Resenha - Live At Pompeii - Versão do Diretor

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Cleyton Lutz
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Em 1971, o Pink Floyd passava por um momento de transição. Após a saída de Syd Barrett, o quarteto foi aos poucos abandonando a veia psicodélica e caminhando em direção ao progressivo, gênero que se tornaria popular em 1973 graças ao clássico The Dark Side of The Moon. Entre esse meio tempo – o surgimento da banda, marcada pela psicodelia e a popularização do progressivo – se encontra o show do quarteto gravado em Pompéia e que pode ser visto no DVD “Live at Pompeii - Versão do Diretor”.
5000 acessosPink Floyd: a banda sustentou a família da atriz Naomi Watts5000 acessosGosto Musical: artistas falam do que devia ser banido para sempre

Gravado nas ruínas da cidade de Pompéia – cidade localizada no sul da Itália e destruída pela erupção do vulcão Vesúvio no ano 79 D. C. – o show sintetiza bem o som praticado pela banda no início dos anos 70. Além da qualidade musical é importante destacar o cenário escolhido. A cidade deserta e cheia de paisagens naturais cria combinação que torna o DVD mais que um show, tratando-se de um verdadeiro documento do rock progressivo. O concerto gravado traz ainda outro mérito, a idéia do diretor Adrian Maben de produzir um filme Anti-Woodstock – explicada por ele em uma entrevista extra que aparece como bônus – com a banda executando as músicas sem qualquer tipo de platéia, contando apenas com o apoio da equipe técnica. Em uma época marcada por shows com grandes platéias, o Pink Floyd inovou mais uma vez.

A apresentação começa com a primeira parte da belíssima “Echoes” (do álbum Meddle de 1971), marcada pelo dueto de vocais de Richard Wright e David Gilmour, e pela atmosfera espacial que toma conta da música. Em seguida vem “Careful With That Axe Eugene” (lançada inicialmente como single e que também aparece na parte ao vivo do álbum Ummagumma, 1969). Apesar da qualidade melódica, a música passa praticamente despercebida. A terceira canção é “A Saucerful Of Secrets” (do álbum homônimo, lançado em 1968). A música – uma das mais surpreendentes e enigmáticas da banda – é reproduzida criando uma atmosfera que exprime bem a intenção do progressivo: muita experimentação – criando uma viagem musical sem se importar com o tempo ou lugar onde se pode parar, mudanças de ritmo – que vão tornando o destino da música incerto, mas também muita riqueza melódica, principalmente em sua última fase. A respeito dessa música ainda, é interessante notar o vigor do baterista Nick Mason. A música seguinte é “One Of These Days” (também de Meddle). Mais uma vez o batera é destaque em um som que se caracteriza por ser “pesado” e “viajante” ao mesmo tempo. Outro detalhe curioso é a edição feita por Maben dividindo a tela em pequenos quadros. Depois surge a surreal Mademoiselle Nobs (nunca lançada em um disco oficial da banda). Com um cão uivando no microfone, Gilmour na gaita e Waters no violão, a música mostra que o potencial criativo do quarteto não tinha limite. Com “Set The Controls For the Heart Of The Sun” (de A Saucerful Of Secrets, 1968) a banda dá amostras de seu experimentalismo ao produzir uma música com fortes influências orientais. Aqui mais uma vez aparece a mão do diretor ao alternar a exibição da música com imagens de pinturas espalhadas pela cidade. O vídeo se encerra com a segunda parte de “Echoes”. O show é enriquecido por mais uma “sacada” de Maben, ao ilustrar a música com uma animação computadorizada de como a erupção do vulcão acabou com Pompéia, traçando uma relação entre o fim do show e a destruição da cidade.

Além da idéia original de realizar um concerto sem público, utilizar um cenário singular e recheado de belas paisagens naturais, a nova versão conta com outro triunfo: a utilização de imagens inéditas e animações em 3D que não entraram no vídeo original. O DVD traz imagens do trabalho produtivo de algumas músicas de The Dark Side Of The Moon. É possível ver, por exemplo, Roger Waters manipulando o sintetizador dando forma a “On The Run”, Rick Wright executando um trecho de “Us And Them” em seu piano ou ainda David Gilmour gravando takes de “Brain Damage”. A versão também se destaca por trazer entrevistas e imagens dos bastidores da gravação. É interessante observar a passagem em que o baterista Nick Mason destaca que o que os unia era a busca por dinheiro e fama, sem dúvida um dos combustíveis da banda e que também provocaria o rompimento entre Waters e os outros integrantes. Além disso, o DVD ainda apresenta novas animações que contribuem para aumentar a atmosfera espacial do vídeo.

Sem dúvida, algo de outro planeta.

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Pink FloydPink Floyd
A banda sustentou a família da atriz Naomi Watts

539 acessosRoger Waters: confira o vídeo de "Wait for Her"4295 acessosNando Moura: Pink Floyd - esquerdistas???1291 acessosRoger Waters: organização judaica acusa músico de ser antissemita0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Pink Floyd"

Música FácilMúsica Fácil
Três bateras excelentes que você subestima

Pink FloydPink Floyd
...muito além das palavras...

Antes da bandaAntes da banda
Existia um Pink como também existia um Floyd

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Pink Floyd"

Gosto MusicalGosto Musical
Artistas falam do que devia ser banido para sempre

Fotos de InfânciaFotos de Infância
Lemmy, do Motorhead, muito antes da fama

HumorHumor
Os dez maiores picaretas da música internacional

5000 acessosMeet & Greet: Como os roqueiros de verdade se comportam5000 acessosPink Floyd: a história por trás de "Animals"5000 acessosPunk Rock: os 25 melhores discos segundo o site IGN5000 acessosHair Metal: As 100 melhores bandas do gênero (Parte 1)4574 acessosLita Ford: fugindo de Jim Gillette, sem falar com Sharon5000 acessosDerek Riggs: no início Eddie não tinha nada a ver com Metal

Sobre Cleyton Lutz

Estudante de Jornalismo, mora em Guarapuava, PR. Adora escrever sobre futebol e rock 'n' roll. Sobre música, adora o Hardão Setentista (Grand Funk, Uriah Heep, Deep Purple, Led Zeppelin) e o progressivo (Yes, Jethro Tull, Focus). Para música acha que nasceu pelo menos uns 30 anos atrasado. Das bandas atuais gosta de White Stripes, Wolfmother e Hellacopters. Mas sua paixão é o som trascendental do Pink Floyd. Os seus grandes sonhos são ver ao vivo uma reunião dos quatro novamente, como ocorreu no Live 8, além de comprar uma moto com a primeiro dinheiro que ganhar com o jornalismo.

Mais matérias de Cleyton Lutz no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online