Fodata: identidade própria e muito bom gosto

Resenha - Carícia Para os Tímpanos Vol 2 - Fodata

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Por Maurício Dehò
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


O bom e velho Rock N’ Roll. Um tanto alternativo, mas resumindo, isto é o que se pode esperar deste EP dos paulistas do Fodata. Mas de um jeito muito, muito incomum e próprio. Apesar de a capa, com uma boneca bizarra remeter ao punk e ao hardcore, é o nome do CD que dá a pista correta do que se ouve (e também não se ouve!) ao apertar o play. Uma “Carícia para os Tímpanos” é uma ótima definição para “80’s”, faixa que abre o trabalho do quarteto formado por EZ (vocais), Pilin (guitarra), Porco (baixo) e Sid (bateria).
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O que se destaca na abertura é a simplicidade e o fato de ser uma música que pega o ouvinte não pelo peso e pela velocidade, mas justamente na beleza e melodia, com o comando do vocal de EZ. Engraçados também são os backing vocals, remetendo ao rock mais antigo. Aliás esta é a principal característica do Fodata, misturando um pouco de tudo (rock, pop, punk, metal...) em seu som e criando uma identidade própria e de muito bom gosto.

Depois da agradável primeira música, e como se fosse apenas para contrariar os cinco minutos iniciais, o que era carícia no ouvido vira um verdadeiro tapa na orelha. Ainda que contenha partes mais lentas, como em “80’s”, barulho e berros marcam “Down I’m Going Down”, um som difícil de se definir. A agressividade vem numa dose muito bem balanceada pela banda, com uma atitude voltada para o hardcore nesses pouco mais de dois minutos.

Em seguida, é a vez de “Between My Fingers”, onde parece que a banda se acha mais, ou resume melhor o seu som, por misturar a levada das duas primeiras faixas. Estão aí as belas passagens, os berros, os backing vocals com “uh-uh-uh” e tudo mais, numa composição muito boa. Encerrando o EP, “Dogman” é uma música que começa lenta e pega intensidade, mas não apresenta a qualidade das outras, e a quinta e última, “No Name”, traz um riff bem rock n’ roll, com paradinhas e linhas vocais bem marcantes. A música também é uma das mais doidas do disco, com as maluquices de EZ.

Precisa ter um pouco de mente aberta, mas para quem quer um rock com pitadas variadas (muito variadas, aliás, de Beatles a Queens of the Stone Age, passando por muitas outras bandas) e ainda não conhece, vale a pena dar uma escutada no trabalho do Fodata, que está disponível para download gratuito e que ainda tem a seu lado o fator da produção ser bem conduzida por eles e Henrique “Baboom”. Para quem já tinha se aventurado no EP Vol. 1, “As Únicas Fotos Sinceras São As De Natureza Morta”, também vale a pena “perder” estes 23 minutos, que mostram uma grande evolução do quarteto.

Formação:
EZ (Élcio Cruz) – vocal e barulhos(!)
Pilin (Christian Pereira) – guitarra
Porco (Danilo Sá) – baixo
Sid (Sid Gambarini) – bateria

Track List (23’36”):
1. 80’s
2. Down I’m Going Down
3. Between My Fingers
4. Dogman
5. No Name

Lançamento Collision Records 2006

Site oficial: www.fodata.com.br

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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