Resenha - Dark Ages - Soulfly
Por Bruno Sanchez
Postado em 29 de julho de 2006
Nota: 9 ![]()
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O tempo realmente é algo cruel, dá pra acreditar que há uma década Max Cavalera saia do Sepultura e fundava o Soulfly? Eu ainda me lembro da "bomba" e sua repercussão como se tivesse acabado de assistir ao Fúria Metal dos bons tempos, onde a notícia foi dada com exclusividade, mas caramba, lá se vão 10 anos.
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Nesse tempo muita coisa aconteceu, mas existe um fator que salta aos olhos prontamente: como o Soulfly evoluiu! O primeiro álbum, lançado em 1998, era bem comum, ainda uma ressaca do Sepultura, mas os caras foram crescendo, aprimorando o som, buscando a própria identidade e Max finalmente apresenta um trabalho que faz jus à sua carreira. Dark Ages é um dos melhores álbuns de Metal lançados nos últimos anos e ponto.
Para quem nunca ouviu, é difícil descrever o som, mas vamos dizer que é algo bem pesado, um ‘Thrash Metal’ com viagens psicodélicas e abruptas, sem precedentes. No começo de carreira, Max enchia as músicas com aquelas batucadas ‘Roots’ que assustavam os fãs (e faziam a alegria do Carlinhos Brown), mas agora ele deixou essa percussão brasuca de lado e investiu em algo com um pé no ‘Thrash’ e outro na inovação, mesclando o peso com passagens mais calmas, atmosféricas, enfim, só ouvindo para entender.
Os antigos fãs com certeza se perguntam se, em algum momento, o som da banda lembra o velho Sepultura e a resposta é o famigerado "mais ou menos". Lógico que o vocal gutural se faz presente em todos os momentos e vamos dizer que a faixa de abertura, ‘Babylon’, é Sepultura puro, poderia constar facilmente no ‘Chaos A.D.’, com a mesma levada e o mesmo estilo da banda que consagrou Max, mas as referências param por aí. Ok, é verdade que quando vemos uma música chamada ‘Arise Again’, fica difícil não relacionar com o clássico álbum dos mineiros lançado há 15 anos, talvez uma cutucada indireta do primogênito aos velhos companheiros.
De qualquer forma, voltando ao som do Soulfly, quando ele segue o caminho do ‘Thrash’, é muito mais na linha do que o Exodus e algumas bandas européias andam fazendo do que o quase Death de tempos atrás.
Todas as faixas são igualmente legais, a única que destoa um pouco é a bobinha ‘Molotov’, com a participação de Billy Milano e Paul Fillipenko. Honestamente, Max já passou da fase de encher uma música com palavrões para parecer um cara bacana, soa mais como uma brincadeira no meio de tantas composições bem construídas e, por isso, o álbum não ganhou a nota máxima.
Por falar em participações especiais, além das já citadas, temos também Dave Ellefson (ex-Megadeth), Nemanja "Coyote" Kojic e Ritchie Cavalera, enteado de Max que arrisca seus berros.
Para complementar, temos a última faixa, ‘Soulfly V’. Já é uma tradição na carreira da banda fechar o álbum com uma composição instrumental mas aqui Max Cavalera se superou. Não temos apenas algo belíssimo mas é simplesmente a melhor música instrumental que ouvi em muitos anos, com um ritmo mais calmo, bem viajante, aquela música perfeita para você chegar na sua casa após um árduo dia de trabalho e dar uma relaxada com a patroa.
‘Dark Ages’ é um álbum a beira da perfeição, que agrada tanto os antigos fãs do Sepultura quanto uma molecada mais nova que está tendo seus primeiros contatos com o mundo do Metal pesado.
Tracks:
1. The Dark Ages
2. Babylon
3. I And I
4. Carved Inside
5. Arise Again
6. Molotov
7. Frontlines
8. Innerspirit
9. Corrosion Creeps
10. Riotstarter
11. Bleak
12. (The) March
13. Fuel The Hate
14. Stay Strong
15. Soulfly V
Outras resenhas de Dark Ages - Soulfly
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