Bruce Springsteen: dos poucos que está sabendo envelhecer
Resenha - Working On a Dream - Bruce Springsteen
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collector's Room
Postado em 04 de abril de 2009
Nota: 8 ![]()
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Bruce Springsteen mantém a inspiração em alta em "Working On a Dream", seu décimo-sexto disco de estúdio. Depois do estupendo "Magic", lançado em 2007, The Boss mostra que os anos de estrada estão fazendo cada vez melhor. Bruce, que completará 60 anos no dia 23 de setembro, entrega um disco que entra, fácil, entre os melhores de sua longa carreira.
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Mais uma vez acompanhado pela ótima E Street Band - a saber, Roy Bittan no piano, órgão e acordeão; Clarence Clemos no saxofone; Danny Federici no órgão - para quem o trabalho é dedicado, já que Federici faleceu durante as gravações; Nils Lofgren na guitarra; Patti Scialfa nos vocais; Garry Tallent no baixo; o folclórico Steve Van Zandt na guitarra e Max Weinberg na bateria, além dos convidados especiais Soozie Tyrell (vocal e violino), Patrick Warren (órgão, piano e teclado) e Jason Federici (acordeão), Springsteen alterna momentos de otimismo e outros mais serenos em "Working On a Dream".
No primeiro grupo, temos a alegre "My Lucky Lady"; a ensolarada "Working On a Dream", que soa como uma trilha para a Era Obama nos Estados Unidos; e a pop song "What Love Can Do" - ótima. Mas é quando assume o posto de porta-voz da classe operária que Bruce alcança os melhores resultados - como sempre, aliás. "Queen of the Supermarket" é sensacional, "This Life" é melancólica na medida certa e o boogie contagiante do blues "Good Eye" é filho direto dos bares que percorrem toda a extensão da mitológica Route 66.
O Springsteen trovador do dia-a-dia, das situações do cotidiano, ganha destaque em "Working On a Dream". Se a canção que dá nome ao disco é a trilha de um novo país, "Tomorrow Never Knows" segura os pés dos sonhadores, como o próprio Bruce, no chão. "Surprise, Surprise" é outro grande momento, transparecendo esperança e acreditando em um novo amanhã.
Mas as duas grandes faixas do disco estão em seu início e em seu final. A épica "Outlaw Pete", com oito minutos, abre o play com a saga de um fora-da-lei que percorreu a América de costa a costa. Na melhor tradição de Bob Dylan, sua narrativa é apaixonante, repleta de detalhes, quase um conto. Cordas dão ainda mais dramaticidade à canção, que tem seu ponto forte no arrepiante e inesquecivel refrão: "I´m outlaw Pete, I´m outlaw Pete, can you hear me?". No outro oposto, "The Wrestler", que entra como bonus track, é a faixa vencedora do último Grammy Awards. Incluída na trilha do filme homônimo, é uma balada acústica onde a voz de Bruce, envelhecida pela idade, nos faz contemplar nossas vidas e nos perguntar porque queremos sempre mais.
"Working On a Dream" não tem a mesma força atordoante de "Magic", para mim uma verdadeira obra-prima, o que não quer dizer que não seja um ótimo disco. Como já disse no início dessa resenha, inscreve-se de maneira fácil entre os grandes álbuns da carreria de Bruce Springsteen, reafirmando que, ao lado de Paul McCartney, Bob Dylan e Neil Young, Bruce é um dos poucos que está sabendo como envelhecer, refletindo em seus trabalhos a experiência que a vida lhe proporcionou. É muito bom perceber, e principalmente, ouvir isso.
Faixas:
1. Outlaw Pete - 8:01
2. My Lucky Day - 4:01
3. Working on a Dream - 3:30
4. Queen of the Supermarket - 4:39
5. What Love Can Do - 2:57
6. This Life - 4:30
7. Good Eye - 3:01
8. Tomorrow Never Knows - 2:14
9. Life Itself - 4:00
10. Kingdom of Days - 3:24
11. Surprise, Surprise - 3:30
12. The Last Carnival - 3:51
13. The Wrestler - 3:47
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