Resenha - From the Muddy Banks of the Wishkah - Nirvana

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Por Maurício de Almeida (Maquinário)
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Este não é o primeiro disco póstumo do Nirvana. Lançado em Novembro de 1994, o "Unplugged in New York" foi o primeiro registro da banda lançado após a morte de Kurt Cobain em Abril do mesmo ano. Mas não é surpresa para ninguém que assim como este disco, muitos outros chegarão ao público, e a caixa “With the Lights Out” não me deixa mentir. Já foi comprovado com pessoas como Elvis ou Lennon que a rentabilidade aumenta muito mais após o falecimento do membro mais saliente da banda, e que o status de ídolo fica quase inabalável e, principalmente, intocável. Então, nada melhor do que lançar discos com vendas garantidas. É só colocar o nome do elemento ali, algumas músicas conhecidas uma ou duas inéditas ou regravações ou sobras de estúdio e temos um ótimo negócio, pois lançamentos assim não vendem apenas o disco lançado, mas toda a discografia do artista ou da banda da qual fez parte. Exemplos? “Elvis 30 #1 Hits” , John Lennon Accoustic, e o próprio Nirvana com a coletânea que tinha como chamativo a inédita "You Know Your Right".
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Assim, ao nos depararmos não apenas com "From the Muddy Banks of the Wishkah", mas com qualquer outro lançamento póstumo, é importante ter em mente que pode ser uma armadilha, e que nós, frágeis fãs, somos presas fáceis. Quem não resistiu e comprou este disco do Nirvana entende o que quero dizer. A concepção do trabalho começa pelo título. Uma tradução aproximada seria "das margens lamacentas de Wishkah", sendo que "Whishkah" é um rio que passa por Abeerden, cidade natal de Cobain. Ou seja, o disco em mãos nos levará do passado lamacento da banda até o mar aberto no qual chegou. Se navegar é preciso, este disco é um exemplo de como vencer as tormentas da industria fonográfica, saindo do então inconstante underground para adentrar as águas aparentemente calmas do mainstream. E se esta é a proposição do disco, ele cumpre com o que é prometido. Todavia, qualquer um poderia fazer o trajeto da banda sem a necessidade de um disco especificamente para isso. Bastaria colocar "Bleach" para rodar e só sair do quarto após a última nota de "Where did you sleep last night", do Unplugged. Por isso, pelo menos uma recompensa por encarar o trajeto do disco deveríamos ganhar.

Entretanto, o prêmio é mínimo. "From the muddy..." é, em poucas linhas, um apanhado de canções ao vivo já conhecidas da banda. Seguindo a proposição do título, há "Intro", "Polly" e "Breed" de 1989. Ou seja, vamos mesmo das origens da banda até seus dias finais, mas pelo caminho mais seguro. Para gravadora, é claro. De início podemos até acreditar que teremos grandes surpresas pela frente, pois o disco começa com uma passagem de som cheia de gritos e distorções, mas dura pouco mais de cinqüenta segundos e só. À partir daí nos deparamos com músicas mais do que conhecidas, e mesmo nestas versões ao vivo elas não fogem muito da original. "Lithium", "School" e até "Smells Like Teen Spirit" entram nesta primeira parte do disco, para (ingrata) surpresa daqueles que sabem o pé no saco que se tornou "Smells like..." após várias e várias repetições diárias quando do lançamento de Nevermind. Para não dizer que esta é uma opinião pessoal, sugiro que assistam o vídeo "Live, Tonight, Sold Out", onde o próprio Cobain se nega a tocar a canção, ou a brincadeira que ele faz no famoso programa britânico "Top of the tops", cantando-a como se cantasse ópera. Mesmo a banda estava de saco cheio de "Smells Like...".

A segunda parte do disco começa com algo animador. A nona faixa do disco é a oficialmente inédita "Spank Thru", uma velha composição de Cobain que perdurou toda a carreira da banda. É uma daquelas músicas que mesmo não estando entre as melhores, seu compositor tem grande apego por ela. Distorcida ao melhor estilo Nirvana, com certeza agradou muitos fãs que não a conheciam, visto sua presença em alguns poucos "bootlegs", numa versão não tão pesada quanto a que consta neste disco, gravada em Roma, durante a turnê de Nevermind. Ânimo restabelecido para uma seqüência "In Utero" de "Scentless Apprentice", "Heart-Sharped Box" e "Milk it". Boas músicas de estúdios nem sempre são boas músicas ao vivo, mas dado como "In Utero" veio ao mundo, não haveria maneira destas canções saírem ruins numa apresentação ao público. Elas preparam bem os ouvidos para "Negative Creep", uma das mais pesadas da discografia da banda.

Quase no fim há mais uma surpresa ainda. A famosa "Polly" voz e violão de Nevermind, que também já foi ao extremo oposto em "Incesticide" com guitarras e baterias em altíssima velocidade, ganha aqui um meio termo. A gravação foi feita em 1989, com Chad Channing na bateria, e surpreende ao mostrar que uma simples música pode ter variações, e que apesar das mudanças, mantêm sua idéia original. Na seqüência estão "Breed" e a porrada "Tourette's" até que "Blew" começa a tocar. "Blew" foi o primeiro single do Nirvana lançado pela Sub Pop, e dependendo da vendagem, a banda assinaria ou não um contrato com a gravadora. Voltamos, então, ao início. O ciclo se encerra. O disco também. Uma viagem pouco emocionante, é verdade, mas válida. Se a preguiça apertar, ouça este "From the Muddy Banks of Whishkah" e navegue por este rio chamado Nirvana. Se não, há pelo menos cinco bons discos para acompanhar de perto os cincos anos de expedições musicas lideradas pela banda de Seatlle.

Boa viagem.

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