Resenha - A Ghost Is Born - Wilco
Por Ricardo Seelig
Postado em 11 de maio de 2005
Nota: 8 ![]()
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"A Ghost Is Born", novo álbum da banda americana Wilco, acaba de ser lançado no Brasil. O disco saiu no primeiro semestre de 2004 em todo o mundo, e foi destaque em diversas listas de melhores do ano na imprensa internacional.
Quinto álbum do bando liderado por Jeff Tweedy, "A Ghost Is Born" é o sucessor do excelente "Yankee Hotel Foxtrot", de 2002, desde já um dos grandes discos desta década.

Antes de analisarmos o CD, vale lembrar que este é o primeiro álbum do grupo sem o guitarrista e tecladista Jay Bennet, que teve papel fundamental na construção da sonoridade da banda.
Com Bennet no grupo o Wilco lançou apenas dois álbuns, ambos excelentes. O primeiro, "Summerteeth", saiu em 99, e pode ser considerado como uma introdução para o que viria a seguir. Contando com excelentes músicas como a bela "She's A Jar", "Shot In The Arm", "I'm Always In Love", "ELT" e obra-prima "How To Fight Loneliness", o álbum deu início a uma das parcerias mais produtivas dos últimos anos e reafirmou o Wilco como banda fundamental do chamado alt.country, papel conquistado pelo grupo com o seminal "Being There", de 1996.

Mas foi com o álbum seguinte que Jeff Tweedy e Jay Bennet mostraram o seu poder de fogo. "Yankee Hotel Foxtrot" respinga criatividade e ousadia por todos os cantos. Uma verdadeira coleção de pequenas jóias pop, onde se destacam "Jesus etc", "War On War", "Kamera". "I'm The Man Who Loves You" e "Heavy Metal Drummer", YHF foi um divisor de águas na carreira do Wilco. Todo mundo já conhece a história, mas vamos relembrá-la mesmo assim: a gravadora recusou o álbum, que foi lançado de forma independente em todo o mundo, alcançando mais de um milhão de cópias vendidas.
Mas todo este processo quase acabou com o Wilco. O baterista Ken Coomer saiu durante as gravações de YHF, e o guitarrista e tecladista Jay Bennet deixou a banda após o lançamento do álbum.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Tudo isso para dizer que, sem Bennet, o líder Jeff Tweedy ficou livre para experimentar, ainda mais, todas as suas loucuras. O que se ouve em "A Ghost Is Born" é uma fúria criativa maravilhosa, mas que, em diversos momentos, parece perdida sem o direcionamento dado por Bennet.
O álbum abre com "At Least That's What You Said", que parece saída dos primeiros álbuns do mestre Neil Young. A canção é constituída basicamente de uma pequena introdução sussurrada por Tweedy, seguida de longos minutos de solos de guitarra furiosos, um tapa no ouvido de qualquer fã de rock. Essa é uma das melhores faixas do disco.
Em seguida, Tweedy mergulha dentro de suas loucuras. "Hell Is Chrome" é uma boa canção, mas longe do que o Wilco já fez. "Spiders (Kidsmoke)" tem um andamento repetitivo e lembra trilha de videogame. "Muzzle Of Bees" parece que vai recolocar o álbum nos trilhos e nos remete a grandes momentos acústicos do rock, como o terceiro disco do Led Zeppelin.

E lá pela metade do CD chega a obra-prima de "A Ghost Is Born. "Hummingbird" é uma balada doce e inocente, de uma leveza que eu pensei que não encontraria novamente em um álbum da banda. Belíssima.
Continuando o seu caminho, "A Ghost Is Born" nos entrega uma seqüência de altos e baixos (a acima da média "Company In My Back", que parece saída das sessões de "Summerteeth", a boa "I'm a Wheel" e as modorrentas "Handshake Drugs", "Wishful Thinking", "Less Than You Think" e "Late Greats").
Bem no seu final, "A Ghost Is Born" ainda nos reserva uma grande surpresa, com a deliciosa "Theologians", pérola pop que mostra que, mesmo que errando o alvo algumas vezes, Jeff Tweedy e sua banda ainda tem fôlego para nos entregar pequenas jóias que unem o rock e o pop como ninguém.

Além da música, vale destacar a belíssima edição brasileira do álbum, com direito a luva protetora na embalagem e um longo encarte, que realçam ainda mais a bela arte gráfica, totalmente minimalista.
Enfim, esperava-se mais do Wilco após um álbum tão bom como "Yankee Hotel Foxtrot", mas "A Ghost Is Born" vale a pena, e muito. O que nos resta é encará-lo como um álbum de transição com quatro ou cinco excelentes canções, e esperar pelo próxima disco, que terá papel fundamental na carreira da banda.
Faixas:
1. At Least That's What You Said
2. Hell Is Chrome
3. Spiders (Kidsmoke)
4. Muzzle Of Bees
5. Hummingbird
6. Handshake Drugs
7. Wishful Thinking
8. Company In My Back
9. I'm A Wheel
10. Theologians
11. Less Than You Think
12. Late Greats

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