De Pink Floyd a Radiohead: o Rock encontra a Psicodelia e a Erudição

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Por Gutemberg de Queirós, Fonte: Taverna Estelar
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Após o período de ganhos para os países exitosos da Segunda Guerra Mundial, todo o portfólio cultural dos anos 1950 começava perder força. A década seguinte ficou marcada por eventos de importância no campo cultural, muito em causa pelo movimento da contracultura, os abalos da Guerra Fria e da Guerra do Vietnã, etc.

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O rock como importante elemento do contexto foi sofrendo drásticas alterações e influências, fazendo dele um dos gêneros musicais mais diversificado até hoje.

Subgêneros marcantes que nascem no contexto dos anos 1960 são o Rock Psicodélico (fortemente influenciado pelo jazz e a música eletrônica, além de uma ênfase ao blues) e o Rock Progressivo (nascido do Rock Psicodélico, mas com características Pop, Folk e Barroca).

Importantes trabalhos ganham destaque nesse estilo, como os BEATLES no álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967) e The Piper at the Gates of Dawn (1967) do PINK FLOYD. No cenário brasileiro podemos destacar OS MUTANTES, com atenção ao disco Jardim Elétrico (1971), além do grupo pouco conhecido OS BAOBÁS, com o álbum homônimo de 1968.

Todavia, é a mescla desses dois subgêneros, Progressivo e Psicodélico, que dão estruturalidade ao gênero pouco discutido, Space Rock. Ressalto que estamos falando dos anos 1960, no auge da corrida espacial, ao mesmo tempo em que a contracultura ganha forma.

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PINK FLOYD se tornou um dos percursores desse gênero com as canções de sons ambiente nos primeiros álbuns, enquanto RADIOHEAD esboça essa estilística a partir do seu terceiro disco, ganhando destaque a faixa Paranoid Android no álbum OK Computer (1997). [Pablo Honey de Radiohead não apresenta nada relevante em termos de musicalidade, sendo uma mescla do grunge de seu contexto]. O título da música faz referência a um personagem icônico da Ficção Científica, Marvin do Guia do Mochileiro das Galáxias.

E isso destaca uma das características marcantes do Space Rock, que são as referências ou alusões a temas da literatura e do cinema de ficção científica. (É na década de 1960, por exemplos, que temos dois expoentes do gênero, 2001: a space odyssey no cinema e Star Trek na televisão)

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Contudo, é somente nos anos 1970 que percebemos os trabalhos mais consistentes desse gênero, como 2112 da banda RUSH (o disco conceitual aborda na canções uma guerra interdimensional galática, onde um governo controla todos os planetas), e o já citado The Dark Side of the Moon.

O uso recorrente de sintetizadores, como o uso diferenciado de guitarras e outros instrumentos de corda, dá a cara Space Rock ao PINK FLOYD, já prevendo o estilo da música pop moderna. (Vale lembrar que o gênero da New Age também começava a ganhar forma, e a Space Music se popularizava com VANGELIS e JEAN MICHEL JARRE).

Todavia, The Dark Side trata conceitualmente da loucura além do consumo, existencialismo, guerra e morte. Porém a experiência sonora do disco, a atmosfera que se encontra ao ouvir o álbum em um quarto escuro, é sem dúvida space trip.

Ressalto que não se pode falar em Space Rock sem abordar o Rock Progressivo, sendo esse o seu principal pilar. O contexto brasileiro para esse gênero surge com a efervescência do Tropicalismo, que afetou consideravelmente a produção do rock nacional na segunda metade dos anos 1960 e 1970.

Podemos destacar em princípio OS MUTANTES, SECOS E MOLHADOS e os NOVOS BAIANOS (este por sua vez, detém o álbum Acabou Chorare, considerado o melhor disco brasileiro da história) como grandes nomes do Rock Progressivo brasileiro, dando margem para outras bandas, como OS PHOLHAS, CASA DAS MÁQUINAS, O TERÇO, SOM IMAGINÁRIO e O SOM NOSSO DE CADA DIA. Esses nomes vieram não só do impulso da MPB dos Festivais, mas também do amplo cenário internacional pós-Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band.

Diante de tamanha diversidade que se desenvolve, como entender esses gêneros atualmente?

É difícil. O rock deixou de ser uma música marginalizada, e a popularização dos seus subgêneros fazem com que seja preciso investigar o atual cenário da música pop. Por exemplo, não chega a ser nenhum exagero pautar as composições da LANA DEL REY como art rock progressivo. A ambientação de algumas canções soam como uma faixa de The Dark Side, como um recente single Venice Bitch, em que o uso de sintetizadores suaviza a atmosfera como bem fazia a banda YES.

ARCTIC MONKEYS com Tranquility Base Hotel & Casino foi comparado a Pink Floyd. A psicodélia com mais eletrônica, arranjos detalhistas em meio a uma influência pop, tomam conta das composição de TAME IMPALA, semelhante rock eletropop do IMAGINE DRAGONS, ou um dos mais notáveis do space rock atual, MUSE.

Todavia, é com RADIOHEAD que o rock progresso e barroco ganhou consistência na era da informação. Tendo surgido no cenário Grunge com NIRVANA e PEARL JAM, a banda aderiu ao estilo progressivo de forma conclusiva ainda nos anos 1990, fazendo uso extenso do experimentalismo.

É com OK Computer (1997) que a fama da banda se viabiliza através do som lírico e instrumentalização detalhada e com letras abordando o consumismo, depressão e alienação, tido como uma antecipação da mentalidade do século XXI.

No entanto, o que é mais notável é a estabilidade da banda em manter novas incursões e continuar com seu sucesso. Kid A (2000), In Rainbows (2007) e A Moon Shaped Pool (2016) foram álbuns de grande aclamação crítica, e que mantém o o rock progressivo, artístico e eletrônico.

A discografia da banda é sem dúvida uma autêntica prole criada na contracultura por BEATLES, PINK FLOYD e YES. O que nos faz crer em novos dinamismo a serem seguidos, por outros grupos, com características diversas. O rock progressivo ainda vai progredir.




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