Resenha - Epic - Boknagar
Por Sílvio Costa
Postado em 26 de agosto de 2004
Nota: 9 ![]()
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O sucesso alcançado pelo heavy metal classudo do Borknagar se deve, em grande parte, à sua capacidade incrível de executar um som repleto de variações, que tem conseguido alcançar os fãs dentro de diversas vertentes do rock pesado. Neste novo álbum as coisas não são diferentes. Partindo da linha mais clássica - típica das bandas de metal melódico que pipocam na cena européia desde o final da década passada — desembocando no black metal sinfônico que foi meio que o responsável pelo ressurgimento do estilo nos últimos oito ou dez anos, o Borknagar consegue construir sua identidade em cima de estilos quase antagônicos e talvez seja essa a maior razão de o grupo ser um sucesso entre os headbangers europeus.

Com muitas mudanças no line-up desde o último álbum, o centro das atenções do grupo norueguês continua sendo o talentosíssimo vocalista Andreas Hedlund, que todos conhecem como Vintersorg. Ele impressiona ao alternar tantos estilos diferentes de cantar, muitas vezes na mesma faixa, indo do cavernoso ao épico com uma facilidade incrível. Nada parece tirar o brilho de composições geniais, como é o caso da poderosa faixa de abertura – "Future Reminiscence" – dentre muitas outras, como a intrincadíssima "Traveller", que tem o requinte de apresentar um interlúdio acústico em que Vintersorg simplesmente arrasa. Outro grande destaque individual é o baterista Asgeir Mickelson, que não bastassem a execução de passagens intrincadas com muitíssima classe e os blast beats enfurecidos (ouça a fantástica "Ressonance" e comprove) ainda se mostrou um baixista muito habilidoso, já que foi obrigado a gravar o instrumento depois da debandada de Tyr.
Os temas continuam complexos e, muitas vezes, exigindo atenção extra por parte do ouvinte para captar detalhes que passam despercebidos numa audição despreocupada. A presença discreta do órgão Hammond (cortesia de Lars Nedland, ex-membro do Carpathian Forest) e os timbres muito bem escolhidos da guitarra de Øystein G. Brun tornam faixas como "Relate (Dialogue)" e "Cyclus" ainda mais interessantes. As passagens mais bonitas deste disco, entretanto, estão na instrumental "The Weight of Wind".
Interessante, inovador, mas sem perder a essência. Assim pode ser resumido o novo trabalho do Borknagar. Embora as comparações com o já clássico Empiricism (2002) sejam quase inevitáveis e quase sempre favoráveis ao lançamento anterior, Epic é um excelente trabalho, que irá, sem a menor dúvida, agradar tanto aqueles que adoram um trabalho repleto de passagens intrincadas, quando os músicos fazem aquela bela automassagem no ego, quanto quem curte um som mais direto, rápido e pesado. E tudo isso está presente em Epic.
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