RECEBA NOVIDADES ROCK E METAL DO WHIPLASH.NET NO WHATSAPP

Matérias Mais Lidas

imagemO hit da Legião Urbana que traz crítica contra "Escolinha do Professor Raimundo"

imagemDigão diz a Jão que não quer treta mas não tem sangue de barata

imagemA banda que desbancava Roberto Carlos na época da Jovem Guarda, segundo Miguel Plopschi

imagemBanda cancela show porque perdeu laptops e Sebastian Bach alfineta; "Isso é uma piada?"

imagemMegadeth: Chris Poland teve que trabalhar como garçom após ser demitido

imagemDave Mustaine cascava o bico das bandas de new metal que faziam turnês com o Megadeth

imagemJão, do Ratos de Porão, chama Digão para resolver as diferenças em um ringue

imagemA opinião curta e grossa de Tony Iommi sobre documentário de Ronnie James Dio

imagemNovo produtor do Slipknot esperava mais do grupo, afirma guitarrista

imagemPrince "não sabia lidar com as pessoas", segundo seu antigo empresário

imagemHammerfall não queria que você soubesse sobre voz de King Diamond em novo disco

imagemA curiosa analogia de Kiko Loureiro sobre Uber e F1 para explicar importância da prática

imagemBaixista do Avatar, que abriu shows do Iron Maiden, tem tatuagem do Brasil

imagemCorey Taylor diz que Roadrunner não é nem sombra do que foi um dia

imagemA banda que Mustaine achou que pudesse ser a nova encarnação dos Beatles (e não foi)


Stamp

Golpe de Estado: uma singela homenagem a uma grandíssima banda

Por Ivison Poleto dos Santos
Em 04/06/17

Para quem está chegando agora no mundo da música pesada apresento a banda que na minha opinião foi a maior de todas brasileiras: Golpe de Estado!

Aquele que como eu é um sobrevivente dos anos 1980 e 1990, vai lembrar que o grande Golpe (jeito carinhoso que nos referíamos à banda) teve seu auge no início dos anos 1990 com uma grande visualização na mídia chegando quase a romper o bloqueio feito pela mídia tradicional a tudo que se tratava de música pesada, ou sendo mais claro, de Heavy Metal. Suas músicas foram exaustivamente executadas nas rádios especializadas e nas rádios com orientação mais pop. O grande Golpe também fez várias apresentações na televisão. Porém, posso estar errado, nunca chegou à RGT. Fez shows memoráveis e com imensa participação de público como em 1992 na Praça Charles Miller (Pacaembu) em São Paulo.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Com uma formação bastante estável, o grande Golpe contou com músicos que foram referência em seus instrumentos: o grande mestre Hélcio Aguirra, para mim o maior guitarrista brasileiro de música pesada de todos os tempos; Paulo Zinner, um grande baterista com pegadas às vezes inusitadas; Nelson Brito, referência no baixo e, Catalau, quem tecnicamente não é um grande vocalista, mas com grande personalidade e estilo próprio, sendo também um fenomenal letrista que só não é tão reconhecido como Renato Russo e Cazuza por causa do bloqueio da mídia tradicional a tudo que vem do Heavy Metal.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Exímios baladeiros, músicas como "Olhos de guerra", "Noite de balada" e "Caso sério" estão entre os maiores clássicos do Metal nacional.
O grande Golpe foi uma banda muito sincera em suas atitudes. Mesmo como contratados de grandes gravadoras, eles nunca abandonaram a veia underground que dava aquele gostinho diferente da banda. E insistiram naquilo que eu acho que foi o seu maior equívoco: cantar em português.

Se tivessem naquela época começado a cantar em inglês, com certeza teriam tido o mesmo destino que o Sepultura. Competência não faltava a banda.

História

Em entrevista à falecida Revista Metal, número 26 de 1986, o grande Golpe falou um pouco do seu então primeiro álbum "Golpe de Estado" que estava ganhando as ruas pelo selo Baratos Afins. "Golpe de Estado" tem uma característica especial, mas que fazia sentido na época, quando os custos de gravação eram muito altos, de ter saído com um lado de 33 rotações e outro de 45 rotações. Estou falando grego para a moçada que nunca viu um toca-discos. Os discos de vinil vinham em algumas rotações diferentes (velocidade de rotação para serem tocados): 78 rpm, 45 rpm e 33 rpm. Os de 78 rpm são os mais antigos, geralmente dava para colocar apenas uma música de cada lado; os de 45 rpm são uma espécie de intermediários que não pegaram muito aqui no Brasil, mas que lá fora foram muito comuns nos EPs; e, os de 33 rpm, a mais comum que é utilizada até hoje, sua grande vantagem é que permite mais músicas de cada lado do disco.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Nesta entrevista a banda contou sobre os seus primórdios e influências que explicam o som da banda, uma verdadeira salada musical de blues, rock setentista e Heavy Metal. Esta salada explica bem o som da banda que foi classificada por eles como "hard rock" (Catalau), "com tendências de Heavy Metal e blues" (Hélcio Aguirra).

O nome Golpe de Estado surgiu numa brincadeira. Catalau havia fechado um show no extinto Madame Satã (lendária casa de shows de São Paulo) e não tinha banda para tocar. Como ele tinha que dar um nome à banda e achava que aquilo era um "golpe", o nome acabou ficando. Disse a lenda, Catalau, que ele pegou alguns alunos seus de música e fizeram o tal show. Logo depois se juntaram Hélcio Aguirra, vindo do Harppia, Paulo Zinner, vindo dos Heróis da Resistência e Nelson Brito, do Fickle-Pickle.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Sucesso logo de cara, o grande Golpe fez vários shows pelas casas noturnas de São Paulo e logo entrou em estúdio para gravar o segundo álbum "Forçando a barra", também pelo selo independente Baratos Afins em 1988.

As letras da músicas falavam bastante sobre o underground paulistano da época. A música "Undenground" é um ótimo referencial. As duas primeiras capas traziam referências interessantes da vida noturna da época e da temática da banda. Talvez a capa de "Forçando a barra" seja até mais icônica. O artista que assina estas capas é Chico Guerreiro. É do "Forçando a barra" a maior balada da banda, singelamente chamada "Noite de balada".

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Em 1989, o grande Golpe assinou com o selo Eldorado, braço brasileiro da Roadrunner Records e com ele veio "Nem polícia, nem bandido". A única coisa que a grande gravadora mudou no Golpe foi a capa que ficou mais minimalista e sem as referências underground, porém o som ganhou aquela força e poder que só os bons equipamentos e a boa produção podiam dar. O grande Golpe ficou mais forte. E conseguiu atingir um público maior. O grande Golpe foi uma das poucas bandas que conseguiram ter seu potencial integralmente desenvolvido por uma grande gravadora. Graças à sua sinceridade ao mundo do underground.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Em 1991, veio o "Quarto Golpe" na mesma tocada do "Nem polícia, nem bandido" com a adição de teclados e uma produção ainda melhor. "Caso sério" é a sua música mais icônica. É o auge da fina ironia letrística de Catalau e dos problemas que levariam a banda ao seu fim com a demissão de Catalau. Ok, a banda ainda gravaria "Zumbi" em 1994 pela Eldorado, mas já não era a mesma coisa. Os problemas com Catalau atingiram o auge. Sem entrar em detalhes, oficialmente Catalau foi demitido por faltar em ensaios, e constantes atrasos em shows, o que para uma banda daquele nível profissional fica impossível suportar. Mas a banda perdeu sua alma, a voz que dava ao grande Golpe sua cara. Catalau voltaria ainda à banda em 1999, mas já não era o mesmo.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Atualmente, Catalau é pastor de uma igreja evangélica e ainda canta os seus grandes sucessos com as letras singelamente modificadas.

Vieram ainda Dez Anos ao Vivo pela Paradoxx (gravadora especializada em dance music) de 1996, Pra Poder de 2004 e Direto do front de 2012 por gravadoras independentes.

Mas o golpe final (não é trocadilho) foi o passamento em 2014 do guitarrista Hélcio Aguirra. O Brasil perdia aquele que era o seu maior guitarrista de música pesada. Aconteceu alguma comoção na imprensa, mas não no nível que ele merecia.

Enfim, o Golpe de Estado é uma banda que representa muito melhor toda uma geração que curtia música pesada e que ficou alijada e, até mesmo impedida, de ver seus grandes astros ganharem o mundo e obter a repercussão que mereciam.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

RIP Hélcio Aguirra

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

NFL Steve Harris


publicidade
Ademir Barbosa Silva | Alexandre Faria Abelleira | Andre Sugaroni | André Silva Eleutério | Antonio Fernando Klinke Filho | Bruno Franca Passamani | Caetano Nunes Almeida | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Eduardo Ramos | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cristofer Weber | César Augusto Camazzola | Dalmar Costa V. Soares | Daniel Rodrigo Landmann | Décio Demonti Rosa | Efrem Maranhao Filho | Eric Fernando Rodrigues | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Filipe Matzembacher | Gabriel Fenili | Helênio Prado | Henrique Haag Ribacki | Jesse Silva | José Patrick de Souza | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcelo H G Batista | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Reginaldo Tozatti | Ricardo Cunha | Ricardo Dornas Marins | Sergio Luis Anaga | Sergio Ricardo Correa dos Santos | Tales Dors Ciprandi | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Tom Paes | Vinicius Valter de Lemos | Wendel F. da Silva
Siga Whiplash.Net pelo WhatsApp

Guns N' Roses: a versão de Axl Rose sobre a separação

Metal: 16 músicas dos anos 80 para se escutar durante o treino


Sobre Ivison Poleto dos Santos

Veterano das guerras metálicas. Pesquisador, escritor, resenhista, músico frustrado (por isso tudo o anterior). Ao contrário da opinião comum, acho que o melhor do Metal ainda está por vir e que existem grandes bandas novas por aí. Só procurar. No meu caso elas vêm até mim.

Mais matérias de Ivison Poleto dos Santos.