Hammerfall: um dos melhores álbuns da década de 90

Resenha - Legacy of Kings - Hammerfall

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Por Bruno Bianchim Martim
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Há 12 anos, o grupo sueco começava a definir seu legado. Longe de serem os reis, o álbum transmite, com grande coerência, influências e identidade. Um sopro de esperança ao Heavy Metal durante os conturbados e assombrados anos 1990. O grunge tomou conta do cenário musical e industrial. Paralelo a isso, a cena headbanger em países europeus relutou, batalhou e permaneceu forte, como é até hoje.
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Na fria e boreal Escandinávia, mais precisamente na Suécia, o Hammerfall, que havia lançado “Glory to the Brave”, há pouco menos de um ano, divulgava seu novo petardo, sim, um suspiro ao gênero: “Legacy of Kings”.

As nítidas e profundas influências de mágicos e mestres do estilo, como Accept, Helloween e Iron Maiden, são evidentes a qualquer ouvido apurado. Frente a retina, então, nem se fala. O visual é quase o mesmo entre os grupos: muito couro. No entanto, o grupo sueco encontrou em seu Power Metal respaldo para ecoar mundo afora com composições que remarcariam um novo punch à música pesada. “Legacy of Kings”, embora traga temáticas nada revolucionárias, como reis em batalhas épicas, postula, sim, ao título de um dos melhores álbuns da década de 90.

As batidas de Patrik Räfling, que marcam a música de abertura, “Heeding the Call”, dão a tônica da obra: agilidade, riffs pesados, cavalgadas, notas mortas, vocal ardente e o velho clichê dos anos 1980, corais ao fundo nos refrões super pegajosos. Na escalada entre as músicas dos álbuns, talvez essa seja, a que melhor exemplificaria qualquer análise sobre o gênero e disco. “Heeding the Call” é um clássico, até hoje destilado nos shows do grupo.

A segunda faixa, homônima ao álbum, traz, novamente, as caracterizações transpostas de maneira parecida. Nenhuma novidade, o que transmite a identidade de uma banda, já em seu segundo álbum, sendo criada e firmada dentro do estilo tão famigerado. Outro clássico.

Mas, então, vamos, deixe o martelo cair! Isto é o que sugere a música três. “Let the Hammer Fall”, mais cadenciada, a sonoridade remete ao já citado Accept. Aqui, nada de agilidade ou ritmo acelerado, o peso das guitarras é que define a canção. “Dreamland” dá retorno a concepção do disco: rapidez. Seguida da balada, “Remember Yesterday”, marca a primeira metade da obra. A história de “Legacy of Kings” começava a ser contada.

“At the End of the Rainbow” suscita a canção "Stranger in a Strange Land", do Iron Maiden. Contudo, após a linha inicial no baixo de Magnus Rosén, as diferenças se arrefecem. Uma das composições-destaques do disco, já que traz uma linha densa e mais tranqüila, em certos aspectos, tornando o refrão...” Here we stand, bound forever more..”, o ponto alto e grandioso.

O cover de “Back to Back", do Pretty Maids, não deixa escapar as linhas ilustradas pelo grupo no disco. Além dela, as faixas “Stonger than All” e “Warriors of Fate” mantém o, até então, explícito no álbum. A última faixa, “Fallen One”, com Joacim Cans no piano, carrega em seu solo nas seis cordas, todo o feeling demonstrado pelo grupo, que começava a traçar em “Legacy of Kings” parte do seu legado deixado à safra atual da música pesada. Em suma, um grande álbum lançado em um momento atípico ao Heavy Metal. Se Oscar Dronjak e Cans tivessem nascido um pouco antes, certamente, um disco que figuraria entre as prateleiras dos mais ousados fãs do gênero. Um legado e tanto deixado para trás. Let the Hammer Fall!

Track-list:

1. Heeding the Call
2. Legacy of Kings
3. Let the Hammer Fall
4. Dreamland
5. Remember Yesterday
6. At the End of the Rainbow
7. Back to Back
8. Stronger Than All
9. Warriors of Faith
10. The Fallen One

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