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Resenha - Soundtrack To Your Escape - In Flames

Por Bruno Coelho
Em 14/04/04

Nota: 6

"É uma pena..."

Decepcionante. Nada mais pode definir esse disco do In Flames. Preparem-se pois esse será um longo review e a lenha vai descer na testa da mais renomada banda de Gotemburgo - Suécia. Não é que o disco seja ruim, mas é o pior disco da história da banda, apesar de muito mais pesado que o Reroute To Remain. Vejam bem, não é ruim demais! Se fosse ruim demais a nota era 5...4...3... Mas a nota foi 6 porque o disco tem qualidades. É rápido, é agressivo, é bem mixado, tem momentos interessantes... Mas está muito aquém do que já vimos o In Flames fazer.

Eu achava que o Reroute to Remain havia sido uma quase pisada na bola, mas este Soundtrack To Your Escape é de entristecer qualquer fã de Death Melódico - um chute de cara pro gol que saiu pela lateral. O mais escroto de tudo é que todo mundo acertou um gol de placa nos últimos discos: Dark Tranquility, Soilwork, Arch Enemy, Children Of Bodom... Recentemente resenhei o Slaughter Of The Soul do At The Gates, que, lançado em 1995, foi seminal para a cena e é tido até hoje como "milestone" do estilo. A disparidade entre os estilos deste álbum agora resenhado e o Slaughter Of The Soul é medonha. Escutar "isto aqui" nos deixa na beira de um abismo para onde o In Flames só pode descer devagar ou despencar de vez, pois a subida de volta para solo seguro no cenário é praticamente impossível. Meu Deus! Quem conhece Korn vai reconhecer 30 passagens idênticas aqui. O final de Dead Alone é tão Korn do disco Follow The Leader que só um louco pode não admitir. Os caras copiaram o que até o Korn já deixou de fazer cinco anos atrás! PÔ!

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Porque todo esse alvoroço? Bom, porque a produção fudeu tudo, pra começo de conversa. Apesar de ter várias qualidades, várias mesmo, não é esse som que esperamos que o In Flames tire do estúdio. Bateria hiper trigada, com a caixa tão seca que parece até sem esteira, seguindo a nova moda lançada por Bob Rock no último Metallica. Guitarra com exageros no ganho aqui ou sem ganho algum ali, baixo sumiiiiido... Só o vocal salvou-se e ainda sim com ressalvas. Culpa de quem? DANIEL BERGSTRAND de novo, meus amigos! Ele! O mesmo cagão responsável pelo Reroute To Remain! Eu posso parecer puxa-saco do Frederik Nordstrom, mas tenho certeza que um álbum desses nunca teria soado tão vergonhoso se tivesse passado pelo Studio Fredman, onde o In Flames gravou seus maiores sucessos! Podiam ainda ter usado o Peter do Hipocrisy para produzir! O Charlie Bauerfeind! Mas não... Levaram esporro por causa da produção passada e insistiram nessa!

A pobreza dos riffs espanta! As belíssimas incursões de fraseados hiper melódicos do Bjorn DESAPARECERAM! Simplesmente SUMIRAM! Tá bom, estou sendo injusto, ainda estão aqui e acolá, mais sem o brilho de um Colony, sem a aura de um Clayman! Agora nota-se meia tonelada de grooves quase pula-pula e bases de guitarra dobradas (sem a "leading" na linha de frente da melodia, como de costume no In Flames). Não esquecendo os momentos semi-industriais com vocais sussurados no melhor estilo Fred Durst... Fudeu, meu irmão, fudeu! Tecladinhos estranhos em My Sweet Shadow... argh! Aliás MUITO sintetizador comandando as linhas melódicas das músicas! QUE PORRA É ESSA? LINKIN PARK? LINKIN FLAMES? FLAMES BIZKIT? Vou até parafrasear Tarcísio Meira aqui: "Mas que diabos" é essa Evil In A Closet? A faixa fica decente com quase dois minutos passados! É o John do Korn cantando Borders of Shading? É ele??? Só pode ser! A própria The Quiet Place que é a faixa de trabalho, repito, a faixa de trabalho, aquela que dá a cara do som da banda para quem ainda não a conhece, tem o vocal limpo chupaaaaaado do Korn...

Comparar o passo e a distância entre Reroute To Remain e Soundtrack To Your Escape é quase suicídio. Reconhece-se a banda claramente e este álbum é o sucessor claro de Reroute to Remain - repetindo o que não prestava no disco e aumentado 10 vezes o que era ridículo naquelas "14 faixas de loucura consciente". Um suicídio maior é tentar ver o In Flames do Whoracle aqui. Cadê a fúria desenfreada e claramente calcada no death tradicional? Cadê o estilosíssimo som de teclado Hammond de Colony? CADÊ????? Só esses ridículos e insistentes sintetizadores "mamãe quero ser o futuro do metal pesado"!

Hora de registrar onde é que a coisa faria sentido se tivesse sido feita de outra forma...

1 - O Fear Factory fez um lance metal do futuro em seu Obsolete que ficou brilhante, mas foi o úncio capaz de fazê-lo até hoje!

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2 - O Dark Tranquility teve uma passagem interessante com muitos teclados atmosféricos em seu Projector, mas como a crítica desceu o pau sem pena os caras acordaram e lançaram, por último, o simplesmente fabuloso e irrepreensível Damage Done - com discretíssimos sintetizadores.

3 - Depois do Burning Bridges o Arch Enemy achou que podia arredar o pé da melodia e lançou o Wages Of Sin com riffs bem menos melódicos e refrões longe de ser pegajosos. Quase se lascaram. O Anthems of Rebellion responde a quem achou que a coisa podia desandar.

4 - Parece que eu tenho ódio de teclado... de jeito nenhum! Só não achem que é aquele teclado estilo Janne Warman (Children Of Bodom) porque não é mesmo! É sintetizador tipo techno meu irmão! E quem é o tecladista do In Flames? NINGUÉM! Coisa de quem? DANIEL BERGSTRAND, só pode!

Tenho certeza mais que absoluta que existem também milhares de pessoas que vão achar tudo isso que eu disse ridículo. Algumas revistas nacionais, por sua óbvia obrigação de ajudar as gravadoras que nelas anunciam, devem bater palmas para o disco! E tem gente que vai bater palma junto com elas porque perdeu a personalidade! O que a revistinha disse é que é o que vale! Imagina se alguém vai esculhambar um In Flames? Carro chefe da Nuclear Blast? Nunca! Mas eu vou esperar estas resenhas... pode ser que esteja enganado.

Vejam bem: que a evolução musical de uma banda é natural e querer que músicos continuem a repetir fórmulas só os leva à estaticidade criativa e ao tédio total. CONCORDO! Mas, se para você, meu jovem, evolução é um disco com 2 músicas a coisa fica complicada demais! Digo duas músicas porque metade das 14 se parece entre si e a outra metade também. Algo como pegarmos da faixa 1 a 7 e não conseguirmos ver muita diferença entre elas e da 8 à 14 o mesmo ser notado. Ou seja, como se já não bastassem os elementos New Metal do álbum, os caras me fazem um monte de faixa entediante! Não há evolução em despencar em termos de qualidade de riffs. Não há evolução em imitar Korn, Linkin Park, Limp Bizkit, Kornin Bizkit, Limpin Park (e outras porcarias mais) até nos vocais. Não há evolução em dobrar guitarras bases e deixar a linha melódica principal para um sintetizador modernoso! Não há evolução em nada disso! ISSO É INVOLUçÃO! O prefixo é totalmente diferente!

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Death Metal para tocar em rádio! Pra entrar em programinha descolado de rock da MTV! Pra satisfazer fã de New Metal! Pra ganhar fanzoca histérica! Escute Dead Alone! ESCUTE! Me diga o que é isso se não é INvolução! E My Sweet Shadow? PUTZ! NEW METAL, negão! E de baixa qualidade! Agora a gente para e analisa uma banda que tinha o genial Andreas Marschall desenhando as capas e de repente não usa mais o cara. Ou seja, nada mais de monstros na capa. A capa deste novo albúm é simpática mas não é nem de perto violenta como a do Colony ou do Whoracle. A banda abandonou o símbolo em forma de estrela usado na capa do Tokyo Showdown. O logo da banda está totalmente clean. O visual dos caras mudou: agora eles usam gorro e barba grossa como os caras do Deftones. O som mudou também para algo mais moderno... TUDO, mas TUDO mesmo indica a mudança de orientação do marketing da banda. Aí vem alguém dizer que a banda é a mesma e apenas evoluiu... Conta outra, porra! Os caras querem mais mercado!

No final das contas temos que ressaltar os bons momentos do álbum:

#1 - F(r)iend consegue enganar. É direta, vocais mais guturais, mas mostra-se pobre quando se avalia criatividade. Quase feia, apesar de violentíssima.

#2 - The Quiet Place, o primeiro single, e seu videoclip são bons e conseguem grudar alguma coisa na cabeça. Soa exatamente como a melhor faixa que um Korn da vida poderia ter escrito.

#4 - Touch Of Red tem um refrão que quase vai, mas fica! Típica faixa que sobrou do Reroute to Remain.

#8 - Uma luz em In Search For 1! A melhor do álbum junto com The Quiet Place.

#10 - O último momento do disco que não se resume a gritaria sem sentido sobre riffs pobres e sem graça - Superhero of The Computer Rage - se salva por lembrar, lá de longe, um pouco do Lunar Strain em algumas passagens. As outras 9 faixas não citadas são pra quem está a fim de se esforçar ao máximo para encontrar qualidades no disco, porque não transparecem nada de imediato.

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-"Devo comprar, amigo TED?"

- COMPRE IMEDIATAMENTE! Importante marco do fim da carreira da melhor banda de Death Melódico da década de 90(pelo menos para mim) e a que menos representa o estilo agora. Importante marco do quão estúpido um produtor pode ser ao descaracterizar tanto uma banda e de uma banda por deixar um produtor fazer isso com sua música (se é que a culpa é do produtor mesmo). Importante marco de como não se deve nem escutar o que não presta (NEW METAL) sob pena de acabar achando o que não presta legal e sendo influenciado. Importante marco da decepção que sua banda favorita pode lhe causar.

É uma pena... putz! Uma baita pena! Espero que vendam muito bem nos EUA porque no resto do mundo só com muuuuito marketing! Ou será que eles vão enganar a gente com esse papo de evolução musical? Eu não caio nessa meu irmão. Vê se alguém do Arch Enemy entrou nessa...

Merda... pelo menos o Metallica demorou mais para desandar!


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Sobre Bruno Coelho

Bruno Coelho é Arquiteto, escritor, poeta, produtor de eventos, pai, tradutor, intérprete e professor de inglês. Morou em cinco capitais brasileiras e hoje dedica-se ao árduo labor de organizar eventos na capital maranhense de São Luís. Fã do Dream Theater, Tool, Symphony X, Pain of Salvation e Evergrey, encontra espaço pra novas bandas e vertentes sempre.

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