Rita Lee: Ela é mais Rock & Roll do que a Globo faz parecer
Por Fabiano Rocha
Postado em 28 de junho de 2018
De 1967 até 1972 integrou a banda Os Mutantes, gravando os maiores clássicos do rock progressivo brasileiro. Foi expulsa da banda e formou o Tutti-Frutri, lançando no ano seguinte um dos discos mais icônicos do Rock Brazuquês, o incrível "Fruto Proibido".
Nos anos 80, alcançou seu ápice comercial com clássicos pop como Rita Lee (1979) e Saúde (1982), onde estão seus maiores hits. Mas uma coisa é certa: Rita Lee nunca abandonou o rock! Nem no já citado período oitentista. Por isso, é a nossa mais perfeita tradução desse gênero. Nessa lista, caros leitores, reuni momentos da carreira da cantora pós-setentista, em defesa de minha tese. Como uma defesa não-solicitada, porém valida e necessária da alma rockeira de nossa rainha.
10 - Obrigado, não
Em 1997, a cantora fez história ao lançar o clipe de "Obrigado, não", de seu disco "Santa Rita de Sampa", com efeitos inovadores pra época e o icônico beijo gay entre dois militares. A letra também não fica atrás. Acompanhada do riff incrível de Roberto de Carvalho, cantou em apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, aborto, legalização das drogas e criticou a violência, tanto policial quanto criminosa. Pra que mais BRock que isso?
9 - Ando Jururu
Mais uma pérola obscura da discografia, que chegou a ganhar uma versão mais pesada feita pelo Raimundos em 1996, em homenagem a Rita no PMB.
8 - Série Grandes Nomes
Rita podia até soar pop em seus discos nos anos 80, mas nos shows era completamente diferente. Em 1985, em sua participação na série global "Grandes Nomes", onde artistas faziam shows especiais que levavam seu nome completo como título, cantou, claro, suas baladas "Doce Vampiro", "Mania de Você" e "Shangrilá", mas o foco aqui são as performances de músicas menos conhecidas como "Esse Tal de Rock Enrow", "Luz del Fuego", "Mamãe Natureza" e "Orra Meu!".
7 - Todas as Mulheres do Mundo
Nessa performance em 2006, Rita já senhorinha mostrou que ainda sabe fazer rock!
6 - Roll Over Beethoven
No seu último DVD, em 2012, gravou um cover de "Roll Over Beethoven", em homenagem a Chuck Berry. Aqui, mais senhorinha ainda, mostrou mais uma vez que sabe fazer rock, nesse cover incrível.
5 - A Marca da Zorra
O ano era 1995 e a cantora resolveu voltar às suas raízes. Pra isso, criou o show "A Marca da Zorra", que foi gravado e virou disco ao vivo. Teatralidade e guitarra em evidência, quase uma Alice Cooper Brasileira!
4 - Bem-Me-Quer
Um verdadeiro achado. A música foi feita para Gal Costa (que inclusive, para alegria de muitos e raiva de todos, ganhará uma matéria como esta, citando sua colaboração para o rock nacional) Na década de 80. É um verdadeiro rockão oitentista, com tudo que tem direito: refrão chiclete, teclado, guitarrinha brasileira. Abaixo a performance das duas num desses aniversários de São Paulo, na década de 90.
4 - Os discos setentistas
Quando saiu d'Os Mutantes, a jovem Ritinha ficou sem rumo. Como ela mesma conta em sua autobiografia, lançada em 2016 pela Globo Livros, ao ser expulsa do banda psicodélica, se trancou no porão dos pais com orgulho e ego feridos. Ali mesmo, no porão do papai, no melhor estilo bandinha de garagem, compôs "mamãe natureza", sua primeira música solo e que entraria, mais tarde, no repertório de "Arás do Porto Tem Uma Cidade", primeiro disco ao lado da banda de apoio Tutti Frutti. Antes deste álbum, Rita havia lançado outros dois albuns com assinatura solo, 'Build Up' e 'Hoje é o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida', mas ambos eram obras d'Os Mutantes - foram lançados como solo por decisão da gravadora, já que a banda havia lançado albuns.
A partir daí, Rita engatou uma brilhante carreira solo nos anos 70,lançando 4 discos ao lado dos Tutti Frutti: "Atrás do Porto Tem uma Cidade (1974)", "Fruto Proibido (1975)", "Entradas e Bandeiras (1976" e "Jardins da Babilônia (1978)". São trabalhos incríveis, de obrigatória audição para quem deseja entender o rock made in Brazil, mas como nosso tempo aqui é curto, irei focar no Fruto Proibido.
O trabalho lançado em junho de 75, é um marco no Rock. Cheia de criatividade, inspirada por Bowie e o Glam Rock e acompanhada de uma verdadeira bandaça, Rita nos proporcionou uma verdadeira viagem musical. O album é aberto com "Dançar para nao dançar", com título auto-explicativo a música é quase um exorcismo pessoal. A sequência é repleta de hits: "Agora só falta você", música que nunca morre, já que sempre há alguém fazendo um cover dela, "Cartão Postal", bluezera de qualidade co-escrita por Paulo Coelho, "Esse Tal de Rock Enrow", uma sátira ao que as mães pensavam sobre seus filhos rockeiros - e que pensam até hoje, afinal - e o maior clássico de Rita, a incrível "Ovelha Negra", que tem um dos melhores solos da história da música brasileira, tocado por Luis Sérgio Carlini. Ainda há também "Luz Del Fuego", "Pirataria", "O toque" e a faixa-título, todas de ótima qualidade, apesar de serem mais obscuras. Trocando em miúdos: puta discão.
3 - BomBom
Esse disco entra nessa lista não pela sonoridade, mas pelo contexto. Era ditadura, 1983, Rita foi para Los Angeles gravar esse clássico que trouxe dois de seus maiores hits: "Desculpe o Auê" e "On The Rocks". Mas uma música em especial fez este álbum entrar aqui: "Arrombou o cofre!". Uma atualização de "Arrombou a festa", outro clássico seu com o mago Paulo Coelho, onde criticava a música brasileira que segundo ela estava chatissima. Nesta att, Rita criticou sem dó a corrupção e os políticos, o que fez o disco ganhar selo de "Proibido para Menores" e ter a faixa citada riscada no vinil.
1 - Rebeldia, contravenção e irreverência
Poderia citar aqui diversos momentos onde Rita teve atitudes com essas características, que definem o Rock n Roll mais do que qualquer distorção de guitarra. Mas me contentarei com este momento em especial, quando ela enfrentou policiais que agrediam seus fãs "por causa de um baseadinho" em 2012. Foi presa, até hoje o processo corre na justiça e foi descascada pela mídia conservadora na época, tudo por que defendeu a liberdade individual.
Agora fica a critério. Com exageros e ironias, nessa matéria apenas quis colocar em evidência a parte mais brilhante da carreira de Rita, num espírito semi-nacionalista de valorização do nosso Pedra and Agito.
Obrigado, senhores.
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