Black Sabbath: fase injustiçada e renegada pelos fãs

Resenha - Cross Purposes - Black Sabbath

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Por André Toral
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Vamos falar um pouco sobre uma fase do Black Sabbath injustamente renegada pela maior parte dos fãs, a qual foi responsável por adicionar uma linha mais melódica que mesclava o hard e o heavy de forma única: a fase de Tony Martin. Mesmo que nada nos faça ao menos lembrar de “Vol.4”, “Sabotage”, “Heaven and Hell” e “Born Again”, com toda certeza nos apresenta pérolas indubitavelmente clássicas no mundo do metal como “The Eternal Idol”, “Tyr” e principalmente “Headless Cross”. Aliás, fase na qual “Cross Purposes” também despontaria com todas as suas qualidades inegáveis, mesmo que em um momento difícil e impróprio para seu lançamento.

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Talvez – eu disse talvez -, a melhor forma de analisar “Cross Purposes” seja desvencilhar-se do retorno frustrado da “era Dio”, a qual veio a conceber o estupendo e fabuloso álbum “Dehumanizer”, sem dúvidas um dos mais marcantes na década de 90.

Para refrescar um pouco mais as memórias, basta dizer que “Cross Purposes” foi o álbum que sucedeu o trágico fim da formação com Dio nos vocais, e que vinha fazendo um sucesso estrondoso pelo mundo em 1992.

Quem poderia imaginar que o retorno de Dio não duraria muito e que, felizmente ou infelizmente, os fãs teriam que receber novamente o Tony Martin nos vocais? Para muitos, inclusive, uma grande tragédia!

Para início de conversa, considero a presença de Geezer Butler no “Cross Purposes” o maior erro de sua vida. Mesmo reconhecendo que o álbum em si se beneficiou bastante tendo-o como baixista e compositor, como esta formação poderia conceber algo semelhante ou superior ao que foi “Dehumanizer”? Nesta hora é que alguns músicos acreditam ser a hora de “sair por cima”, ao invés de naufragarem – ainda bem que aqui não foi o caso.

O mais interessante em “Cross Purposes” é que o álbum apresenta alguns momentos que remetem ao início de carreira da banda, principalmente quando o assunto é um som mais arrastado como “Evil Eye”, a primeira parte de “Imaculate Deception” e “Virtual Death”. E com certeza, é um dos benefícios diretos da presença de Geezer, pois os álbuns anteriores com Tony Martin nos vocais remetiam muito pouco aos primórdios da banda, excetuando-se alguns momentos como “The Sabbath Stones” ("Tyr") e a música “Headless Cross”, cujo riff é digno de comparação com os melhores de Tony Iommi.

Com toda certeza, a presença de Tony Martin dá mais melodia às músicas, vide as linhas vocais estupendas que permeiam o álbum. Musicalmente falando, a grandeza do trabalho faz-se presente em músicas como “I Witness”, a qual reúne peso, rapidez e versatilidade aliados a um riff e refrão contagiantes. “Cross of Thorns”, em seguida, destaca-se de forma a assumir o posto de carro-chefe do álbum. Além de ter uma excelente letra, tratando sobre a guerra entre religiões na Irlanda, destaca-se pelo seu início lento e sombrio que se mescla de forma magistral com o peso em uma levada cadenciada regada por um refrão inesquecível. Sem dúvidas, um clássico. “Psycophobia” também é muito boa, apresentando peso e rapidez, onde Tony Martin chega a alcançar altas notas vocais.

Como já dito, “Cross Purposes” também traz algumas coisas bastante próximas ao início de carreira. A primeira parte de “Imaculate Deception” é um exemplo disso, sendo que o maior destaque fica para a sua segunda parte que é repleta de variações e melodias.

Outras duas da série “revival” são “Virtual Death” e “Evil Eye”. No entanto, embora ambas tenham um bom arranjo e instrumental, falta uma voz adequada para canções arrastadas. E aí Tony Martin deixou muito a desejar. É só verificar que o vocal dele se encaixa perfeitamente nas músicas dos álbuns “The Eternal Idol”, “Headless Cross” e “Tyr”, os quais não têm quase nada que remeta aos primórdios da banda. Não que seja culpa dele, e na verdade ninguém é culpado, mas é claro que as composições de Geezer jamais combinariam com a voz de Martin.

O material segue em diante e a não menos marcante “Back to Eden” é uma canção que vai crescendo à medida que é desvendada, apresentando um belo refrão. Não é extraordinária mas também não deixa por menos. Aliás, extraordinária mesmo é uma das canções menos comentadas deste álbum, talvez nunca tocada na turnê: “The Hand That Rocks The Cradle”. O que esta música acrescenta no álbum é grandeza em pleno estado! Fúria, peso e precisão absoluta nos arranjos e melodias. De quebra, riffs esplendorosos e vocais absurdamente bem colocados. Em suma, características típicas dos discos em que Tony Martin é o vocalista.

No final das contas, um bom álbum. Talvez arredondando sua nota para 8,0 conseguiríamos ser justos em sua avaliação. Na verdade, “Cross Purposes” jamais poderia competir com “Dehumanizer”, e nem ao menos com “Born Again” ou “Seventh Star”. Mas dentro da fase Tony Martin é realmente notável – há quem diga que é o melhor. Em âmbito geral, está muito à frente de “Technical Ecstasy”, “Never Say Die” e “Forbidden”. Méritos também para o restante da formação composta pelo excelente e enigmático Geoff Nicholls (Tecladista) e o ótimo Boby Rondinelly (Bateria).

É sabido que o álbum gerou uma extensa turnê pelo mundo. E que inclusive foi lançado um registro ao vivo (DVD e CD) chamado “Cross Purposes Live”; este sem dúvidas o menos importante de todos os anteriores. Ocorre que Tony Martin estava muito mal; dizem que encontrava-se doente e houveram rumores até mesmo sobre câncer. A sua voz realmente estava em frangalhos. Pior mesmo foi quando a banda veio ao “Philips Monsters of Rock” em 1994 (São Paulo) já com Bill Ward na bateria. A voz de Martin estava em estado terminal. E para quem não estava lá, basta dar uma conferida nos vídeos existentes no youtube.

Na verdade, sempre houve uma acalorada discussão sobre Tony Martin não passar de um vocalista de estúdio. Isso não é verdade absoluta, pois existem vários bootlegs e vídeos das tours de “The Eternal Idol”, “Headless Cross” e “Tyr” onde a voz dele está muito bem ao vivo e mantendo quase todos os alcances originais do seu vocal em estúdio, além de interpretar razoavelmente bem as músicas da era Dio. Por incrível que pareça, até mesmo nos bootlegs da tour do álbum “Forbidden” Tony Martin canta melhor que na “Cross Purposes Tour”.

Infelizmente, Martin se resente do fato de sua passagem duradoura pelo Sabbath ter sido quase que apagada da história da banda, o que é um ultraje. De fato a banda mudou bastante o seu som, mas ainda assim tivemos gente do cacife de Cozy Powel, Neil Murray e etc. Músicas como “Glory Ride”, “The Shinning”, “Headless Cross”, “Wheen Death Calls”, “Call of the Wild”, “Anno Mundi”, “Jerusalem”, “Odin’s Court/Valhalla”, “The Lawmaker”, “Cross of Thorns”, “The Hand Thath Rocks The Cradle”, “Forbidden” e “The Sabbath Stones” fazem parte de uma lista seleta de grandes clássicos que entraram para a história do Black Sabbath.

Se fosse necessário resumir em uma única palavra o que significou a fase Tony Martin, certamente seria: um timaço!

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Sobre André Toral

Formado em Administração de Empresas. Curte Hard clássico dos anos 70 e início dos 80; Heavy Metal é sua religião.

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