Kiss & Homem-Aranha: megaprojeto cinematográfico da Marvel Comics
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 21 de maio de 2013
Algumas décadas atrás, antes de eu ficar obcecado por rock, eu tinha outro vício em minha vida: histórias em quadrinhos.
Eu me lembro de ter ganho o primeiro número de "Capitão América" lançado pela editora Abril em 1979, e que deve ter sido a primeira HQ que eu de fato li [eu era recém-alfabetizado], ou que pelo menos achei ter lido. EU a guardo até hoje. Claro que devido ao antigo efeito que o cross media causa nas crianças, eu pedia revistas em quadrinhos de personagens que via na TV, e meus pais não viam problema algum em desembolsar uns poucos trocados para pelo menos me acostumar ao hábito de ler, ainda que eu não pudesse decodificar nada textualmente. Transpuseram-se da televisão pra minhas mãos figuras como Homem-Aranha, Flash Gordon, Tarzan, Batman & Robin [pelos cartoons] e o Super-Homem [pelo filme de 1978 ao qual minha mãe me levou e com o qual eu, claro, PIREI].
Minha relação com as revistas em quadrinhos continuou a se fortalecer ao longo dos anos e piorou MUITO em 1983, quando a Abril tornou-se detentora única dos direitos de publicação da Marvel Comics no país [ocorreria o mesmo com a DC Comics em 1984]. Conhecendo mais sobre que herói pertencia à qual empresa, eu fui me afundando em sebos e bancas de revistas até que em uma viagem a Fortaleza em dezembro de 83, a coisa toda tomou uma proporção preocupante.
Entrei despreocupadamente com meu pai na Livraria do Edésio [uma precursora das atuais Saraiva e FNAC da vida] e me deparei-me com uma BAITA seleção de títulos da Marvel e da DC Comics originais dos EUA.
Cada um custava cerca de quatro vezes mais do que uma título similar nacional, mas tal como eu encararia edições japonesas de CDs dez anos depois, eu não me importava. Valia a pena. Só a publicidade contida nas páginas daquelas revistas já valia o investimento: de que outro modo um moleque ficaria a par dos novos cartuchos do ATARI lançados nos EUA antes da internet?
Consegui arrancar cerca de dez revistas ao longo da viagem toda [ainda as possuo, encadernadas], mediante a promessa de me matricular – e frequentar dignamente – um curso de inglês a partir de 1984.
Lendo, relendo e trilendo aqueles comics, fiquei conhecendo a figura de JIM SHOOTER, editor-chefe da Marvel e um dos maiores gênios da história do ramo, tendo começado sua trajetória na indústria aos 13 anos de idade e que tinha uma coluna tipo ‘cantinho do editor’ ao fim de cada título regular da editora [que hoje pertence à Disney].
Foi Jim quem levou os HQ de novo às massas, colocando-os em caixas de supermercado, aeroportos e lojas de conveniência, multiplicando em mais de dez vezes as vendas da empresa em poucos anos. Alguns dos títulos mais populares de sua administração tinham tiragens de 500 mil cópias, algo impensável para os padrões atuais de consumo.
Shooter respondia às perguntas dos leitores e anunciava novidades e notícias da redação, era caricaturado pelos artistas subordinados a ele, e foi gentil o suficiente para me responder vi a carta em 1984, quando o indaguei sobre como importar certos títulos. Infelizmente não possuo mais o belo envelope timbrado com o Homem-Aranha que recebi nos confins do Rio Grande do Sul diretamente da Park Avenue de Nova Iorque.
Foi revisitando minha infância recentemente que descobri que Shooter possui um blog – cujo nível de ‘cool’ não pode ser descrito com palavras. Foi nesse blog que me deparei com sua crônica sobre um projeto cinematográfico sabiamente engavetado pela Marvel e que o mundo não merecia mesmo ver.
Em 1979, os chefões da Marvel queriam embarcar na onda ‘disco’ e encomendaram aos redatores uma heroína que fosse uma cantora, e ela tinha que ser moldada na figura da sex symbol BO DEREK [no auge de seu sucesso com o filme "Mulher Nota 10"], tudo isso para uma parceria com a gravadora Casablanca Records. O projeto seria uma empreitada cobrindo revistas em quadrinhos, brinquedos, discos e o cinema.
Nasceu assim a personagem DAZZLER [ou "Cristal", como foi batizada no Brasil], uma mutante que podia absorver sons e dominar luzes, e que ganhava a vida como cantora de discothéque. A iluminação de seu show emanava dela própria, sem que os fãs jamais soubessem disso. Quando foi revelado quem ela realmente era, a jovem Alison Blaire caiu no ostracismo e não lhe restou outra opção de emprego a não ser entrar para os X-MEN.
A Casablanca adorou o conceito todo e a joint venture sondou a própria Bo Derek para interpretar o papel no cinema, mas quando ela exigiu que seu marido, o cineasta John Derek, dirigisse a produção, o caldo começou a entornar.
Na foto abaixo, o casal pode ser visto no Festival de Cannes realizado à época das conversas, na qual John carrega uma pilha de revistas da Marvel ["Mulher-Hulk" está no topo]:
De repente, todas as produtoras de Hollywood queriam bancar o filme, e a Casablanca presumiu que seria uma oportunidade única de supervalorizar seu casting, e a pré-produção do filme estipulava quais artistas do casting da gravadora desempenhariam qual papel na película. Teríamos:
CHER como a "Witch Queen"
DONNA SUMMER [RIP] como "The Queen Of Fire"
KISS como os "Dreadknights"
ROBIN WILLIAMS como "Tristian"
THE VILLAGE PEOPLE como "The Stompers" [a pedido de Paul Stanley?]
LENNY & SQUIGGY como "The Jesters"
RODNEY DANGERFIELD [RIP] como "Dewey", "Cheetham" e "Howe"
e
DISCO DAZZLER, HOMEM-ARANHA e OS VINGADORES completariam a lista de integrantes da trama. A formação dos Vingadores na época era composta pelo HOMEM DE FERRO, FALCÃO, FEITICEIRA ESCARLATE, FERA e VESPA.
Um projeto talvez ambicioso demais, e que realmente acusou o golpe quando Bo Derek desistiu da fita. Símbolo sexual maior dos EUA naquele fim dos anos 70, a atriz, hoje praticamente aposentada, tinha grande prestígio para trazer com ela a algo desse tamanho, e sua resignação oficial em 1980 bem enterrou as pretensões da Casablanca e da Marvel quando todos os interessados se debandaram com ela.
Ainda houve uma segunda tentativa de se realizar o filme, que agora teria DARYL HANNAH no papel principal, mas a sinopse não atraiu investidores suficientes para tirar a ideia do story board.
Ainda assim, vale – muito- apena conferir a sinopse e o tratamento planejados para o roteiro e o conceito do malfadado acordo, que você pode conferir em .pdf direto dos arquivos do próprio Jim Shooter clicando AQUI.
Dazzler ainda é um personagem presente na Marvel e celebrado por fãs de HQ, sendo presença constante em feiras especializadas ao redor do mundo na forma de cosplay.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Korzus anuncia nova formação, com Jéssica Falchi e Jean Patton nas guitarras
Jéssica Falchi sobre entrar no Korzus: "Existe abismo de diferença entre ser vista e respeitada"
O disco que define o metal, na opinião de Amy Lee, vocalista do Evanescence
Yes suspende atividades e Steve Howe passará por cirurgia de emergência
O melhor álbum de metal de todos os tempos, segundo Gary Holt do Exodus
Ex-guitarrista do Turnstile foi preso por tentar matar o pai do vocalista
Alice Cooper apresenta Anna Cara, nova guitarrista de sua banda
Alissa White-Gluz fala sobre "Black Widow's Web" do Angra e reação ao conhecer Sandy
O álbum dos Beatles que contou com participação de Jimmy Page na guitarra
Rodrigo Oliveira explica por que não passou nos testes para o Angra nem para o Sepultura
O melhor disco de música pesada dos anos 1980, segundo o Loudwire
Regis Tadeu explica por que o Rush tocou "Finding My Way" em seu show de retorno
AC/DC chama público argentino de "melhor do mundo", segundo Brian Johnson
Daniel Erlandsson comenta a "treta" entre Kiko Loureiro e o Arch Enemy
Baterista do Arch Enemy afirma que saída de Alissa White-Gluz não foi uma surpresa


Gene Simmons tentou seguir os passos do The Who e fez o pior disco de sua carreira
A primeira música que Gene Simmons, do Kiss, cantou para uma plateia
A banda de rock que mudou para sempre a vida de Scott Ian, guitarrista do Anthrax
Dez clássicos do rock com vocais terríveis, segundo site britânico
O disco que Paul Stanley nunca quis fazer; "Eu não tive escolha"
The Troops of Doom une forças a músicos de Testament e Jota Quest em versão de "God of Thunder"
Regis Tadeu detona álbum clássico do Kiss: "Soa como se gravado debaixo de um edredom"
Quem é maior no Brasil: Kiss ou AC/DC? Regis Tadeu responde e explica por quê
Vocalista do Kreator curtia Village People, mas Kiss e Iron Maiden mudaram sua vida
Jaco Pastorius: um gênio atormentado
Para entender: o que é rock progressivo?


