SOH [Siege Of Hate]: a história dos veteranos do grindcore nacional
Por Ricardo Cunha
Fonte: Esteril Tipo
Postado em 11 de agosto de 2017
A banda Siege Of Hate surgiu em 1997 como um projeto entre membros das bandas Insanity (Bruno Gabai) e Obskure (Amaudson Ximenes e Dangelo Feitosa), complementado por Ricarte Neto. Bandas que eram adeptas do Thrash e do Death Metal e, juntas, detinham forte apelo junto aos bangers da época. Tal como o Lock Up (cujos integrantes são membros efetivos de outras bandas), a proposta do SOH era a de tocar grindcore puro e simples. Então, devido a uma série de acontecimentos de ordem pessoal e profissional o projeto, acabou por se tornar a banda principal. E hoje, o nome Siege Of Hate é reconhecido internacionalmente.

Em 1998, como resultado dos trabalhos de estúdio, realiza sua estréia em formato físico com a demo-tape Return To Ashes, através da qual se apresenta para o país de uma forma muito consistente. São 9 músicas executadas em torno de 25 minutos. De cara, um trabalho nos padrões dos grandes nomes do estilo. Não gosto de comparar mas este exercício ajuda a estabelecer parâmetros de forma a situar o material em questão, de acordo com as referências de seu tempo. Assim, o primeiro nome que me veio à mente foi Brutal Truth.

O ano de 2003 assinala o lançamento do primeiro álbum completo do quarteto formado por Bruno Gabai (vocal/guitarra), Tiago Feijó (bateria), George Frizzo (baixo) e Ricarte Neto (vocal/guitarra). Subversive By Nature [Encore Records], aprimora o trabalho realizado na demo de 1998 e eleva a banda a um nível mais profissional. Tanto é que este mesmo disco foi lançado posteriormente na Europa e Estados Unidos. A banda, inspirada nos grandes nomes do thrash, death, punk e hardcore, começa a construir sua identidade pelo modo próprio de compor e da postura contundente diante das questões políticas, econômicas e sociais. São 20 faixas em 31 min, dentre as quais destaco as músicas "Trust", a mais curta do disco com 17seg. e o cover de No Religion, do D.R.I.
Aproximadamente 3 anos após, juntamente com os canadenses Time Kills Everything (Crust, Experimental, Industrial), a SOH lança, em 2006, o Split CD Out Of Progress. O disco no todo é uma espécie de pesadelo sonoro que mistura peso, agressividade e insanidade. A parte que cabe aos brasileiros (já com Saulo Oliveira substituindo Tiago Feijó na bateria) contem 11 faixas que perfazem o total de 14min, sendo sob todos os aspectos, matadora! Ao ouvir esse disco lembrei de Napalm Death em "Fear, Emptiness, Despair".
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Ricarte Neto muda de domicílio, deixando em aberto o posto de segundo guitarrista do grupo. Daí em diante, esse posto não seria mais ocupado por um integrante fixo.
Havendo as seções de guitarras sido divididas entre Ricarte (antes de sua saída) e Gabai, a banda lança, em 2009, Deathmocracy [Bomb This Shit Productions]. O segundo álbum completo e, até o momento, o melhor disco da banda, na opinião deste que vos escreve. Um material altamente profissional tanto pela apresentação quanto pela música: por fora, uma caixa de papelão de alta qualidade com uma arte primorosa; por dentro, um encarte que contém, num lado, letras e fotos, e noutro, um poster (40x60). Musicalmente, o disco é impecável e conta com 16 faixas que somam 32min. Aliás, diria mesmo que conseguiram fundir de uma forma ímpar os elementos do punk e do hardcore com o metal, que é a essência do grindcore. Deathmocracy é ódio em estado bruto, remetendo bastante ao Extreme Noise Terror.

Como suporte ao disco recém lançado, a banda parte imediatamente para uma turnê pela Europa. Foram 16 apresentações em 7 países durante 26 dias, sendo que, de acordo com Bruno Gabai "A grande maioria dos shows foi promovido pela galera das cenas Punk/HC locais...". Um marco para a banda e para o metal cearense, visto que até onde fui com dedicadas horas de pesquisa, a SOH é a primeira do estado do a realizar tal feito.
Após 3 anos sem gravar, mas com agenda de shows ativa, a banda, agora contando com Fábio Morcego na segunda guitarra, lança em 2013, "Animalism" [Rising Records]. Um disco no qual os músicos fazem uso de timbres mais graves, o que tornou o som mais brutal e perturbador. São 14 músicas em 27 minutos que parecem simbolizar um final hecatômbico para a humanidade. (...) Tendo como plano de fundo o livro "A Revolução dos Bichos", de George Orwell, o trabalho como um todo, expressa uma mensagem de contestação por meio da qual questiona a validade das lideranças e o controle que exercem sobre as massas.
Com disco novo na mão e, prontos pra encarar a Europa pela segunda vez, a SOH juntamente com os cariocas da banda de stoner metal Statik Majik cruza o oceano. Gabai, como frontman, declarou que "Em Geral, esperamos consolidar a divulgação do nosso trabalho na Europa, atingindo novos públicos, promover o novo CD e interagir com bandas de outros países, especialmente com o público de metal europeu, com os quais tivemos menos contato na tour de 2009. (...) O nosso novo CD, Animalism, é o mais brutal da nossa carreira e mistura elementos das diferentes influências que temos." Ao todo foram 12 shows em 6 países.

A divulgação de Animalism se estendeu ao Brasil por todo o ano de 2014. Na sequência, em 2015, a banda lançou "Brave New Civil War" [Back On Tracks Records, Grinding Ages], um EP no formato 7". Sendo que este foi o primeiro registro em vinil da SOH. Com esse lançamento, a banda parece seguir os passos do "famigerado" Sarcófago no que diz respeito a extrapolar os limites da brutalidade. São 5 músicas num intervalo de aproximadamente 7:24, fazendo deste, um item para iniciados e, considerando o formato 7"EP, diria ainda que se trata de uma peça para colecionadores.
Em comemoração aos seus 20 anos de aniversário, a banda relança em edição limitada e no formato digipack, sua primeira demo de estúdio "Return To Ashes", disponibilizada originalmente em 1998 apenas nos formatos em K-7 e CD'R. Além das 9 faixas originais da demo, o CD traz como bônus, sons ao vivo gravados em um show no Anfiteatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura de Fortaleza/CE, em 1999, e uma demo-ensaio gravada em 1997 pela mesma formação que participou da primeira demo, totalizando 34 faixas. Um verdadeiro presente para os fãs do SOH e do Death/Grindcore mudial.

Por fim, A formação atual do grupo é: Bruno Gabai (vocal e guitarra), George Frizzo (baixo) e Saulo Oliveira (bateria). A banda, inclusive, informa que está preparando para o segundo semestre deste ano um álbum novo com inéditas. Sendo que este será o primeiro com músicas em português!
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