Resenha - Battle - Allen Lande

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Por Bruno Coelho
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Nota: 10


Abrir a boca para falar sobre grandes vocalistas da atualidade e não ter Russel Allen e Jörn Lande na ponta da língua é querer passar por idiota! Bom... isso depende, obviamente, do nível da conversa. Os mais escolados no meio Hard / Heavy não deixariam de citar os dois, estou certo. O fato é que tanto o americano quanto o norueguês já marcaram a primeira década deste novo milênio com classe, competência, técnica e apuro musical.

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Não posso deixar de ressaltar o frio na espinha ao saber que estes dois estariam gravando um disco juntos. A reação imediata foi algo entre: "Mas que mentira!" e "Puta que pariu!". Hoje minha reação não varia mais. A cada novo verso ou refrão cantado a boca não mais é aberta para externar os pensamentos; ela apenas rasga o rosto na horizontal, formando um imenso sorriso de satisfação completa. "The Battle" é o disco mais marcante de Hard / AOR do ano (ou da década) até agora, vez por outra fazendo par com o excelente "Lost In The Translation" de Jeff Scott Soto e, em diversos momentos, deixando-o muito para trás.

O que há de mais curioso no projeto é que ele na verdade não nasceu da vontade de Allen ou Lande. Foi o pouco conhecido Magnus Karlsson (Last Tribe e Starbreaker) que compôs todas as faixas, todas as linhas melódicas, e então convidou os dois vocalistas para gravarem-no. Sabemos então que, a princípio, o disco não passa de um "trabalho" envolvendo os dois vocalistas. "The Battle" não é mais que um disco composto sem que os dois vocalistas sentassem e colocassem suas influências na mesa, debatessem temas e trocassem idéias. Foi apenas um convite aceito, um trocado a mais, um meio de trocar de carro ou reformar a casa. "The Battle" não é filho ou fruto da genialidade destes dois... ou é? Podemos afirmar que... também!

O disco todo é recheado de performances extremamente emocionais, encharcado do estilo único de cada um, logo não há como dizer que os dois não contribuíram para o resultado final. Obviamente nenhum dos dois está realmente em batalha para conseguir a coroa de melhor vocalista, muito menos a de melhor arranjador. Nenhum dos dois chegou ao topo de suas vozes e aplicou as técnicas mais apuradas que possuem, utilizando toda sua extensão ou alcance vocais. Mas tudo, tudo, TUDO transpira o mais profundo bom gosto em suas vocalizações. O disco é rachado meio a meio: três músicas com os vocais de Allen, três com os de Lande e seis com os dois juntos. E é justamente quando os dois estão juntos que o álbum apresenta seu maior fulgor.

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Em "The Battle" o foco são as vozes e não o virtuosismo da banda. Não que os músicos não façam um trabalho competente. Longe disso! Magnus Karlsson tem muita categoria em seus solos e riffs e a bateria de Jaime Salazar é corretíssima. Mas, para quem gosta muito de Symphony X, a experiência pode ser um tanto diferente do que é ouvir os ábuns da banda. Já quem conhece os trabalhos de Lande terá em "The Battle" uma experiência auditiva pela qual já passou algumas vezes - seja em sua carreira solo, seja em projetos como Vagabond e Millenium. Não há muito neste trabalho que seja comparável ao trabalho de Lande com o ARK, por exemplo, e pouco que nos remete ao Masterplan.

Mas, atenção! Não pensem que "The Battle" é apenas um disco de grandes vocalizações. O que parece ter pesado mais foi justamente o gênio de Karlsson ao reunir um número tão estonteante de bons riffs, bons solos e refrãos incrivelmente GRUDENTOS! Este é um caso raro de disco que passa tão agradavelmente que você consegue escutá-lo por horas e horas enquanto faz qualquer outra coisa. É impressionante como praticamente qualquer canção do álbum merece ser música de trabalho / single.

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Para encerrar a resenha poderia listar os destaques, mas, como já disse, o número de músicas boas é anormal. Caso queiram ter uma mostra do quão bem Allen está no disco, ouça a já divulgada "Hunter's Night". Quer começar por um dos refrãos mais pegajosos da carreira de Lande até hoje? Tente "My Own Way Home". Quer uma mostra do que os dois são capazes juntos? Tente a irretocável "Wish For A Miracle" e tente não ficar viciado de primeira. Ah! Você quer começar pelas baladas? Tudo bem, temos duas no álbum... Tente "Reach For A Miracle" para uma emocionante perfomance de Lande ou "The Forgotten Ones" para um encontro entre os dois que já vale o disco todo!

Esse é "The Battle", caros leitores whiplashianos. Um disco que, caso não arranque seus maiores e mais honestos elogios, no mínimo será peça de valor inestimável em sua coleção. Afinal, enquanto Halford e Dickinson, Anselmo e Araya, Kotipelto e Kiske ou Coverdale e Dio, não se reunirem para gravar um disco juntos, nenhum outro encontro de vocalistas será tão viciante e merecedor de seu suado dinheirinho.

Só pra constar: se fosse uma batalha de verdade, quem ganharia seria o tal do Karlsson, que gravou com os melhores vocalistas da nova geração. Será que ele consegue reunir Dio e Coverdale da próxima vez? Que tal Tom S. Englund e Daniel Gildenlöw? André Matos e Edu Falaschi?

Que foi? Forcei?

Tracklist
Another Battle (Jorn Lande) (Russell Allen)
Hunters Night (Russell Allen)
Wish For A Miracle (Jorn Lande) (Russell Allen)
Reach A Little Longer (Jorn Lande)
Come Alive (Jorn Lande) (Russell Allen)
Truth Of Our Time (Jorn Lande) (Russell Allen)
My Own Way (Jorn Lande)
Ask You Anyway (Russell Allen)
Silent Rage (Jorn Lande) (Russell Allen)
Where Have The Angels Gone (Jorn Lande)
Universe Of Light (Russell Allen)
The Forgotten Ones (Jorn Lande) (Russell Allen)




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Sobre Bruno Coelho

Bruno Coelho é Arquiteto, escritor, poeta, produtor de eventos, pai, tradutor, intérprete e professor de inglês. Morou em cinco capitais brasileiras e hoje dedica-se ao árduo labor de organizar eventos na capital maranhense de São Luís. Fã do Dream Theater, Tool, Symphony X, Pain of Salvation e Evergrey, encontra espaço pra novas bandas e vertentes sempre.

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