Enterro: calcado na cena escandinava dos anos 90
Resenha - Nunc Scio Tenebris Lux - Enterro
Por Glauco Silva
Postado em 05 de abril de 2009
Considerando a árida seara de criatividade que o black metal tem se tornado de uns tempos pra cá, devido à massificação que o estilo sofreu (natural em toda música em evidência: ocorre o inchaço, daí a estabilização com a sobrevivência dos mais fortes e relevantes), é com enorme satisfação que afirmo que as únicas bandas que me chamam a atenção nessa linha - já há um bom tempo - são as brasileiras, e do Rio vem a que ultimamente mais me agrada no estilo: o Enterro.

Apesar de conhecer a banda pessoalmente (no ano passado fizeram a abertura para o Vader, em Campinas, junto à minha banda) e o show deles ser uma experiência muito intensa, marcante, à primeira audição este debut não me animou muito… mas após uma audição mais atenta, dá pra sacar fácil que eles têm mais a oferecer do que o ouvinte desatento deixaria passar. Com um som mais calcado na cena escandinava dos anos 90, o quinteto adiciona também passagens a la Slayer antigo e Marduk que garantem a dose certa de brutalidade à sua musicalidade ríspida, gélida - e acima de tudo, tétrica até a alma.
Contando com músicos com muitos anos de estrada e um background variado (o vocal Nihil e o batera Perazzo eram do Mortus, os guitars Ozorium e Doneedah atendem por outros nomes no descontraído Matanza, e o baixista Kaffer é, entre outros, do monstruoso Darkest Hate Warfront), "Nunc Scio Tenebris Lux" é um trabalho coeso, maduro e que esbanja energia e seriedade - algo que o black precisa demais hoje em dia, ainda mais com os ataques constantes que tem sofrido após o polêmico episódio Gorgoroth. Não é a salvação do estilo, longe disso - e nem se prestam a esse papel, mas colocam a coisa em seus devidos trilhos de música perigosa em sua natureza inerente.
Com produção correta e balanceada, e arte gráfica (do cada dia mais requisitado Marcelo HVC, que já conta com vasto respaldo internacional) que prende a atenção, o trabalho tem tanta homogeneidade que fica difícil apontar um destaque em suas nove faixas. As variações rítmicas são absolutamente contagiantes, solos bem encaixados, Nihil se esgoelando com ódio e desespero como se o Armageddon chegasse daqui a pouco… com certeza este é um dos melhores lançamentos de 2008 que caiu em minhas mãos!
Apesar de manterem a promoção de sua arte de modo mais restrito, sugiro ao leitor manter o olho aberto nestes cariocas, porque eles ainda vão crescer - e acrescentar muito - na cena. Irrepreensível, cortante, as "trevas que vêm da luz" são aqui musicadas de modo a empolgar mesmo os que, eventualmente, vêm o metal negro apresentar sinais de esgotamento. Recomendado com toda veemência aos que acreditam e batalham pelo real black metal.
Faixas:
1. He Who Must be Killed [5:01]
2. War is my Answer [4:02]
3. The Funeral [5:51]
4. Nunc Scio Tenebris Lux [5:19]
5. This Land Shall Burn [4:34]
6. I Don't Need Your Sacrifice [5:00]
7. There's Nothing Divine [3:14]
8. In The Coffin [3:40]
9. The Meaning of Hate [4:45]
2008, independente (BR). Tempo total - 41:29
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A banda britânica que merecia o público devoto do Iron Maiden, segundo Regis Tadeu
Bangers Open Air anuncia primeiras atrações nacionais para a edição 2027
Summer Breeze vende todos os ingressos para a edição 2027 em tempo recorde
A icônica banda que Regis Tadeu não recomenda nenhum álbum sequer: "Todos horrorosos"
Gene Simmons volta a atacar os ex-colegas Peter Criss e Ace Frehley
O músico dos EUA que chorou antes do show do Sepultura, segundo Andreas Kisser
O álbum que talvez seja a definição mais perfeita do rock progressivo
O disco que tirou Duff McKagan do punk e o preparou para entrar no Guns N' Roses
A banda de metal que Slash colocou acima das demais e chamou de "obrigatória"
Os 59 anos de idade de Gene Hoglan, um dos maiores bateristas do heavy metal de todos os tempos
As 5 músicas mais subestimadas do Whitesnake, segundo a Loudwire
O cantor que fazia Robert Plant pensar em "jogar a toalha" de tão bom
O clássico dos Rolling Stones que Keith Richards ouviu e mandou apagar
Lars Ulrich relembra como foi o primeiro encontro do Metallica com o Iron Maiden
Kirk Hammett defende os piores discos: "uma discografia perfeita deixa as pessoas entediadas"
Alissa White-Gluz revela o segredo da sua relação amorosa muito bem sucedida com Doyle
A banda que o lendário Jimi Hendrix chamou de "maior de todos os tempos"
O significado de "somos do interior do milho" em "Uma Brasileira" dos Paralamas

Kinetic Orbital Strike despeja treze bombas punk/crust destruidoras
Ürütaü - Trabalho de estreia, qualidade de veteranos
A Magia Ancestral do Green Lung: O Impacto Monumental de "Woodland Rites"
Resenha - Skylab VI - Cadê Meu… Álbum?
Os 50 anos de "Journey To The Centre of The Earth", de Rick Wakeman
Guns N' Roses: o último grande álbum de rock feito a mão



