão de "Hole Hearted".
Uma exibição impecável de uma banda desconhecida e conhecida ao mesmo tempo por muitos. Recomendo que você que não conhece muito dessa banda e é um amante do hard rock, que busque logo materiais do Extreme, principalmente os discos "Pornografitti", o último "Saudades de Rock" mais este DVD do qual falei aqui. Com certeza você não se decepcionará. Talvez, depois de assistir a este DVD, você se una a mim nas preces para um retorno do grupo ao Brasil.
Faixas:
1. "Decadence Dance" (Pornograffitti)
2. "Comfortably Dumb" (Saudades de Rock)
3. "Rest in Peace" (III Sides to Every Story)
4. "It('s a Monster)" (Pornograffitti)
5. "Star" (Saudades de Rock)
6. "Tell Me Something I Don't Know" (Waiting for the Punchline)
7. "Kid Ego/Little Girls/Teacher's Pet" (Extreme)
8. "Play With Me" (Extreme)
9. "Midnight Express" (Waiting for the Punchline)
10. "More Than Words" (Pornograffitti)
11. "Ghost" (Saudades de Rock)
12. "Cupid's Dead" (III Sides to Every Story)
13. "Take Us Alive" (Saudades de Rock)
14. "Flight of the Wounded Bumblebee" (Solo de He-man Woman Hater)(Pornograffitti)
15. "Get the Funk Out" (Pornograffitti)
16. "Am I Ever Gonna Change" (III Sides to Every Story)
17. "Hole Hearted" (Pornograffitti)
Integrantes:
Gary Cherone - Vocais
Nuno Bettencourt - Guitarra e vocais
Pat Badger - Baixo e vocais
Kevin Figueiredo - Bateria
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Como uma canção "profética", impossível de cantar e evitada no rádio, passou de 1 bilhão
O disco nacional dos anos 70 elogiado por Regis Tadeu; "hard rock pesado"
A música do Angra que Rafael Bittencourt queria refazer: "Podia ser melhor, né?"
O álbum "exagerado" do Dream Theater que John Petrucci não se arrepende de ter feito
Playlist - Uma música de heavy metal para cada ano, de 1970 até 1999
As duas músicas do Metallica que Hetfield admite agora em 2026 que dão trabalho ao vivo
A música de Raul Seixas que faria ele ser "cancelado" nos dias de hoje
A música feita pra soar mais pesada que o Black Sabbath e que o Metallica levou ao extremo
Registro do último show de Mike Portnoy antes da saída do Dream Theater será lançado em março
Alter Bridge, um novo recomeço no novo álbum autointitulado
A contundente opinião de Anders Fridén, vocalista do In Flames, sobre religião
Cinco discos de heavy metal que são essenciais, segundo Prika Amaral
A banda de rock que lucra com a infantilização do público adulto, segundo Regis Tadeu
Max Cavalera só curtia futebol até ver essa banda: "Virei roqueiro na hora"
O guitarrista que Dave Grohl colocou acima de Jimi Hendrix, e que Brian May exaltou



A atitude respeitosa tomada por Nuno Bettencourt no último show de Ozzy Osbourne
Por que, segundo Nuno Bettencourt, o Extreme nunca foi respeitado como deveria
Extreme começa a trabalhar em novo álbum de estúdio
O solo de guitarra "colossal" que Brian May disse estar fora da sua alçada; "Nem em mil anos"
Nuno Bettencourt (Extreme) presta tributo a Randy Rhoads no dia em que guitarrista faria 69 anos
Metallica: em 1998, livrando a cara com um disco de covers
Whitesnake: Em 1989, o sobrenatural álbum com Steve Vai


