Mark Knopfler: envelhecendo e compondo maravilhosamente

Resenha - Get Lucky - Mark Knopfler

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Por Francisco Grynberg
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Em 2009, foi lançado o mais novo trabalho da carreira solo do músico Mark Knopfler, ex-Dire Straits: "Get Lucky". No seu sexto disco da carreira solo (tirando trilhas sonoras), o frontman opta por um álbum temático. Os temas vão além do que a capa sugere. Mais do que apenas explorar temas ligados a cassinos antigos e ao jogo, Knopfler faz uma viagem ao passado em algumas faixas. O músico mostra total amadurecimento em termos de composição e vocal (cada vez mais rouco e amargurado).
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Para combinar com as músicas nostálgicas, nada melhor que baladas amarguradas. E apenas uma ou outra faixa foge à essa regra.

Knopfler soube envelhecer e continuar compondo maravilhosamente, algo que poucos músicos conseguem. As músicas são carregadas de emoção e sinceridade e a guitarra solo, menos presente em algumas faixas, ainda continua soando única.

Os músicos que acompanham Mark Knopfler(guitarra base, 2 tecladistas, baterista, baixo e faluta e accordion em algumas faixas) são consistentes e fazem seu trabalho de forma profissional e satisfatória.

O mestre Knopfler está ficando velho, mas continua inspirado neste que pode ser considerado um dos melhores discos de sua carreira solo.

Border Reiver

Knopfler abre com chave de ouro o disco nesta bela música em que a flauta rouba a cena. A voz de Knopfler, cada vez mais rouca e amargurada se prova perfeita durante o disco todo e nessa faixa fica claro que Dire Straits é passado, mas a qualidade musical continua a mesma.

Hard Shoulder

O disco continua com uma outra balada. E realmente, a voz rouca de Mark Knopfler se adapta melhor à músicas lentas ou mais cadenciadas. Se antes no Dire Straits eram comuns músicas mais animadas, Knopfler em seus últimos discos vem optando por mais baladas. Vale dizer que o frontman nunca teve uma potência vocal elevada mas sempre teve estilo no vocal e nesse disco o vocal se sobressaí em algumas músicas em relação à guitarra solo.

You Can’t Beat the House

A temática do disco, meio vintage, remete também muito a cassinos. Desde à capa até o CD que se assemelha a uma ficha de cassino, Knopfler opta por não só a parte gráfica que remete a cassinos antigos mas também músicas com esse tema.
E nada melhor que um blues para falar disso. Mostrando versatilidade, já que MK tocava raramente um blues antigamente, a música é uma das melhores do disco. Não só o vocal já descrito antes se encaixa perfeitamente, como a guitarra solo e o estilo inconfundível de Knopfler se fazem presentes em You Can’t Beat the House.

Before Gas and TV

A flauta faz-se de novo presente nesta faixa. A combinação guitarra solo/flauta é simplesmente fantástica. Não só nessa mas em todas as faixas, a maturidade e a complexidade das composições criam uma atmosfera única que te faz viajar anos num passado que muitos nem viveram (nem o próprio músico). Músicas como “Before Gas and TV” não só tem sentimento como fica claro como uma simples música pode mudar nosso estado de espírito.

Monteleone

A atmosfera vintage toma conta em mais uma balada. Talvez essa seja a música mais fraca do disco. Talvez seja pessoal mas me causou estranheza a levada dessa música. Knopfler parece ter voltado muitas décadas atrás para compor essa faixa. O toque seja no instrumental seja no vocal é de uma música dos anos 30/40. Aproveito para dizer que as letras, que já eram boas anteriormente, continuam excelentes. Mesmo numa música que não gostei tanto, a letra é de alto nível.

Cleaning My Gun

Talvez esse seja o ponto alto do disco. Levada criativa e dinâmica na guitarra, letra de primeira e é bem mais animada que as outras músicas. Cleaning My Gun também foi a escolhida como música para promover o disco e me desculpem se estou errado mas me lembra algumas músicas do Dire Straits. Para concluir sobre a faixa, o solo de guitarra merece destaque.

The Car was the One

Instrumental bem trabalhado e letra consistente. A esse ponto do disco, fica claro que dificilmente Knopfler, com muitos anos na estrada, erra na mão. O jeito com que ele conduz a música é algo que poucos músicos sabem copiar. Nessa faixa, a guitarra solo parece se integrar perfeitamente nos intervalos do vocal. Simplesmente fantástico!

Remembrance Day

Alguns costumam reclamar de discos com muitas baladas. Fica difícil reclamar deste! Com tantas baladas, fica difícil escolher a melhor. Vale dizer, que em todas as baladas, Knopfler não trata de amor mas sim da nostalgia e saudade do passado. Nesse faixa isso fica mais claro ainda. Muitas vezes, artistas usam o formato de baladas românticas muitas vezes clichês para vender discos. Knopfler, utiliza o formato da balada não só porque combina com a temática mas também porque à medida que o tempo passa vemos um compositor não só mais maduro mas mais amargurado. É bonito ver a evolução do artista em músicas como essa.

Get Lucky

A faixa-título traz de volta a temática do jogo. Novamente, seja a parte instrumental seja o vocal e a letra parecem em total harmonia. Bela composição, sem mais.

So far from the Clyde

Guitarra inspirada no início e melhor letra do disco. Talvez fique com essa balada como a melhor do disco. A flauta dá as caras, menos presente, mas ainda sim muito boa.

Aproveito para dizer que em todas as faixas que participou, o flautista Michael McGoldrick mandou muito bem. E para terminar sobre essa faixa, o refrão é o mais marcante do disco também. Enfim, uma música de primeira. Reverências merecidas ao mestre Mark Knopfler.

Piper to the End

A faixa que concluí o álbum carrega todos os principais elementos que pontuam o novo trabalho do ex-frontman do Dire Straits. Flauta sempre marcante, instrumental encaixado perfeitamente, vocal amargurado, letra consistente. Já falei do flautista, aproveito para elogiar os músicos de apoio. Tirando Guy Fletcher, tecladista que acompanha Knopfler desde os tempos de Dire Straits, o resto dos músicos tocam a menos tempo com o músico inglês. Mesmo assim, todos merecem os comprimentos. Os tecladistas, o baterista, o baixista e a guitarra base não roubam a cena e esse não é o objetivo num trabalho solo mas estão consistente e profissionais durante todo o disco. Armam a base para que a estrela de Knopfler possa brilhar intensamente.

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