Belle & Sebastian: sem tentar impressionar ou convencer
Resenha - Belle & Sebastian - Tigermilk
Por Sergio Godoy
Postado em 11 de outubro de 2008
Formado em 1996, o grupo escocês Belle & Sebastian não tinha grande pretensões. A princípio, a banda tinha como maior objetivo ajudar Stuart Murdoch - vocalista, guitarrista e tecladista - a concluir seu curso de produção musical. O resultado disso foi o belíssimo disco "Tigermilk". Lançado no mesmo ano e independentemente, pelo próprio selo Electric Honey Recordings, o álbum é considerado por muitos como um dos melhores do gênero indie-pop. O título é justo.

Influenciada pela simplicidade folk de Simon & Garfunkel e Bob Dylan e pela guitarra bem trabalhada de Johnny Marr, dos Smiths, os escoceses gravaram um trabalho que se destaca por sua honestidade. Nesse disco, a banda não tenta de nenhum modo impressionar ou convencer o ouvinte. Ela apenas o faz. O grupo apresenta com certa indiferença músicas curtas e quase faladas em sua maioria.
A primeira faixa, "The State I Am In", deixa bem claro as influências da banda do mesmo modo que já se encarrega de apresentar a temática irônica e intimista que será trabalhada ao longo do disco.
"Expectations" é quase que um hit. Tocada basicamente em dois acordes, é uma das mais famosas do grupo; participa da trilha sonora do filme "Juno".
"She's Losing It", delicada como a maior parte do disco, é um dos pontos altos desse álbum e possui um refrão que fica na cabeça por horas e horas.
A agitada e quase atrevida "You're Just a Baby", caracterizada pela base que chega a lembrar os Ramones, tem refrão arrastado e excelente arranjo, além de ter marcado a vida deste que vos escreve.
Estilosa, "Electronic Renaissance" é a "ovelha negra" do disco. Fortemente influenciada pelo synth-pop do New Order, a música provoca um choque no ouvinte não só por ser diferente do resto do disco, mas por pressionar através do ritmo e ser constantemente distorcida.
"I Could Be Dreaming", a mais longa do álbum, possui um tom reflexivo e se destaca por sua progressão: a música se inicia sutilmente, passa por um refrão um pouco mais agitado e termina com um toque noise-rock.
"We Rule the School" dispensa comentários. É uma das mais belas do Belle & Sebastian sem sombra de dúvida. Seu arranjo surpreende com a base no piano, solos de violoncelo e flauta, sendo esse último acompanhado pela bela hamornia da música tocada no teclado.
"My Wandering Days Are Over", que segue praticamente a mesma linha de "I Could Be Dreaming", é deliciosa. Mick Cooke dá um charme especial com seus solos de trompete.
Divertida, agitada e cheia de guitarras, "I Don't Love Anyone" é um dos melhores exemplos da sonoridade e temática da banda; fez parte da trilha sonora do filme "O Diabo Veste Prata".
"Mary Jo" fecha o disco com chave de ouro. Relaxante, a música é marcada pela progressão típica do Belle & Sebastian no refrão, sempre bem executado em várias vozes.
É um disco para se ouvir num domingo à tarde durante uma leitura ou para inspirar frases de MSN que vão mudar sua vida. "Tigermilk" e seu sucessor, o excelente "If You're Feeling Sinister", figuram facilmente entre os melhores discos dos anos 90. O grupo, que quase nunca faz shows e mal dá entrevistas, é sem dúvida uma das grandes influências para toda a leva indie-pop que surgiu depois da segunda metade da década passada. Toda a veneração em torno desses tímidos escoceses é, sim, válida.
Lista de músicas:
1 - "The State I Am In" - 4:57
2 - "Expectations" - 3:34
3 - "She's Losing It" - 2:22
4 - "You're Just A Baby" - 3:41
5 - "Electronic Renaissance" - 4:50
6 - "I Could Be Dreaming" - 5:56
7 - "We Rule The School" - 3:27
8 - "My Wandering Days Are Over" - 5:25
9 - "I Don't Love Anyone" - 3:56
10- "Mary Jo" - 3:29
Banda:
Stuart Murdoch - Vocais, Guitarra
Stuart David - Baixo
Isobel Campbell - Violoncelo
Chris Geddes - Teclados, piano
Richard Colburn - Bateria
Stevie Jackson - Guitarra
Mick Cooke - Trompete
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