Def Leppard: o terceiro álbum é também o seu melhor

Resenha - Pyromania - Def Leppard

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Por Luis Fábio Pucci
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


O terceiro álbum da banda britânica da NWOBHM é também o seu melhor. Lançado em 1983, ficou por vários meses nos primeiros lugares das paradas britânicas e americanas. Durante várias semanas, perdia só para o disco “Thriller” de MICHAEL JACKSON, que estava então na liderança.
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Não era por acaso: o casamento do produtor John “Mutt” Lange (AC/DC) com o grupo estava bem realizado e amadurecido. O som do DEF LEPPARD estava melhor capturado e produzido, o trabalho saiu melodioso como nunca e deu espaço para que o disco ganhasse a América e ajudasse a disparar a onda do Heavy Metal em sua segunda geração no continente.

Explica-se: o sucesso estrondoso do disco em vendas e imagem abriu espaço nas gravadoras para o lançamento de outras bandas americanas, especialmente as da Costa Oeste, que estouraram logo depois. Todo mundo percebeu que rock pesado poderia vender bem e, afinal, já estava fazendo isso na Europa.

O problema é que as outras bandas mais pesadas, na época (MOTORHEAD, IRON MAIDEN, BLACK SABBATH), não agradavam muito ao público feminino e nem a estética dos produtores de televisão norte-americanos. Por isso a coisa estava demorando a deslanchar do outro lado do Atlântico. Então o DEF LEPPARD veio sob medida, com suas roupas mais certinhas, comportamento exemplar na frente das câmeras e letras que deixavam os temas mais polêmicos de lado.

Hoje o disco ainda mostra que não envelheceu, e aparece na lista dos melhores da década na análise da maioria dos críticos e revistas. A receita da NWOBHM está toda lá: riffs pegajosos, vocal gritado, bateria pesada marcando o compasso e backing vocals afinados (para alguns detratores, melosos até demais).

Tudo bem que o disco seguinte, “Hysteria”, vendeu até mais do que esse, mas ali a banda já mostrava um caminho mais alinhado com o pop-rock, deixando o peso e a inspiração para segundo plano. Ambos geraram incontáveis vídeos para a televisão e DVDs contando os bastidores das gravações. A coletânea de vídeos padrão MTV pode ser encontrada no DVD “Hystoria”. Enfim, dois álbuns clássicos, cada um ao seu modo.

A história da turnê desse álbum é conturbada, pois perto do fim dela (em 1984) o baterista Rick Allen perdeu um braço, depois de sofrer um acidente de carro. Isso levou a banda a cancelar o restante da tour e ficar por alguns anos sem gravar. Se isso não tivesse acontecido, poderiam ter sido ainda maiores, aproveitando a fase de ouro do rock pesado na mídia.

Mas fato é que eles não optaram por fazer o que outros grupos fariam numa situação dessas: no auge do sucesso, poderiam ter simplesmente trocado o baterista por outro e seguido em frente. Foi a amizade no grupo que fez com que esperassem pela recuperação de Allen, que depois passou a tocar com o auxilio de uma bateria especial, desenvolvida sob medida para ele.

Esse foi o fato que os tirou do Rock In Rio 1: ao cancelarem na última hora sua participação, o evento contratou o WHITESNAKE para o seu lugar nas noites de heavy metal mais famosas da história do rock brasileiro. Não fosse isso, a banda seria mais conhecida por aqui e teria vindo com o repertório desse álbum para o show.

Músicas como "Rock! Rock! (Till You Drop)”, “Photograph”, “Foolin”, “Rock of Ages” e “Too Late For Love" tornam-se hits e hinos entre os fãs. O vídeo de "Photograph", que tinha inspiração em Marilyn Monroe, chegou a ser o mais pedido na MTV americana, superando num determinado momento o clássico "Beat It" do disco de JACKSON, que estourava ao mesmo tempo.

As mais pesadas, com certeza “Rock! Rock! (Till You Drop)” e “Foolin”, que abriam os lados A e B, respectivamente (lembre que naqueles tempos os discos eram de vinil, então banda de rock pesado que prezasse o nome tinha de abrir o lado pegando o mais pesado possível). “Photograph” foi a primeira a virar single, seguida de "Rock of Ages" e "Foolin" e apresentaram o LEPPARD, via MTV, para muitos dos jovens norte-americanos de então. “Action! Not Words!” também é pesada e grita um lema da geração Heavy (e Punk!) que soava bem para os ouvidos dos adolescentes do início dos anos 1980.

No entanto, mais populares ficaram as faixas mais melodiosas, como “Photograph” e “Rock of Ages”, que bombaram na televisão. Nessas, o som é mais arrumadinho e destacam-se os trabalhos de backing vocal, que em alguns momentos incluem o apoio de vocais femininos. Em “Photograph”, chega a lembrar os corais no estilo dos BEACH BOYS (talvez por isso o público americano tenha adorado essa música em especial, além do fato de que é uma homenagem a Marilyn Monroe).

“Too Late for Love” é a mais melancólica, mas está perfeita. Uma balada que de repente troca de ritmo e inova, trazendo peso para a segunda parte de música. Modelo que foi em seguida imitado pelas bandas californianas, com certeza (e mais do que uma vez!). Mesmo tão copiada ainda hoje dá para arrepiar ao ouvir. Veja gravação para a TV britânica:

(http://www.youtube.com/watch?v=6Nsy1Z4y2vE&feature=related)

“Stagefright” tenta aparentar gravação ao vivo (mas não é), pega mais pesado de novo e fala do medo de estar na linha de frente do palco. É rock puro, mas não brilha mais do que as faixas já citadas aqui.

“Billy´s got a Gun” e “Die Hard the Hunter” parecem ter uma certa inspiração em comum, tanto nos temas quanto na levada sonora. E são ótimas. A primeira conta a estória de mais um desesperado num mundo no qual ele não se encaixa. A segunda é anti-guerra, e começa com uma narração até a frase gritada, para depois emendar o som com um riff marcante. Essa narração na abertura, com a posterior frase gritada, acabou virando um padrão do LEPPARD e já era uma tendência forte no disco anterior. Entretanto, dá para perceber que foi nesse álbum que o experiente produtor John “Mutt” Lange começou a cortar um pouco essa mania da banda, pois já estava soando repetitivo e irritante. Outro problema que ele também resolveu com a produção desse disco foi eliminar o som “embolado”, que também era um ponto frágil do grupo e podia ser visto nos álbuns anteriores.

Do ponto de vista instrumental, o DEF LEPPARD não tinha nenhum gênio, mas é o tipo da banda que soa sempre coesa e entrosada. Clark é um bom guitarrista e assina a maior parte dos solos. Collen faz a base a arrisca-se em solos curtos em algumas faixas. O vocalista Joe Elliot mostra nos trejeitos que aprendeu bastante com as bandas inglesas dos anos 1970 e com o SAXON de Biff: incluiu a bandeira da Grã-Bretanha nas roupas, inspirado pelo THE WHO e pelos SEX PISTOLS, e renovou a moda no rock. A bateria de Allen é forte e soa metal 100%, com o equipamento Ludwig. Foi a última chance de ouvi-lo antes da obrigatória migração para o apoio eletrônico. Já o baixista Savage faz a lição de casa: não destoa e dá apoio essencial nos backing vocals. Para quem duvida, basta ver e ouvir um show dessa tour: eles eram ótimos no palco e ganhavam ainda mais peso ao vivo.

Veja trecho do show na TV alemã, em 1983:
(http://www.youtube.com/watch?v=t2tuNvvJHTw&feature=related)

Enfim, esse disco é a oportunidade de ouvir o DEF LEPPARD no seu auge, num trabalho que com certeza está entre os maiores clássicos do rock pesado. Clark, pilar da panda por conta das composições e do peso que dava na guitarra, morreu em 1991 (em seu lugar entrou o ex-DIO Vivian Campbell). Somamos o problema com a limitação física de Allen e temos como resultado que o som da banda nunca mais foi o mesmo, migrando para um pop-rock de baixa inspiração ao longo dos anos 1990.

Mas o que importa é que esse disco ficou: é uma aula de rock, impecável no conjunto e nas partes, inspirou outras bandas e ajudou a moldar o som do rock pesado para as gerações seguintes.

Faixas:
1 Rock, Rock (Till You Drop)
2 Photograph
3 Stagefright
4 Too Late for Love
5 Die Hard the Hunter
6 Foolin
7 Rock of Ages
8 Comin´under Fire
9 Action! Not Words
10 Billy´s Got a Gun

Gravadora: Polygram/Mercury

Formação:
Joe Elliot - Vocais
Phil Collen - Guitarra
Steve Clark - Guitarra
Rick Savage - Baixo
Rick Allen - Bateria

Site oficial: http://www.defleppard.com/

Bibliografia:
DICKSON, Dave. Biographize: the Def Leppard story. London: Trafalgar Square, 1996.
DIMERY, Robert. 1001 discos para ouvir antes de morrer. Sextante, 2008.
Site oficial: http://www.defleppard.com/
Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Def_Leppard

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