Black Sabbath: a história termina, mas o legado é eterno
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collectors Room
Postado em 06 de fevereiro de 2017
13 de fevereiro de 1970. Uma sexta-feira. O dia em que o primeiro disco do Black Sabbath chegou às lojas do Reino Unido. O dia em que o heavy metal nasceu.
É claro que já havia rock pesado antes de Ozzy Osbourne (cujo nome saiu grafado com Ossie no LP original), Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward lançaram o seu primeiro álbum. Nomes como Jimi Hendrix Experience, Vanilla Fudge, Blue Cheer, Cream, Deep Purple, The Who e Led Zeppelin já haviam amplificado o volume e o poder do gênero a um nível até então inédito. Mas nada que veio antes preparou os ouvidos da moçada para aquilo que o Black Sabbath trazia em suas canções.
Black Sabbath - Mais Novidades
Os acordes eram mais sombrios, tensos, soturnos. A música que batiza a banda e abre o seu disco de estreia dá medo e causa arrepios até hoje. O primeiro álbum do Black Sabbath apagou as luzes multicoloridas do Flower Power e apresentou uma nova maneira de fazer rock. Tão nova que até ganhou outro nome: heavy metal.
Os seis primeiros álbuns do quarteto são como seis grandes ensinamentos, pilares que trazem os arquétipos de praticamente tudo que o estilo exploraria nos anos posteriores, com cada vez mais intensidade e agressividade. "Master of Reality" (1971) é a essência do doom. Os riffs cavalgados de "Children of the Grave" são uma espécie de proto-thrash. "Paranoid" (1970), seu segundo disco, é uma quintessência de riffs. "Vol. 4" (1972), o ápice dos exageros - químicos e todos os outros. Em "Sabbath Bloddy Sabbath" (1973), a incursão de novas influências e o flerte com diferentes gêneros mostrou a fórmula para ampliar e tornar a sonoridade ainda mais rica. E "Sabotage" (1975) é o canto do cisne da criatividade de uma formação que ainda gravaria dois discos - "Technical Ecstasy" (1976) e "Never Say Die!" (1978) - com bons momentos, mas longe do brilhantismo sem igual de outrora.
Sempre que penso no Black Sabbath, lembro da minha adolescência. Da época em que conheci a banda, quando tinha uns 15 ou 16 anos. E em como aquelas músicas e aquela energia mexeram demais comigo. Passava horas, dias, semanas, ouvindo apenas os LPs do grupo. E o que pensei ser uma experiência só minha, com o passar dos anos e o contato com diferentes pessoas dos mais diferentes lugares, se revelou uma sensação conjunta: todo mundo ficava fissurado nos riffs do Iommi e não conseguia ouvir outra coisa.
Ainda que a entrada de Ronnie James Dio tenha possibilitado ao Sabbath a exploração de caminhos mais complexos do que o esquema de cantar sempre junto com o riff, uma das marcas registradas da fase Ozzy, permitia, a sonoridade clássica e que mudou o mundo está nos primeiros álbuns e segue imortal. "Heaven and Hell" (1980) e "Mob Rules" (1981) são incríveis - principalmente o primeiro - e mostraram a reinvenção total de uma banda dada como acabada, mas a fina flor da pancadaria, da podridão e das luzes piscantes ligadas com fios desencapados está entre 1970 e 1975.
Tudo que veio depois, nasceu com o Black Sabbath. O rock mudou. O heavy metal nasceu. O mundo se transformou. O que ouvimos hoje quando colocamos um disco para tocar, seja ele de rock, metal ou até mesmo outros gêneros como pop e hip-hop, tem influência da banda. E mais importante do que isso: eles foram os pais do estilo que tanto amamos. Até existiria metal sem o surgimento do Black Sabbath, as coisas estavam caminhando para isso. Mas tudo soaria diferente sem o quarteto inglês, isso é inegável.
4 de fevereiro de 2017. Um sábado. O dia em que o Black Sabbath fez o último show de sua carreira, justamente na cidade onde nasceu: Birmingham. O dia em que o heavy metal ficou órfão.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



5 clássicos do rock cujas letras envelheceram mal
Nazareth abre a turnê brasileira em Vitória com clássicos de cinco décadas
Quando Robert Plant enquadrou uma banda por plágio e levou o troco na mesma hora
O álbum dos anos 2000 que Nicko McBrain considera o melhor do Iron Maiden
Jennifer Finch, baixista da L7, morre aos 59 anos devido a um câncer cerebral
A música do Toto que se tornou trilha sonora do vôlei na Rede Globo
A canção de Alice Cooper que ajudou a mudar os rumos do rock nos anos 70
A música de Bruce Dickinson que tem riff no estilo Scorpions
O músico veterano que acha que o Angine de Poitrine não faria sucesso sem as máscaras
Ian Anderson (Jethro Tull) lembra de quando Joey Ramone lhe pediu autógrafo
O dia em que Ozzy Osbourne entrou em um protesto contra ele mesmo e ninguém percebeu
Mick Box, guitarrista do Uriah Heep, conta como Brexit dificultou tudo para bandas britânicas
Ignacia Fernández, vocalista do Decessus e Miss Mundo Chile, conta como entrou no metal
A banda que vendeu milhões nos anos 70 e hoje não aparece nas listas de rock clássico
A influência de Bon Scott em "Back in Black" (AC/DC) segundo Angus Young

Com Corey Glover (Living Colour) nos vocais, One Tribe Nation lança cover do Black Sabbath
Geezer Butler considera estreia do Black Sabbath um dos grandes momentos de sua vida
Geezer Butler, baixista do Black Sabbath, participou de novo álbum do Mastodon
O que as principais bandas de rock/metal faziam quando o Brasil foi penta?
Bill Ward sobre Ozzy Osbourne: "Sinto saudades dele todos os dias"
A banda que Ozzy Osbourne disse ter acabado com o Black Sabbath no palco; "nos ofuscaram"
Os 20 maiores hinos do heavy metal, em lista do WatchMojo
O maior guitarrista de todos os tempos, segundo Tony Iommi; "meu ídolo"
5 músicas de heavy metal que até quem não gosta conhece
Presença de Palco: dicas para iniciantes
George Harrison: O Beatle calado, sempre à sombra de Lennon e McCartney


