Rock e História: As conexões do Black Sabbath e The Doors
Por Klebson Augusto
Fonte: TCC
Postado em 03 de novembro de 2016
Música e história. Em primeiro momento, pode parecer que ambos os campos do conhecimento, estejam em posições desconexas, sem nenhuma aproximação aparente. No entanto, as relações entre o campo histórico e o campo musical, são mais próximas do que se imagina. A música sempre esteve ligada aos acontecimentos de um lugar, ou sobre um lugar, seja na expressão de letras, seja na expressão da sonoridade. Apenas para citar um exemplo, basta verificarmos a conexão que o Jazz tem com os problemas sociais do inicio do século XX, nos EUA, bem como a representação da discriminação racial em suas letras, embora não sejam todas.
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No caso do Rock, essa conexão aparece de forma mais latente. Seria necessário um gigantesco estudo para citarmos as referências históricas nas letras de Rock, que, aliás, é uma das coisas mais fascinantes que esse estilo musical propõe. Diferentemente de outros estilos, o Rock N Roll (fazendo menção ao seu filho mais "agressivo", o Heavy Metal e seus subgêneros) permite você encontrar sobre os mais variados assuntos, desde como se dar bem numa noite regrada a festas e álcool, até assuntos mais "finos", como a Filosofia. Isso é interessante também, para mostrar talvez, aos desavisados ou aqueles que não se propõe a escutar o estilo, de que o Rock não é sinônimo de gente sem conteúdo, ou que é apenas "gritaria". Ele tem proposito, ele tem sentido, ele é capaz de externar de uma maneira única, aquilo que talvez outros estilos musicais ainda não o fizeram.

No meu TCC, procurei refletir sobre essas coisas, sem deixar de lado, as referências históricas que certas letras propõe. No caso, analisei 3 letras de bandas, sobre o conflito do Vietnã. O assunto pode de inicio, parecer batido, mas a minha intenção não foi "inventar a roda", ou fazer algo revolucionário. Foi para mostrar a conexão que existe sobre música e história, e que elas têm uma conexão extremamente próxima. Ainda que como parentes distantes, que quase não se relacionam, mas que quando se aproximam, são capazes de render bons frutos.
No caso de uma das bandas que trabalhei o Black Sabbath, a conexão com a história é algo bastante significativo. Tanto na própria cidade de onde a banda se originou (algo que falarei mais detalhadamente em outro trabalho) quanto algumas de suas letras, como a famosa "War Pigs". Elas contem ricas referências ao conflito, quando é citado "Nos campos a corpos queimando, enquanto a maquina de guerra continua girando". Isso faz menção tanto à matança desenfreada dos Norte Americanos em campo Vietnamita, quanto ao fato de terem sido usados bombas de Napalm, matando milhares de civis, que em sua maioria, estavam alheias ao acontecimento.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Além de mostrar, ao decorrer da letra, o morticínio desenfreado que a "maquina de guerra" faz, bem como mostrar a ida de vários soldados de origem pobre para o conflito "Eles apenas iniciam a Guerra, por que eles deveriam sair para lutar? Eles deixam o papel para os mais pobres", a letras mostra a falta de sensibilidade dos governantes em enviar esses soldados para um território perigoso, bem como a sua perversidade, quando é citado o trecho "o tempo vai mostrar a força de sua mente, fazendo guerra só por diversão".
Outra banda que citei foi o The Doors. Apesar de o vocalista Jim Morrison ser considerado a grande estrela da banda, aqui vamos fazer menção em especial a toda a banda, que para variar, fez um excelente trabalho na canção "The Unknown Soldier". O grupo como um todo é excelente, mas nessa canção, temos elementos importantes para se fazer menção ao conflito do Vietnã. Tanto na sonoridade, com um claro relacionamento com a letra, como na forma de expressão dessa mesma letra. Tanto no áudio original, quanto em várias apresentações ao vivo, o grupo fazia menção uma arma e um tiro (cena emblemática em que Morrison cai no chão após o "tiro", este dado por Robbie Krieger).

Encontramos nessa canção em especifico, fatos relacionados com a Guerra do Vietnã. Quando Jim canta a seguinte frase " Café da manha, onde as noticias são lidas/ televisão alimenta crianças", faz referência a manipulação da mídia Norte Americana sobre as noticias da guerra, que era deturpada. Sem divulgar realmente aquilo que acontecia, as informações passadas ao público nada eram compatíveis com a matança desenfreada que ocorria. No entanto, como já se sabe, as imagens que chegavam logo chocavam a opinião publica, fazendo que vários protestos Anti Guerra estivessem sendo feitos em todas as partes do país. Além de mostra, ao longo da letra, a total descrença pela mudança dos fatos, onde no final é dito "esta tudo acabado, tudo acabado baby".

Procurei aqui nessas breves palavras, como já citado não "revolucionar a roda". Mostrei apenas que existe uma conexão próxima entre história e música, e que o rock muito tem a falar sobre os acontecimentos importantes ao longo da trajetória humana. Enquanto vemos estilos musicais por ai, que insistem em passar conteúdo sem um "pingo" de conscientização e que dê o mínimo de capacidade de raciocínio, vemos um estilo como o Rock que mesmo com o passar dos anos, continua relevante e instigante dessa pratica, como algumas das letras acima nos mostram. Claro que o Rock, e você caro leitor, deve concordar que existem letras de rock que nada vão nos fazer pensar mais e raciocinar sobre o mundo a nossa volta. Mas ao menos, o Rock foi capaz de dar esse passo, foi capaz de ousar e pensar diferente, e literalmente em muitos casos, "gritar".

Esse talvez não seja o seu principal objetivo, mas é algo bastante comum no rock. Ate a própria sonoridade, que sofreu mudanças ao longo dos anos, é "agressiva" pelo fato de justamente chacoalhar, mexer com os quietos que ele se faz presente. E é um estilo que sempre está presente e pronto para lhe ajudar, como diz o vocalista do Soufly, Max cavalera. "Quando precisar da musica, ela estará lá para te ajudar".
Quem quiser mais informações sobre, favor postar nos comentários abaixo.
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