Resenha - We're a Happy Family; A Tribute to Ramones - Ramones

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Por Rafael Carnovale
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Nota: 8


"Nunca diga não para um cara que tem Zombie no nome". Com esta frase Stephen King (um dos mestres do suspense) começa seus comentários sobre o tão aguardado tributo aos pais do Punk (junto com Iggy Pop e Stooges e uma pá de bandas), que foi adiado pelo menos quatro vezes devido a mudanças no "cast". Mas Mr. Rob Zombie se mostra um cara paciente e perseverante e com a ajuda de Johnny Ramone consegue reunir um grupo estelar de artistas para prestar uma homenagem a uma das bandas mais legais da face da Terra. (Vai dizer que você nunca ouviu Ramones na vida???).

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Este tributo pode ser divido em duas partes: as bandas que mantiveram fidelidade as músicas originais (com resultados de legal a bom, porque uma música do Ramones é sempre legal.... se você não curte tudo bem) e os que deram uma nova roupagem aos clássicos ramônicos (algo que não seria tecnicamente possível).

No primeiro grupo podemos destacar o Kiss, que fez uma versão fiel a "Do You Remember Rock and Roll Radio?", por sinal, a música mais indicada para a banda que cultua o rock and roll. Paul e Gene dividem os vocais e auxiliados por Eric Singer na bateria e Derek Sherinian no teclado, o resultado ficou bem interessante, no clima festivo (será que eles tocarão a música ao vivo algum dia?). Outros bons resultados podem ser ouvidos com U2 ("Beat on the Brat" - os vocais de Bono ficaram muito legais), Garbage (com "I Just Wanna Have Something to Do"), Green Day (com uma versão bem fiel de "Outsider") e os conhecidos fãs Rancid (com a matadora "Sheena is a Punk Rocker" - que arregaço!) e Offspring (que acertou em cheio ao escolher "I Wanna Be Sedated").

Mas nem tudo são flores. O Metallica não se achou em "53rd and 3rd" (principalmente nos vocais de James Hetfield) e Eddie Veder e a banda Zeke simplesmente copiaram descaradamente "I Believe em Miracles" e "Daytime Dilemma (Dangers of Love)". Não ficou ruim, mas faltou um toque de personalidade, que todos os outros direta ou indiretamente impuseram em suas versões.

No segundo grupo o grande destaque fica para Rob Zombie, que transformou o clásssico dos clássicos "Blitzkreig Bop" num heavy pesadão, descaracterizando a música mas com um resultado muito interessante e o Red Hot Chilli Peppers, que transformou "Havana Affair" (executada nos shows do grupo por aqui) numa semi-balada, que poderia estar em um de seus cd's facilmente. Marylin Manson quis fazer o mesmo que Rob Zombie, mas se deu mal com "The KKK took my baby Away"(o título da música tem tudo a ver com ele). A música ficou num pé sem cabeça, típico de Manson, mas sem qualidade.

O resto do tributo não fede nem cheira. Tom Waits só faz burocratizar "Return of Jack and Judy" (que levada cansativa - semi country?), The Pretenders transforma "Something to Believe In" num rock lento e cansativo e "Here Today, Gone Tomorrow" ficou apenas legal na voz de Rooney. Após a última música, vem uma surpresa... mas eu se fosse você não perderia tempo escutando John Frusciante (Red Hot Chilli Peppers) destruindo "Today Your Love, Tomorrow the World" com uma levada sem graça e um vocal totalmente desafinado.

Este tributo como todo tem altos e baixos, afinal, fazer versões de músicas do Ramones é algo complicado, pois se elas já são clássicos na interpretação original, como tentar fazer algo parecido? A química para tal se foi com Joey e Dee Dee.... e só nos resta aplaudir aqueles que acreditam no legado deste quarteto e que sinceramente procuraram homenagear, sem interesses financeiros. Vale conferir.

Lançado no Brasil em 2003 pela Columbia Records.

Site oficial da banda: http://www.officialramones.com




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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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