Megadeth: um resumo da obra criada pela formação clássica da banda
Por Mateus Ribeiro
Postado em 02 de dezembro de 2019
Existem inúmeras formações de bandas que deixaram o seu legado no mundo do rock/metal. É impossível negar o tamanho da relevância do Sabbath na fase Ozzy, ou do Maiden nos cinco primeiros discos lançados com Bruce Dickinson nos vocais, por exemplo.
Outro "time" que merece muito respeito e admiração é o que acompanhou Dave Mustaine no Megadeth entre os anos de 1990 e 1997: David Ellefson no baixo, além do guitarrista Marty Friedman e do baterista Nick Menza. Esses quatro cidadãos são responsáveis por uma das formações mais criativas e prolíficas da historia do heavy/thrash metal. Na verdade David Ellefson já estava na banda desde o início, logo, Friedman e Menza eram as "peças" que faltavam para o Megadeth se encaixar e lançar os melhores discos de sua carreira.
Logo de cara, em 1990, é lançada a maior obra do Megadeth e um dos melhores discos de thrash metal, o excelente "Rust In Peace". Um início de caminhada perfeito, repleto de virtuose, velocidade e precisão. Músicas como "Holy Wars... The Punishment Due", "Hangar 18" (e seus ONZE solos de guitarra), "Five Magics" e "Tornado Of Souls" colocaram o Megadeth em outro patamar, em meio aos gigantes do metal.
Em 1992, outro grande álbum, "Countdown To Extinction". A banda tira um pouco o pé do acelerador e investe muito mais na melodia e no feeling do que no peso. O nível das composições se manteve muito alto, e mesmo com um som mais acessível, temas como a (maravilhosa) faixa-título, "This Was My Life" e "Foreclosure Of A Dream". Porém, há espaço para temas mais pesados e rápidos, como "Skin O´ My Teeth", "Psychotron", "Ashes In Your Mouth" e um dos maiores clássicos da banda, "Symphony Of Destruction".
Dois anos depois, em 1994, apesar de um clima turbulento, nasce outro disco maravilhoso, que recebeu o nome de "Youthanasia". A sonoridade mais cadenciada continua dando o tom e a melodia está presente em praticamente todas as músicas do disco, até nas mais agressivas. Além do destaque óbvio para "A Tout Le Monde", que é uma das mais belas (e tristes) baladas do metal, a faixa-título, a raivosa "Reckoning Day", a caótica "Train Of Consequences", a reflexiva "Addicted To Chaos" e "Family Tree" tornam "Youthanasia" um dos trabalhos mais emblemáticos dos anos 1990.
Após uma trinca impecável, o Megadeth deu algumas derrapadas em "Cryptic Writings", lançado em 1997. Longe de ser um trabalho ruim, mas por outro lado, não tem nem um pouco do brilho dos três anteriores. Além da falta de brilhantismo, as tendências mais comerciais deixaram o som da banda um pouco menos encorpado. De qualquer forma, músicas como "Trust", "Almost Honest", "Use The Man", "I´ll Get Even" e "She-Wolf" garantem uma boa nota para o trabalho.
Infelizmente, tudo que é bom, um dia acaba. E a formação clássica do grupo se encerrou após Nick Menza ser demitido. A verdade é que os fãs sentem falta do carisma, presença de palco e do talento de Marty Friedman e Nick.
É óbvio que Dave Mustaine não colocaria nenhum zé mané para tocar no Megadeth, porém, mesmo com músicos de MUITO talento e bons discos lançados, o Megadeth nunca mais conseguiu emplacar um clássico de respeito. Longe de qualquer tipo de saudosismo, até porque "The System Has Failed" e "Endgame" são ótimos trabalhos, mas a química existente entre os membros daquela formação (que não eram os melhores amigos, mas em estúdio e no palco arrebentavam) era coisa de outro mundo.
Até hoje, os fãs relembram com muito carinho tudo que foi feito durante aqueles sete anos. Até algum tempo atrás, alguns ainda sonhavam com uma reunião, que se tornou impossível, com a trágica e precoce morte de Nick Menza.
Para a nossa sorte, existem inúmeros registros em vídeo, que permitem reviver tudo o que esse quarteto fantástico fez em cima de um palco. Valeu, Mustaine, Ellefson, Friedman e Menza. Vocês mudaram a vida de muita gente, inclusive a minha.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Após cancelamento de turnê do Deep Purple, Ian Gillan passa por procedimento
O álbum clássico do Metallica que não trazia as melhores músicas da banda e sim as únicas
Sepultura se aproxima do último show - banda prepara despedida após mais de 40 anos de história
Músicos falam sobre emoção de retornar aos palcos com o Nevermore
A pergunta de Nicko McBrain sobre os Beatles que nem Ringo Starr soube responder
Namorada de Vince Neil é presa sob acusação de agressão ao vocalista do Mötley Crüe
Baterista John Tempesta anuncia sua saída do The Cult
O tema que Gene Simmons e Stewart Copeland debateram nos bastidores de um encontro de pais
O que pode ter arruinado passagem de Dio pelo Black Sabbath, segundo Geezer Butler
O hábito que custou o lugar de Clive Burr no Iron Maiden, segundo Regis Tadeu
O único ex-colega do Deep Purple que David Coverdale considera um irmão
Resurrection Fest anuncia primeiras 72 atrações para edição 2027
A reação dos filhos de James Hetfield quando o Metallica retomou suas masters
Quem era o homem que provocou o incêndio eternizado pelo Deep Purple em "Smoke on the Water"
Como James Hetfield lida com uma gafe no palco do Metallica: "Vem essa onda de vergonha"


Marty Friedman toca "Scenes" na íntegra e revisita clássicos do Megadeth em show no Manifesto
Os 50 melhores álbuns de thrash metal da história segundo os leitores da Metal Hammer
Dave Mustaine revela hit do Metallica diretamente influenciado por "Sweet Home Alabama"
Como um solo de Ace Frehley ajudou Marty Friedman a mudar de vida após uma viagem que deu ruim
David Ellefson comenta relação entre "Go to Hell", do Megadeth e "Enter Sandman", do Metallica
Falta de dedicação teria afastado o baterista Nick Menza do Slayer, segundo Kerry King
O pior disco do Kiss: Paul Stanley escolhe dois, e Marty Friedman discorda
Para Marty Friedman, Nick Menza foi uma das razões para o sucesso do Megadeth
A curiosa trajetória de Wagner "Antichrist" Lamounier um dos fundadores da lendária Sarcófago
AC/DC: os últimos dias do vocalista Bon Scott


