The Night Flight Orchestra: uma viagem no túnel do tempo
Por Mateus Ribeiro
Fonte: Sou o redator da matéria.
Postado em 17 de junho de 2019
Projetos paralelos normalmente são criados para que os músicos envolvidos façam algo diferente do que criam em seus trabalhos principais. Algumas vezes, o resultado é MUITO diferente do que estamos acostumados a ouvir, mas invariavelmente, nossos ouvidos são agraciados com coisas boas. O último desses casos aconteceu com o The Night Flight Orchestra, banda sueca que em suas fileiras conta com membros do Soilwork e do Arch Enemy.
Para quem não conhece, as bandas são grandes expoentes do death metal melódico, estilo que nasceu e se desenvolveu no país da Escandinávia. Vale ressaltar que o Arch Enemy ficou reconhecido por ter uma mulher como vocalista (a atual Alissa White-Gluz substituiu Angela Gossow).
Pois bem, o The Night Flight Orchestra passa longe de tudo isso. Formado inicialmente pelo vocalista Björn "Speed" Strid e pelo guitarrista David Andersson (ambos do Soilwork), a banda recrutou o conceituado baixista Sharlee D'Angelo (Arch Enemy, Spiritual Beggars), o tecladista Richard Larsson (Von Benzo) e o baterista Jonas Källsbäck (Mean Streak). O time ficou completo com a chegada de Anna-Mia Bonde e Anna Brygård, que fazem vocais de apoio.
O intuito do grupo era resgatar a aura clássica da setentista/oitentista, investindo em uma sonoridade mais leve, carregada de melodias grudentas e vocais marcantes. O resultado é uma mistura de hard rock com AOR, temperado com doses de música pop dos anos 80. Apesar de parecer improvável, o som da banda se tornou uma das coisas mais agradáveis que pintou no universo do rock nos últimos anos.
O primeiro álbum, "Internal Affairs", foi lançado em junho de 2012, e agradou quem teve a oportunidade de ouvir. O debut serviu como um belo cartão de visitas, repleto de grandes momentos.
Três anos depois, sai "Skyline Whispers", o segundo trabalho, que conta com a adição de Sebastian Forslund (Kadawatha) tocando percussão, conga e guitarra. O alto padrão de qualidade (algo comum nas bandas principais dos integrantes) foi mantido.
O sucesso, porém, chegou com o terceiro disco, "Amber Galactic" (2017). A verdadeira viagem ao túnel do tempo que é o som da banda se tornou lisérgica e o leque criativo começou a aumentar, com algumas passagens progressivas beirando a perfeição.
A faixa de abertura, "Midnight Flyer" é uma das mais "pesadas" do grupo, e conta com uma introdução falada em português.
Inúmeros veículos especializados na época elogiaram (com razão) o trabalho, que definitivamente, fez a banda mudar de patamar.
Em 2018, a banda lançou seu quarto, e até então último registro, "Sometimes The World Ain't Enough", que com o perdão do trocadilho, fez a banda decolar.
O maior destaque do álbum fica para a excelente "Lovers In The Rain", típica música romântica de filme oitentista.
Além do ótimo trabalho de estúdio, a banda se destaca pelas divertidas apresentações ao vivo, com figurino característico e muita energia positiva.
Em meio ao enfadonho papo de que "o rock está morto", o The Night Flight Orchestra aparece como a antítese dessa bizarra afirmação. Mesmo com a proposta de prestar um tributo ao passado, o som é atual, e extremamente agradável. Colabora muito para o sucesso da banda o fato de que as pessoas envolvidas sabem a diferença entre homenagear influências do passado e copiar o trabalho de alguém.
É claro que todo o projeto iria para o espaço se os músicos não fossem qualificados. E todos os instrumentistas fazem um trabalho absurdamente preciso, competente e de muita qualidade. Sobre os vocais, todos sabem que Björn é conhecido pela sua versatilidade, que casou perfeitamente com as lindas vozes das Annas.
Passados quatro discos e alguns anos, tanto a banda, quanto os críticos e os fãs podem afirmar com toda certeza que a ideia de Björn e David de criar algo diferente rendeu frutos mais que satisfatórios. O The Night Flight Orchestra deixou de ser uma promessa para se tornar não apenas realidade, mas a banda mais legal e criativa de rock dos último anos.
A experiência de ouvir a banda é muito boa, afinal, além de sair um pouco do mundo do metal (o que acaba sendo libertador e necessário algumas vezes, acredite), ouvir a banda ajuda a expandir um pouco os limites do gosto pessoal.
Outro fator muito legal é que o grupo tem músicas românticas, algumas mais dançantes, outras mais agitadas, porém, todas com a mesma característica: uma volta ao passado, mas sem sair do presente, e por vezes, com uma vibe futurística, deixando tudo muito atual, apesar da pintura retrô.
Gostou? Corra ouvir então!
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