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Resenha - Exposures: In Retrospect and Denial - Dark Tranquillity

Por Bruno Coelho
Postado em 21 de dezembro de 2004

Nota: 9

Poucas são as bandas que me satisfazem auditivamente com a completude dos suecos do Dark Tranquillity. Ao longo de seis álbuns de estúdio, exatamente como é descrita no encarte deste petardo, a banda definiu fronteiras, redesenhou-as e atingiu o status de banda mais influente na cena de Gotemburgo. A mistura de Heavy Metal e Death, que agora convencionou-se chamar Death Metal Melódico, ou Gothemburg Sound, ou ainda New Wave of Swedish Death Metal (NWoSDM), é de proporções exatas, como se fossem sempre medidas com um conta-gotas ou com uma colher de chá. Peso e melodia, velocidade e cadência, técnica e feeling, fúria e melancolia, tudo perfeitamente colocado em uma panela funda, resultando em um prato cheio para satisfazer qualquer headbanger que se preze.

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Em "Exposures: In Retrospect and Denial", o Dark Tranqullity presenteia seus fãs com faixas inéditas, deixadas de fora de seus principais discos, faixas raras tiradas de suas demos e faixas ao vivo (o mesmo repertório do espetacular DVD "Live Damage"). É adequado dizer que, apesar de conter faixas raras/refugos de estúdio, o primeiro dos dois CDs que vêm nesta embalagem é digno de figurar entre os melhores álbuns de Death Metal Melódico já produzidos por bandas de Gotemburgo. Uma compilação de diversos momentos e caminhos pelos quais o Dark Tranquillity passou, uma mostra da criatividade da banda e de seu compromisso, acima de tudo, com os sentimentos dos músicos que compuseram a banda ao longo deste 15 anos. A fase em que a banda viveu ao gravar "Projector" e "Haven" pode ser um tanto quanto diferente do que vemos no espetacular "Damage Done" (um dos primeiros discos que resenhei para a Whiplash!), mas é justamente esta a fase que mostra o quanto o Dark Tranquility evitou fazer o que seus clones todos faziam. Uma mostra de personalidade e perseverança.

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Importante ressaltar que vamos escutar neste primeiro disco a voz de Anders Fridén, hoje vocalista do In Flames, que fez parte do time Dark Tranquillity de 1989 a 1993, em algumas faixas, o que acaba fazendo do disco uma bela peça de colecionador para fãs de ambas as bandas. Mas é realmente a voz do atual capitão, Mikael Stanne que imprime a personalidade que a banda precisava para tornar-se incomparável, sem par.

Como de costume, as cinco primeiras faixas do disco são irrepreensíveis: melódicas, pesadas e emocionantes. Riffs destilados com o bom-gosto de músicos que respiram Heavy Metal há décadas surgem a cada minuto de audição, o que faz o ouvinte ter certeza que, mesmo sendo esta uma mostra do que foi excluído dos ábuns da banda, tudo que envolve o nome destes suecos é da mais alta qualidade. "Static", "The Poison Well", "In Sight", "Misery In Me" e "Cornered" rasgam largos sorrisos na cara de quem quer que curta a banda, ao mesmo tempo que marcam um ponto de interrogação em nossas testas - "Porque diabos estas faixas não foram incluídas nos outros discos?" - Ora, caro amigo, porque as que foram incluídas eram ainda melhores! É realmente ultrajante não ter escutado uma faixa tão boa quanto "Exposure" em 1998, na época do lançamento de "Projector", mas pelo menos ela está destruindo seu pescoço agora!

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No segundo disco desta coletânea, produzido pelo brother e renomado Fredrik Nordström do Fredman Studios, faixas ao vivo (como já havia anunciado) gravadas em Krakow, Polônia. Quem já viu o DVD sabe o quão poderosa foi aquela apresentação e o quão entrosada a banda é no palco. Parte das faixas são do álbum "Damage Done" e muitas das outras dos discos mais recentes, como os já citados "Projector" e "Haven". É certo que alguém vai sentir falta de uma falta ou outra (cadê "Scythe, Rage and Roses"?), mas qualquer um que escute a violência de "Punish My Haven" (linda, linda!), "Lethe", "Zodijiackyl Light" e "Final Resistance" (minha Nossa Senhora, que faixa!) ou ainda a melancolia de "Undo Control", "Hours Passed in Exile", "Hedon" e "Indifferent Suns", não pode deixar de sentir o mais profundo respeito por uma banda tão seminal para a cena Sueca e mundial do estilo.

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O que mais posso dizer? Necessário? Histórico? Indispensável? Clássico? Não, não... Apenas uma coletânea dos momentos mais importantes de uma das mais importantes bandas de um dos mais importantes estilos deste nosso planeta azul que respira metal. Imperdível? Bom, eu não ia me perdoar se não tivesse esse disco aqui.

Agora, com licença que vai começar "The Treason Wall" e, com a cabeça dando chicotada na espinha, não tem como escrever!

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Sobre Bruno Coelho

Bruno Coelho é Arquiteto, escritor, poeta, produtor de eventos, pai, tradutor, intérprete e professor de inglês. Morou em cinco capitais brasileiras e hoje dedica-se ao árduo labor de organizar eventos na capital maranhense de São Luís. Fã do Dream Theater, Tool, Symphony X, Pain of Salvation e Evergrey, encontra espaço pra novas bandas e vertentes sempre.
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