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Resenha - Power to Believe - King Crimson

Por Guilherme Vignini
Em 13/05/03

Nota: 9

O King Crimson está de volta finalmente. Um dos guitarristas mais geniais e "outsider" do mundo do Rock, Robert Fripp, mostra que continua em plena forma.

O King Crimson, nos seus 34 anos de existência passou por diversas formações e fases bem distintas, sempre fazendo um som próprio e bem distinto, que talvez por não se enquadrar em nenhum modelo pré-definido é em geral considerado Rock Progressivo. Independente do rótulo, já passaram por lá nomes como Greg Lake, John Wetton, Bill Brufford, Tony Levin e vários outros músicos de qualidade inegável. Gravaram álbuns sensacionais que vão desde a estréia com "In the Court of Crimson King" até "Red", "Dicipline", "Beat" ou "Three of Perfect Pair" que consolidaram seu marco na história do rock.

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Pra variar nova mudança na formação, pois Bill Brufford decidiu se dedicar mais ao Jazz (como vimos em sua recente passagem ao Brasil) e Tony Levin aos seus compromissos como músico de apoio (atualmente na mega turnê de Peter Gabriel). Sendo assim a antiga formação "double-trio" dançou, e além de Robert Fripp ficaram os remanescentes Adrian Belew (guitarra, vocais), Trey Gunn (baixos) and Pat Mastelotto (bateria). Se a banda perdeu dois membros importantes, por outro lado esse álbum me soou mais coeso, e menos disperso do que por exemplo algumas coisas do "B'Boom", e "THRaKaTTak". O próprio Fripp admite que o fato de ter dois grandes músicos em cada instrumento as vezes tornava o trabalho meio "preguiçoso" já que sempre tinha alguém "para dar cobertura", agora cada músico tem que se dedicar mais ao seu instrumento.

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Precedendo esse "The Power to Believe" foram lançados dois EP’s com algumas faixas e idéias a serem aproveitadas, e esse álbum não decepcionará os diversos apreciadores da banda. Após uma introdução de "The Power to Believe I: A Capella", "Level Five" uma instrumental com a marca registrada do King Crimson, com um riff pesadíssimo e solos dissonantes. "Eyes Eye Open" com a voz inconfundível de Belew nos remete diretamente á fase do "Three of Perfect Pair / Beat", é uma balada belíssima, onde a sutileza das guitarras é o destaque. Por outro lado "Elektrik" é uma instrumental bastante calçada no ótimo trabalho de Gunn / Mastelotto, lembrando a fase "Vroom".

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Já "Facts of Life" mostra um King Crimson contemporâneo com o que está rolando por aí. Se o TOOL gravasse essa música ninguém estranharia, por exemplo. O trabalho das guitarras é perfeito e a voz de Belew dá um toque especial á música. Para quem gosta de improvisação o negócio é com "The Power to Believe II". Fripp diz que a gravação dessa música foi pura jam. "Dangerous Curves" a seguir é (pra variar) uma música bastante estranha e tensa, começa com uma discrição impressionante para se tornar um som bem didtinto.

Um dos melhores momentos do cd é "Happy With What You Have To Be Happy With". É o mesmo KC, mas novamente renovado, boa letra, guitarras pesadas e uma roupagem moderna. Só essa música já vale o álbum. "The Power to Believe III" e "The Power to Believe IV: Coda" encerram o cd, retornando ao tema principal com várias improvisações.

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O King Crimson é uma banda bastante hermética. É muito complicado agradar a todos, o som é totalmente anticonvencional e totalmente fora dos padrões. Mesmo após 34 anos eles não pararam no tempo e continuam produzindo boa música, então se você gosta da música deles, pode ir atrás desse cd sem susto, pois é tranqüilamente um dos melhores lançamentos do ano.

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