Kiss & Homem-Aranha: megaprojeto cinematográfico da Marvel Comics

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Por Nacho Belgrande, Fonte: Playa Del Nacho
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Algumas décadas atrás, antes de eu ficar obcecado por rock, eu tinha outro vício em minha vida: histórias em quadrinhos.

Eu me lembro de ter ganho o primeiro número de “Capitão América” lançado pela editora Abril em 1979, e que deve ter sido a primeira HQ que eu de fato li [eu era recém-alfabetizado], ou que pelo menos achei ter lido. EU a guardo até hoje. Claro que devido ao antigo efeito que o cross media causa nas crianças, eu pedia revistas em quadrinhos de personagens que via na TV, e meus pais não viam problema algum em desembolsar uns poucos trocados para pelo menos me acostumar ao hábito de ler, ainda que eu não pudesse decodificar nada textualmente. Transpuseram-se da televisão pra minhas mãos figuras como Homem-Aranha, Flash Gordon, Tarzan, Batman & Robin [pelos cartoons] e o Super-Homem [pelo filme de 1978 ao qual minha mãe me levou e com o qual eu, claro, PIREI].

Minha relação com as revistas em quadrinhos continuou a se fortalecer ao longo dos anos e piorou MUITO em 1983, quando a Abril tornou-se detentora única dos direitos de publicação da Marvel Comics no país [ocorreria o mesmo com a DC Comics em 1984]. Conhecendo mais sobre que herói pertencia à qual empresa, eu fui me afundando em sebos e bancas de revistas até que em uma viagem a Fortaleza em dezembro de 83, a coisa toda tomou uma proporção preocupante.

Entrei despreocupadamente com meu pai na Livraria do Edésio [uma precursora das atuais Saraiva e FNAC da vida] e me deparei-me com uma BAITA seleção de títulos da Marvel e da DC Comics originais dos EUA.

Cada um custava cerca de quatro vezes mais do que uma título similar nacional, mas tal como eu encararia edições japonesas de CDs dez anos depois, eu não me importava. Valia a pena. Só a publicidade contida nas páginas daquelas revistas já valia o investimento: de que outro modo um moleque ficaria a par dos novos cartuchos do ATARI lançados nos EUA antes da internet?

Consegui arrancar cerca de dez revistas ao longo da viagem toda [ainda as possuo, encadernadas], mediante a promessa de me matricular – e frequentar dignamente – um curso de inglês a partir de 1984.

Lendo, relendo e trilendo aqueles comics, fiquei conhecendo a figura de JIM SHOOTER, editor-chefe da Marvel e um dos maiores gênios da história do ramo, tendo começado sua trajetória na indústria aos 13 anos de idade e que tinha uma coluna tipo ‘cantinho do editor’ ao fim de cada título regular da editora [que hoje pertence à Disney].

Foi Jim quem levou os HQ de novo às massas, colocando-os em caixas de supermercado, aeroportos e lojas de conveniência, multiplicando em mais de dez vezes as vendas da empresa em poucos anos. Alguns dos títulos mais populares de sua administração tinham tiragens de 500 mil cópias, algo impensável para os padrões atuais de consumo.

Shooter respondia às perguntas dos leitores e anunciava novidades e notícias da redação, era caricaturado pelos artistas subordinados a ele, e foi gentil o suficiente para me responder vi a carta em 1984, quando o indaguei sobre como importar certos títulos. Infelizmente não possuo mais o belo envelope timbrado com o Homem-Aranha que recebi nos confins do Rio Grande do Sul diretamente da Park Avenue de Nova Iorque.

Foi revisitando minha infância recentemente que descobri que Shooter possui um blog – cujo nível de ‘cool’ não pode ser descrito com palavras. Foi nesse blog que me deparei com sua crônica sobre um projeto cinematográfico sabiamente engavetado pela Marvel e que o mundo não merecia mesmo ver.

Em 1979, os chefões da Marvel queriam embarcar na onda ‘disco’ e encomendaram aos redatores uma heroína que fosse uma cantora, e ela tinha que ser moldada na figura da sex symbol BO DEREK [no auge de seu sucesso com o filme “Mulher Nota 10”], tudo isso para uma parceria com a gravadora Casablanca Records. O projeto seria uma empreitada cobrindo revistas em quadrinhos, brinquedos, discos e o cinema.

Nasceu assim a personagem DAZZLER [ou “Cristal”, como foi batizada no Brasil], uma mutante que podia absorver sons e dominar luzes, e que ganhava a vida como cantora de discothéque. A iluminação de seu show emanava dela própria, sem que os fãs jamais soubessem disso. Quando foi revelado quem ela realmente era, a jovem Alison Blaire caiu no ostracismo e não lhe restou outra opção de emprego a não ser entrar para os X-MEN.

A Casablanca adorou o conceito todo e a joint venture sondou a própria Bo Derek para interpretar o papel no cinema, mas quando ela exigiu que seu marido, o cineasta John Derek, dirigisse a produção, o caldo começou a entornar.

Na foto abaixo, o casal pode ser visto no Festival de Cannes realizado à época das conversas, na qual John carrega uma pilha de revistas da Marvel [“Mulher-Hulk” está no topo]:

De repente, todas as produtoras de Hollywood queriam bancar o filme, e a Casablanca presumiu que seria uma oportunidade única de supervalorizar seu casting, e a pré-produção do filme estipulava quais artistas do casting da gravadora desempenhariam qual papel na película. Teríamos:

CHER como a “Witch Queen”

DONNA SUMMER [RIP] como “The Queen Of Fire”

KISS como os “Dreadknights”

ROBIN WILLIAMS como “Tristian”

THE VILLAGE PEOPLE como “The Stompers” [a pedido de Paul Stanley?]

LENNY & SQUIGGY como “The Jesters”

RODNEY DANGERFIELD [RIP] como “Dewey”, “Cheetham” e “Howe”

e

DISCO DAZZLER, HOMEM-ARANHA e OS VINGADORES completariam a lista de integrantes da trama. A formação dos Vingadores na época era composta pelo HOMEM DE FERRO, FALCÃO, FEITICEIRA ESCARLATE, FERA e VESPA.

Um projeto talvez ambicioso demais, e que realmente acusou o golpe quando Bo Derek desistiu da fita. Símbolo sexual maior dos EUA naquele fim dos anos 70, a atriz, hoje praticamente aposentada, tinha grande prestígio para trazer com ela a algo desse tamanho, e sua resignação oficial em 1980 bem enterrou as pretensões da Casablanca e da Marvel quando todos os interessados se debandaram com ela.

Ainda houve uma segunda tentativa de se realizar o filme, que agora teria DARYL HANNAH no papel principal, mas a sinopse não atraiu investidores suficientes para tirar a ideia do story board.

Ainda assim, vale – muito- apena conferir a sinopse e o tratamento planejados para o roteiro e o conceito do malfadado acordo, que você pode conferir em .pdf direto dos arquivos do próprio Jim Shooter clicando AQUI.

Dazzler ainda é um personagem presente na Marvel e celebrado por fãs de HQ, sendo presença constante em feiras especializadas ao redor do mundo na forma de cosplay.

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande foi desde 2004 um dos colaboradores mais lidos do Whiplash.Net. Faleceu no dia 2 de novembro de 2016, vítima de um infarte fulminante. Era extremamente reservado e poucos o conheciam pessoalmente. Estes poucos invariavelmente comentam o quanto era uma pessoa encantadora, ao contrário da persona irascível que encarnou na Internet para irritar tantos mas divertir tantos mais. Por este motivo muitos nunca acreditarão em sua morte. Ele ficaria feliz em saber que até sua morte foi motivo de discórdia e teorias conspiratórias. Mandou bem até o final, Nacho! Valeu! :-)

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