Eloy Fritsch: Prog dando mostras de sobrevivência
Resenha - Landscapes - Eloy Fritsch
Por Rodrigo Werneck
Postado em 02 de maio de 2008
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Um movimento quase que totalmente underground hoje em dia, em especial no Brasil, o rock progressivo dá no entanto mostras freqüêntes de sobrevivência, algo que só ocorre com estilos musicais onde há consistência, e que privilegiam a criatividade e a busca por novos horizontes sonoros. Este é o caso da banda gaúcha Apocalypse, e em específico do tecladista Eloy Fritsch, cujo mais recente disco solo acaba de ser lançado.

Em paralelo à sua carreira como tecladista e líder do Apocalypse, Eloy Fritsch desenvolve uma carreira solo mais voltada à música eletrônica e ao new age. Este "Landscape" é na verdade o seu sétimo disco solo, sendo que um oitavo já chegou às lojas, a coletânea "Past and Future Sounds 1996-2006". Entretanto, "Landscape" é o disco mais rock de Fritsch, e não nega as grandes influências de Rick Wakeman (Yes, Strawbs, David Bowie, solo), entre outras. Embora tenha sido gravado em 2003 e oficialmente saído em 2005, somente agora este disco chega às prateleiras, em virtude das dificuldades de se lançar CDs hoje em dia (problema agravado no caso de artistas de rock progressivo). Difícil de entender? Mais difícil ainda é compreender porque trabalhos tão cuidadosos, rebuscados e de bom gosto ficam restritos a um nicho deveras reduzido do mercado musical.
O disco foi inteiramente composto, arranjado, gravado e mixado por Eloy, que usou seu estúdio caseiro para tal, e o resultado é simplesmente ótimo. Alguns discos solo de tecladistas são um tanto quanto enfadonhos, sem "pegada", mas este não é o caso aqui. Eloy soube dosar de forma equânime a participação de todos os "instrumentos". Todas as baterias e percussões foram simuladas por seus sintetizadores, e felizmente os timbres obtidos foram muito bons. Há viradas de bateria, mudanças de andamento, ou seja, o disco em momento algum fica monótono. Há até – pasmem – solos de baixo bastante convincentes, nas faixas "Teleportation" e "Run Through The Light", bem como sonoridades de fretless em "Oasis".
Os principais teclados usados por Eloy no CD foram um digital, o Korg Triton Classic, e um analógico (e antológico), o Minimoog (especificamente um construído há 35 anos atrás, em 1973!). Com eles, consegue a proeza de tocar de tudo um pouco: piano, dezenas de sons de diferentes teclados, guitarras, baixos, percussões. Enfim, uma pequena "orquestra de bolso".
Voltando às influências, algumas composições lembram bastante as do tecladista grego Vangelis Papathanassiou, como "Andromeda", "Somewhere In Time" e "Top of The World". Ecos de Tangerine Dream e Larry Fast e o seu Synergy podem também ser encontrados. Ou seja, nada mais nada menos que o "crème de la crème" da música eletrônica. Isso não quer dizer, porém, que o disco seja uma mera cópia dos citados artistas, pois as composições, arranjos e a performance são de um nível altíssimo.
O disco agrada tanto a ouvintes "leigos" quanto a tecladistas, já que uma verdadeira aula na escolha de sons nos é proporcionada por Fritsch. "Science Fiction" apresenta aqueles tradicionais timbres espaciais e misteriosos de um Theremin, aqui simulados com perfeição pelo teclado Triton. Sons de "clavinet" podem ser ouvidos em "Run Through The Light", adicionando um bem-vindo e contagiante "groove". Já em "Escape", temos uma levada de guitarra distorcida bem convincente (tirada mais uma vez nos teclados) junto a uma batida à la "Another Brick In The Wall" (Pink Floyd), sobre o que o Minimoog sola majestoso.
A arte gráfica inclui ilustrações de Alexandre Bandeira, calcadas nas pinturas etéreas de Roger Dean, em mais uma velada referência a Rick Wakeman, incluindo peixes voadores, rochas flutuantes, e seres mitológicos. Talvez um pouco batidas, mas mesmo assim condizentes com o espírito e o tema central do álbum ("landscapes" significando as "paisagens sonoras" nesse caso).
Resumindo, um ótimo lançamento que chega a ser surpreendente. A qualidade do trabalho de Eloy Fritsch é conhecida no meio, e mais reconhecida lá fora do que aqui. Mas, sem ser pretensioso e não almejar vôos mais altos (comercialmente falando), o trabalho assim mesmo alcança altas pradarias sonoras. Altamente recomendável!
Tracklist:
1. Landscapes
2. Teleportation
3. Andromeda
4. Science Fiction
5. Somewhere In Time
6. Cartoon
7. Run Throught The Light
8. Oasis
9. Escape
10. Imaginary Voyage
11. Top of The World
Site: www.ef.mus.br
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Produtor de "Master of Puppets" afirma que nada acontecia no Metallica sem aval de Cliff Burton
Com brasileiros e lendas do rock, Eric Clapton anuncia cast do Crossroads Guitar Festival 2026
Aos 82 anos, Keith Richards conta como dribla limitações para seguir tocando
Angela Gossow rebate Kiko Loureiro: "Triste ler isso de alguém que respeitávamos"
O local caótico que inspirou a criação de um dos maiores clássicos do thrash metal
A brincadeira feita durante turnê que custou caro para membros de Anthrax e Slayer
A reação de James Hetfield ao ver Cliff Burton após o acidente que matou o baixista
A única situação em que Alírio Netto apagaria sua tatuagem do Shaman
Alissa White-Gluz reflete sobre ser injustiçada e simbologia do Blue Medusa
Veja a estreia da nova formação do Rush durante o Juno Awards 2026
O disco que define o metal, na opinião de Cristina Scabbia, do Lacuna Coil
O clássico do heavy metal dos anos 2000 que fala sobre um ditador
Guns N' Roses estreia músicas novas na abertura da turnê mundial; confira setlist
Steve Morse revela como Ritchie Blackmore reagiu à sua saída do Deep Purple
Kiko Loureiro mostra que música do Arch Enemy parece com a sua e Michael Amott responde
Veja curiosidades interessantes sobre o Iron Maiden
Padrinho de luxo: canal lista 5 bandas de hard rock que Bon Jovi deu "ajudinha" na carreira
A obra-prima do Deep Purple que Ritchie Blackmore disse que foi arruinada por Ian Gillan


Auri - A Magia Cinematográfica de "III - Candles & Beginnings"
Orbit Culture carrega orgulhoso a bandeira do metal moderno no bom "Death Above Life"
A todo o mundo, a todos meus amigos: Megadeth se despede com seu autointitulado disco
"Old Lions Still Roar", o único álbum solo de Phil Campbell
Sgt. Peppers: O mais importante disco da história?



