Manson: tentando recuperar o posto de demônio
Resenha - Eat Me, Drink Me - Marilyn Manson
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 21 de junho de 2007
Nota: 5 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Desde que pintou o retrato da família tipicamente estadunidense com seu espetáculo do mundo bizarro em 1994, misturando num caldeirão satânico o peso do heavy metal, as experimentações industriais do amigo Trent Reznor do Nine Inch Nails e a teatralidade de Alice Cooper e David Bowie, Marilyn Manson definitivamente tornou-se um chamariz. Os críticos se dividiram quanto a amar ou odiar o seu trabalho, assim como aconteceu com os fãs – mas o mesmo não valia para a tradicional família tipicamente estadunidense, que o detestava com todas as forças. Manson vestiu a camisa de "inimigo público número 1" e, com o polêmico e inovador "Antichrist Superstar" (1996), abriu o armário e deixou todos os monstros saírem. Mas então veio "Mechanical Animals" (1998), uma tentativa de transformar a figura de Manson em um alienígena andrógino a la Ziggy Stardust, desta vez com um som mais limpo e mais inspirado no glam rock. E as coisas nunca mais foram as mesmas.
Marilyn Manson - Mais Novidades

Aqueles que conheceram (e aprovaram) o artista em "Antichrist Superstar" não engoliram a tentativa, e o próprio Manson percebeu o erro e tentou retomar o aspecto sujo em "Holy Wood (In The Shadow of the Valley of Death)" (2000) e "The Golden Age of Grotesque" (2003), atirando-se de volta às sombras vampirescas das quais nunca deveria ter saído. O resultado foi até satisfatório, mas longe de qualquer comparação com o manifesto macabro do "Antichrist".
José Ricardo Peret | Gustavo Anunciação Lenza | Roberto Luis Pertsew | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Luis Alberto Braga Rodrigues | Reginaldo Manuel Soares de Faria | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Quatro anos depois de seu último disco de inéditas, ele está de volta com "Eat Me, Drink Me", ainda tentando recuperar o posto de grande demônio da América. Mas o único retrato que temos aqui é de um Manson comportado, quase domado e em determinados momentos até simpático, ainda perdido com relação ao seu papel no atual mundo do rock.
Se você passar incólume pela capa (com um Manson posado e todo bom moço, praticamente um cantor romântico se deixarmos de lado a palidez gótica de seu rosto), com certeza vai perceber que tem algo de errado já na primeira faixa, "If I Was Your Vampire". Ela é sombria, soturna, mezzo industrial, com vocais eletrônicos cantados com displicência por Manson, funcionando como uma espécie de canção genérica do cantor, que não tem nada de muito atrativo ou saboroso. Nada de novo. Mais do mesmo.
A fórmula se repete por todo o disco, cansativo e arrastado. Sem o peso de outrora, muito mais hard rock do que heavy metal, o homem que outrora apavorou as criancinhas da Terra do Tio Sam agora está em busca de personalidade. Em alguns momentos, navega por canções que mais se parecem com o Velvet Revolver ("They Said That Hell's Not Hot"), enquanto em outros momentos tenta soar como Audioslave ("Evidence") – mas sem as qualidades evidentes de um músico experimentado como Tom Morello para fazer este feijão dar um bom caldo. E o que dizer do primeiro single, "Heart-Shaped Glasses (When The Heart Guides The Hand)", faixa de levada pop absolutamente previsível e que poderia facilmente ter uma Avril Lavigne nos vocais caso a letra relatasse a sofrida perda de seu primeiro namoradinho? Terrível.
Até a balada hard "Just A Car Crash Away" acaba resultando previsível e óbvia demais para aquele Manson que não tinha medo de arriscar, que metia as caras, que inovava, que experimentava. "You And Me And The Devil Makes 3" e "The Red Carpet Grave" são apenas minimamente interessantes e têm lá seus barulhinhos e esquisitices, mas nada que consiga salvar o resultado final e fazer o ouvinte dizer "agora sim!".
"Eat Me, Drink Me" não deslancha, parece não sair do lugar, não evoluir. Todas as faixas, da primeira à última, se parecem demais, com Manson cantando preguiçosamente do mesmo jeito e com o mesmo maldito efeito na voz, aparentemente jogando naquela mesmíssima estratégia que já conhece. Falta aquela agressividade, aquela fúria que mostrava um Manson lutando contra o mundo. Onde estão os gritos, o ódio, todos aqueles demônios da sociedade sendo exorcizados? É um disco que não choca, que foge do bizarro que se tornou sua principal característica.
Nós ficamos aqui esperando, de coração, que a turnê conjunta com o Slayer faça bem para Manson, para que ele recupere a bem-vinda crueza de sua sonoridade anterior. E tem mais: num país com George W.Bush no comando, o anticristo vai ter que se esforçar muito para voltar ao primeiro lugar do panteão demoníaco...
Line-up:
Marilyn Manson – Vocal, Percussão
Tim Skold – Guitarra, Baixo, Teclado
Tracklist:
1. If I Was Your Vampire
2. Putting Holes In Happiness
3. The Red Carpet Grave
4. They Said That Hell's Not Hot
5. Just A Car Crash Away
6. Heart-Shaped Glasses (When The Heart Guides The Hand)
7. Evidence
8. Are You The Rabbit?
9. Mutilation Is The Sincere Form Of Flattery
10. You And Me And The Devil Makes 3
11. Eat Me, Drink Me
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Fabio Lione publica desabafo irônico que supostamente mira sua ex-banda, o Angra
Jairo Guedz sobre as regravações dos Cavalera: "A magia, para mim, está no original"
Dez guitarristas que David Gilmour, do Pink Floyd, elogiou ao longo dos anos
Jairo Guedz conta o que ouviu de Andreas Kisser sobre sua saída do Sepultura
Biohazard se apresentará no Brasil em fevereiro de 2027
A melhor cantora brasileira de metal na atualidade, segundo Ricardo Confessori
As músicas de "Mob Rules" que Geezer Butler coloca entre as melhores do Black Sabbath
Chuck Billy, do Testament, corta os cabelos compridos e mostra novo visual
Chuck Billy (Testament) lembra de quando tentou ser vocalista do Sepultura
As músicas que Steve Harris, do Iron Maiden, se recusava a ouvir no carro
Por que o Iron Maiden é tão venerado pelos seus fãs?
O que pode ter arruinado passagem de Dio pelo Black Sabbath, segundo Geezer Butler
Scott Ian considera AC/DC com Bon Scott "a melhor banda de todos os tempos"
Opeth fará uma longa pausa após turnê pela América Latina
Por que Steve Vai se recusava a copiar os solos de Eddie Van Halen nos shows de David Lee Roth
A canção da era Bon Scott que Brian Johnson adora cantar e que o AC/DC só tocou três vezes
Eddie Van Halen sobre Jimi Hendrix: "Nunca curti muito, nunca comprei um disco"
Vida de rockstar: sexo, drogas e mau comportamento

"Sou cristão": Billy Corgan explica o que o faz manter amizade com Marilyn Manson
Políticos britânicos se mobilizam para impedir show de Marilyn Manson em Wembley
Jim Root diz que não tem nada a ver com inclusão de Marilyn Manson em tour do Slipknot
O disco que "furou a bolha" do heavy metal e vendeu dezenas de milhões de cópias
