Mars Volta: novo trabalho nem chega perto de ser acústico

Resenha - Octahedron - Mars Volta

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Por Fábio Cavalcanti
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Apesar de ser uma banda relativamente nova, o The Mars Volta vem mostrando que seus integrantes são legítimos workaholics. Hoje em dia, o ato de lançar cinco álbuns de estúdio e um EP em menos de 10 anos de atividade é uma proeza, ainda mais quando os álbuns são longos, loucos, criativos, e carregados de um tipo diferente de virtuosismo - ainda que suas músicas não sejam recheadas de técnica, como muitos ouvintes equivocados acabam exigindo.

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E após trabalhos que certamente serão cultuados no futuro, o grupo lança "Octahedron" (2009), chamado pelos próprios integrantes de "projeto 'acústico'". Porém, mesmo levando em conta o esclarecimento da banda sobre este não ser exatamente um álbum acústico, podemos notar que seu novo trabalho nem chega perto de ser "acústico"! Tá certo que a balada de abertura "Since We've Been Wrong" é lenta, arrastada, melancólica e dá o tom do que seria um álbum mais acústico, mas, por outro lado, o rock "Teflon" mostra que a palavra da vez é "simplicidade". Peraí, então o The Mars Volta finalmente apostou em um som "normal"?

Qualquer pergunta a respeito do novo direcionamento da banda, pode ser respondida ainda na faixa "Halo of Nembutals", um rock um pouco mais alucinado... mas nem tanto! Controlando seus instintos mais bizarros, o vocalista Cedric Bixler-Zavala e sua trupe diminuem a dose de experimentalismos e de músicas realmente longas. A balada "With Twilight as My Guide" também é arrastada, e pode entediar o fã da sonoridade mais rocker dos álbuns "De-Loused in the Comatorium" (2003) e "The Bedlam in Goliath" (2008). Já os deliciosos rocks "Cotopaxi" e "Desperate Graves" trazem o melhor momento do álbum, nos fazendo lembrar que o The Mars Volta ainda é... The Mars Volta!

A melancólica "Copernicus" retoma a sonoridade mais lenta deste novo álbum, mas traz nuances eletrônicas que afastam de vez a palavra "acústico", citada anteriormente. E fechando muito bem o play, a semi-agitada "Luciforms" mostra que a banda não teve medo de dar um tempo nas suas "loucuras sonoras", seja nas letras ou no instrumental. Resultado final: uma track list bastante coesa e segura!

Temos aqui um álbum que poderá dividir fãs, ou que, no mínimo, será considerado por muitos como um dos trabalhos mais fracos do grupo. Mas, quem disse que bandas alternativas com tendências progressivas não podem explorar algo diferente de vez em quando? O irônico, no caso do The Mars Volta, é o fato de um álbum tão "simples", "básico" e "normal" como "Octahedron" trazer um conceito tão controverso e polêmico do que significa "diferente, ousado e imprevisível". Sim, este é mesmo o The Mars Volta!

Músicas:
1. Since We've Been Wrong
2. Teflon
3. Halo of Nembutals
4. With Twilight as My Guide
5. Cotopaxi
6. Desperate Graves
7. Copernicus
8. Luciforms




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Sobre Fábio Cavalcanti

Baiano, sempre morou em Salvador. Trabalha na área de Informática e ¨brinca¨ na bateria em momentos vagos, sem maiores pretensões. Além disso, procura conhecer novas - e antigas - bandas dos mais variados subgêneros do rock. Por fim, luta para divulgar, sempre que possível, o pouco conhecido cenário rocker da tão sofrida ¨Terra do Axé¨.

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