Slayer: Os primórdios, contados pela própria banda
Por João Paulo Andrade
Postado em 24 de fevereiro de 2018
Leia abaixo a transcrição (traduzida para português) do primeiro episódio do documentário Slayer Early Days, que está sendo liberado em partes pela banda.
Tom Araya: SLAYER!
Kerry King: Precisa ter culhões!
Paul Bostaph: Yeah! Metal!
Gary Holt: Não estou triste. Me diverti muito.
Kerry King: Na escola. Eu não era o mais novo. Dave era o mais novo. Ele era um ano mais novo do que eu e Jeff. Tocávamos na escola, aprendíamos guitarra, procurávamos caras com a mesma mentalidade. Achei ele (Jeff Hanneman) fazendo uma audição para outra banda em algum galpão e soube de cara que não queria tocar naquela banda, não era para mim. Mas eu fui lá e tocamos. E eu vi ele tocando faixas que eu conhecia na guitarra. E eu disse "Ei! Você é bom! Você está em uma banda?" E ele não estava. E eu o convidei para tocarmos juntos para ver o que acontecia. Então eu e Jeff nos juntamos e eu tinha encontrado com Dave antes disso e eu conhecia Tom de outra banda, então nós tentamos tocar juntos e funcionou.
Tom Araya: Minha vida era apenas escola, ajudar meu pai, mas eu queria tocar música. Então depois que terminei o ginásio... eu tinha um emprego de meio período no verão do último ano de escola, e eu poderia trabalhar lá, porque eles queriam me contratar em tempo integral. Então era um emprego. Eu não sei quanto ganhava mas fazia algum dinheiro. Dinheiro que eu usava para sustentar meus vícios em música.
Kerry King: Naquela época eu tinha empregos idiotas. Para o caso de não conseguir viver de música. Acho que o último emprego que eu tive foi numa pet shop ou... eu acho que talvez meu último emprego na adolescência foi trabalhar em um mini-golf. Um desses empregos de merda em que alguém faz o que as outras pessoas não querem fazer. Ai depois de um mês me mandaram cortar o cabelo para poder ficar no emprego e eu mandei tomarem e acabou.
Tom Araya: Eu trabalhava em uma empresa de imprimir logomarcas e coisas do tipo. Colocavam impressões em uniformes.
Kerry King: Dave eu sei que entregava pizzas.
Tom Araya: Estávamos em outra banda que resolvemos chamar de Call It Quits... porque a banda vai acabar logo [trocadilho com a expressão "call it quits" que significa acabar]. Achamos aquilo engraçado.
Kerry King: Nós tocamos. E funcionou bem. Não parecia nada com o Slayer. Eu tinha 16 anos. Eu tinha uma identidade falsa para poder tocar. Não para beber. Só para poder entrar nos clubes. Era esquisito.
Tom Araya: Kerry entrou naquele grupo porque eles estavam tendo problemas com o outro guitarrista. E quando Kerry entrou eles começaram a ter problemas comigo e me tiraram do grupo.
Kerry King: Fizemos aquilo por um tempo e eu não lembro porque a banda se separou mas eu fico feliz que tenha se separado, porque de outra forma eu não teria inspiração para fazer o que fazemos hoje.
Kerry King: A primeira vez que encontrei Dave eu estava na frente de minha casa voltando de algum lugar e ele me parou e perguntou se eu era o cara que tinha um monte de guitarras. Eu disse que tinha algumas guitarras. Toquei com Dave uma vez. Toquei com Jeff uma vez. E ai tocamos nós três. E tocamos algumas vezes e percebemos que Tom podia ser parte daquilo.
Gary Holt: Naquela época havia troca de fitas cassete. E eu acho que o Show No Mercy nem tinha saido ainda. E alguém conseguiu uma fita. E achamos que aqueles caras eram como nós, eram loucos, parecia que queriam matar coisas, e destruir coisas com machados. Da primeira vez que ouvimos Slayer nos adimiramos com aquele som maravilhoso e por eles serem de LA. Conhecíamos Metallica. Eles era de LA mas se mudaram para se juntar a nós.
Paul Bostaph: Eu tive minha primeira impressão do Slayer quando estava com o Forbidden. Eu ia para a casa de um dos guitarristas. Depois de ensaiar bebíamos. E teve uma festa lá um dia e eu estava na cozinha. E tinha um boom-box na sala e eu conversava com alguém e no meio da conversa eu ouvi aquele som vindo da sala e eu fiquei tipo... "Espera! Volto já!". E eu fui até o stereo e eu lembro de olhar para aquele boom-box. Eu ouvi a primeira música e pensei comigo mesmo que aquilo mudava tudo.
Kerry King: O guitarrista dele era meu professor de guitarra. E eu costumava ir ver eles ensaiando. E eu sei que ele estava me treinando para que eu substituisse o outro guitarrista. Eu me sentia meio estranho sobre aquilo. Mas eu tinha de entrar.
Tom Araya: Um ano depois eu recebi uma ligação de Kerry dizendo que estava montando uma banda. E eu tocava baixo e ele tinha aquele guitarrista e aquele baterista. Podíamos fazer uma jam juntos. Então ele me deu uma lista de músicas para nos encontrarmos no fim-de-semana seguinte. Nos encontramos e tocamos aquela lista de músicas que me deram. E o resto é história.
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