Black Sabbath: a história termina, mas o legado é eterno

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Ricardo Seelig, Fonte: Collectors Room
Enviar correções  |  Comentários  | 

13 de fevereiro de 1970. Uma sexta-feira. O dia em que o primeiro disco do Black Sabbath chegou às lojas do Reino Unido. O dia em que o heavy metal nasceu.

899 acessosZakk Sabbath: trailer de turnê pela América Latina5000 acessosNew York Times: os 100 melhores covers de todos os tempos

É claro que já havia rock pesado antes de Ozzy Osbourne (cujo nome saiu grafado com Ossie no LP original), Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward lançaram o seu primeiro álbum. Nomes como Jimi Hendrix Experience, Vanilla Fudge, Blue Cheer, Cream, Deep Purple, The Who e Led Zeppelin já haviam amplificado o volume e o poder do gênero a um nível até então inédito. Mas nada que veio antes preparou os ouvidos da moçada para aquilo que o Black Sabbath trazia em suas canções.

Os acordes eram mais sombrios, tensos, soturnos. A música que batiza a banda e abre o seu disco de estreia dá medo e causa arrepios até hoje. O primeiro álbum do Black Sabbath apagou as luzes multicoloridas do Flower Power e apresentou uma nova maneira de fazer rock. Tão nova que até ganhou outro nome: heavy metal.

Os seis primeiros álbuns do quarteto são como seis grandes ensinamentos, pilares que trazem os arquétipos de praticamente tudo que o estilo exploraria nos anos posteriores, com cada vez mais intensidade e agressividade. "Master of Reality" (1971) é a essência do doom. Os riffs cavalgados de “Children of the Grave” são uma espécie de proto-thrash. "Paranoid" (1970), seu segundo disco, é uma quintessência de riffs. "Vol. 4" (1972), o ápice dos exageros - químicos e todos os outros. Em "Sabbath Bloddy Sabbath" (1973), a incursão de novas influências e o flerte com diferentes gêneros mostrou a fórmula para ampliar e tornar a sonoridade ainda mais rica. E "Sabotage" (1975) é o canto do cisne da criatividade de uma formação que ainda gravaria dois discos - "Technical Ecstasy" (1976) e "Never Say Die!" (1978) - com bons momentos, mas longe do brilhantismo sem igual de outrora.

Sempre que penso no Black Sabbath, lembro da minha adolescência. Da época em que conheci a banda, quando tinha uns 15 ou 16 anos. E em como aquelas músicas e aquela energia mexeram demais comigo. Passava horas, dias, semanas, ouvindo apenas os LPs do grupo. E o que pensei ser uma experiência só minha, com o passar dos anos e o contato com diferentes pessoas dos mais diferentes lugares, se revelou uma sensação conjunta: todo mundo ficava fissurado nos riffs do Iommi e não conseguia ouvir outra coisa.

Ainda que a entrada de Ronnie James Dio tenha possibilitado ao Sabbath a exploração de caminhos mais complexos do que o esquema de cantar sempre junto com o riff, uma das marcas registradas da fase Ozzy, permitia, a sonoridade clássica e que mudou o mundo está nos primeiros álbuns e segue imortal. "Heaven and Hell" (1980) e "Mob Rules" (1981) são incríveis - principalmente o primeiro - e mostraram a reinvenção total de uma banda dada como acabada, mas a fina flor da pancadaria, da podridão e das luzes piscantes ligadas com fios desencapados está entre 1970 e 1975.

Tudo que veio depois, nasceu com o Black Sabbath. O rock mudou. O heavy metal nasceu. O mundo se transformou. O que ouvimos hoje quando colocamos um disco para tocar, seja ele de rock, metal ou até mesmo outros gêneros como pop e hip-hop, tem influência da banda. E mais importante do que isso: eles foram os pais do estilo que tanto amamos. Até existiria metal sem o surgimento do Black Sabbath, as coisas estavam caminhando para isso. Mas tudo soaria diferente sem o quarteto inglês, isso é inegável.

4 de fevereiro de 2017. Um sábado. O dia em que o Black Sabbath fez o último show de sua carreira, justamente na cidade onde nasceu: Birmingham. O dia em que o heavy metal ficou órfão.

Por que destacamos matérias antigas no Whiplash.Net?

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Mais comentários na Fanpage do site, no link abaixo:

Post de 06 de fevereiro de 2017

Black SabbathBlack Sabbath
Quando eles sacanearam ocultistas de modo inusitado

899 acessosZakk Sabbath: trailer de turnê pela América Latina966 acessosBlack Sabbath: projeto Home of Metal chega a São Paulo1933 acessosBlack Sabbath: veja unboxing da "The Ten Year War"1361 acessosDoom Metal: os 25 maiores álbuns do gênero0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Black Sabbath"

Bill WardBill Ward
"O primeiro álbum do Led Zeppelin me fez pirar!"

Drew StruzanDrew Struzan
Arte nas capas do Black Sabbath, Alice Cooper e outros

Ozzy OsbourneOzzy Osbourne
Eleito o maior astro de rock do mundo

0 acessosTodas as matérias da seção Matérias0 acessosTodas as matérias sobre "Black Sabbath"

Já ouviu antes?Já ouviu antes?
New York Times elege os melhores covers

Keith RichardsKeith Richards
Colocando Justin Bieber em seu devido lugar

Guitarristas e vocalistasGuitarristas e vocalistas
Os 10 melhores "casamentos"

5000 acessosFotos de Infância: Jon Bon Jovi5000 acessosIron Maiden: o que os grandes músicos acham da banda?5000 acessosVocalistas: Os 10 melhores da história do rock5000 acessosDia de Coxinha: rock stars contraindo bodas5000 acessosCorey Taylor: "religiões criam uma mentalidade de gado"4996 acessosMetallica: "hoje em dia gosto ainda mais do que faço"

Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

Mais matérias de Ricardo Seelig no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em junho: 1.119.872 visitantes, 2.427.684 visitas, 5.635.845 pageviews.

Usuários online