Led Zeppelin: "a" balada Stairway to Heaven
Por Ivison Poleto dos Santos
Postado em 22 de abril de 2018
Aqueles que como eu são veteranos nas guerras metálicas sentem até um negócio à mínima menção deste nome. Incontáveis a amam de paixão, uns poucos a odeiam no mesmo nível, mas é impossível ficar impassível ao som dos seus primeiros dedilhados, aos primeiros versos cantados docemente por Robert Plant até o êxtase final com o solo de Jimmy Page. Uma canção perfeita, enfim.
Erroneamente, aqui no Brasil, a música foi tida como uma balada romântica e, por isso, muito gente dançou coladinho e rosto com rosto embalados por ela. Na verdade, sua letra nada de tem de romântica no sentido amoroso da palavra. É uma letra cheia de misticismo dentro do que a banda estava fazendo na época.
Escute aqui a versão de estúdio:
Não foi Led Zeppelin que inventou a balada dentro do rock. Mas o que se chamou depois de power balad, isso sim deve ser creditado a eles. Eles criaram a fórmula, talvez, mais copiada, e efetiva no mundo do rock, cuja tradição foi passada para as bandas de hard rock e Heavy Metal. A introdução com dedilhado somada à voz doce do cantor, ou cantora, que vão num crescendo até atingir o ápice com um solo de guitarra entremeado por muita distorção virou infalível, e convenhamos, funciona muitíssimo bem. De tão bem que funcionava, inclusive comercialmente, em meados da década de 1980 era presença obrigatória em todos os álbuns de bandas de hard rock ou de HM que quisessem ganhar notoriedade. Uma power balad bem feitinha garantia uns bons cobres a mais. É claro que a fórmula saturou. Tudo que é tocado à exaustão, uma hora exaure. Porém, até hoje, ainda há bandas apostando na fórmula.
O terreno das baladas rock nos anos 1970 já estava bem estabelecido. Bandas como os Beatles era exímios baladeiros, mas de uma forma musicalmente diferente. As baladas eram compostas ainda como as baladas renascentistas, ou seja, sempre com andamento mais lento adornada com violões ou pianos e outros instrumentos menos agressivos, ou mais doces, como queiram. Da mesma forma que já tinha anabolizado o blues com a suas versões pesadas dos blues americanos, o Led Zeppelin rompeu completamente com a tradição baladeira ocidental ao introduzir a bateria pesada que entra somente no meio da música aproveitando a tensão criada pelos dedilhados e, com mais força, a guitarra distorcida de Jimmy Page que desemboca em um solo furioso e sensacional. Ah, quantas vezes eu não voltei a fita cassete para ouvir o pedaço do solo, por vezes e vezes.
Veja um bom exemplo de balada dos anos 1960 com os Beatles:
A música causou tanto furor quando foi lançada em 1971 no álbum "Led Zeppelin IV", que outras grandes bandas de rock na época, como os Rolling Stones (Angie, 1973) e o Black Sabbath (Changes, 1972), por exemplo, correram para lançar as suas baladas. Porém, a fórmula ainda não tinha sido apropriada definitivamente. A banda que primeiramente se apropriou definitivamente, e com grande sucesso, da fórmula foi o Nazareth com Love Hurts de 1975, esta sim uma balada romântica que alçou a banda ao estrelato mundial.
Não foi só isso. Todos guitarristas queriam tocá-la. Todos queriam fazer os dedilhados da introdução. O furor foi tanto que a situação foi tornada cômica no filme "Wayne"s World", aqui no Brasil idioticamente traduzido como "Quanto mais idiota melhor".
Veja o trecho aqui:
"Stairway to Heaven" é uma das poucas músicas que é celebrada igualmente tanto na sua versão de estúdio, quanto na sua versão ao vivo. Um fato interessante sobre a versão ao vivo é que por muito tempo se discutiu se Jimmy Page havia perdido a entrada do solo, fazendo a banda repetir a introdução mais um compasso para que, enfim, ele entrasse com o debulho.
Veja a versão ao vivo aqui:
Também, não houve outra balada que reinasse absoluta por tanto tempo, pois desde 1971 até meados dos anos 1980, ela foi executada exaustivamente nas rádios, inclusive nas que não tocavam rock, e nos já citados bailinhos. Somente na década de 1990 é que ela foi perdendo sua força. Infelizmente.
Pode parecer saudosismo de veterano, mas "Stairway to Heaven" faz falta. E outra coisa, ao escrever sobre ela, estou fazendo um serviço que é tradição no rock e no Metal, que é o de apresentar os clássicos aos mais jovens. É assim que o movimento vai se perpetuando.
O mundo sem "Stairway to Heaven" nos bailinhos, e sem os bailinhos, se tornou muito mais cruel.
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