Ultraje a Rigor: uma banda subestimada

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Sigried Neutzling Buchweitz, Fonte: Rio de Metal
Enviar correções  |  Ver Acessos

O texto a seguir foi escrito por Erick Leal. Ele é baterista profissional e professor de bateria, dentre vários trabalhos, já tocou com as bandas Figurótico, Madame Zero, com o cantor Jorge Guilherme e com a Orquestra Sinfônica da CSN. Atualmente está com a banda Elektra e ministrando aulas no Instituto Musical Casa do Batera.

Full Messenger: "Inútil", do Ultraje a Rigor, como nunca se ouviuMegadeth: as 10 maiores tretas de Dave Mustaine

Erick Leal
Erick Leal

Tenho ouvido algumas críticas negativas sobre o Ultraje a Rigor que tem me deixado extremamente revoltado. Afirmações do tipo: "banda de ridícula", "trilha sonora pra matinê de carnaval", e até mesmo comparações do Ultraje com o Mamonas Assassinas (nada contra, mas a abordagem é BEM diferente).

A meu ver, a linha entre ser engraçado e ridículo é extremante tênue, e o Ultraje a Rigor (assim como o Raul Seixas) nunca ultrapassou essa linha fazendo críticas sociais, políticas e expondo panoramas da sociedade de forma satírica e - as vezes - extremante ácida. Só para exemplificar, fiz uma rápida análise de algumas músicas.

Rebelde sem causa - Recentemente, ví em um programa de TV o caso de um garoto que tinha pais liberais e se sentia diferente em seu grupo por causa disso. Tanto que, em uma ocasião que os pais de seus amigos não os deixaram ir a um determinado show, o garoto disse que seus pais também não tinham deixado (e eles tinham) só pra não se sentir diferente. Essa é exatamente a situação descrita na música "Rebelde sem Causa" do Ultraje a Rigor, que é a história de um garoto que sentia falta de poder se rebelar como parte de sua formação.

Ciúme - Após os anos 70, a sociedade se tornou mais liberal de uma forma geral (tanto na forma como via e aceitava as relações amorosas quanto nas relações entre pais e filhos). Mas essa transição não foi suave para todos, fato retratado na música "Ciúme". A música fala de um homem que sentia a necessidade de ser mais moderno e liberal em seu relacionamento, mas obviamente, se corroia de ciúme (fruto dos resquícios da educação machista da sociedade patriarcal).

Eu me Amo - Em geral, as canções de amor são autodepreciatiavas ("eu te amo mais que tudo", "não posso viver sem você", "eu queria ser a sombra do seu cachorro"...). Já música "Eu me amo" faz uma sátira dessas canções sendo uma "canção de amor" cujo o objeto de desejo é o próprio "eu". E o coral de filme da Sessão da Tarde ajuda ainda mais a resaltar o humor da música. Anos mais tarde a banda Pato Fú fez a música "Eu" , cuja temática é bem parecida.

Inútil - Na minha opinião a maior música de protesto já feita no Brasil. De forma completamente subversiva e inteligente, critica alienação, a política, a sociedade e a visão que outros países tem do Brasil. Genial e - infelizmente - extremamente atual.

Independente Futebol Clube - Mais um retrato de como as relações mudaram de perfil na sociedade contemporânea, falando das relações abertas (ou como se dizia na década de 80 - amizade colorida) em que as pessoas não tinham um compromisso de fidelidade conjugal.

Nada a Declarar - Outra música genial que critica a falta de inventividade das produções artísticas atuais. Remakes de filmes e novelas, versões de músicas antigas e apelações de cunho sexual pra compensar a falta de ideia. Infelizmente outra música relativamente antiga, mas que cai como uma luva para o atual panorama da música brasileira.

Bem, mais do que provado que o Ultraje a Rigor é muito mais do que uma "banda engraçadinha" e que Roger Moreira é sim um dos letristas mais geniais e injustiçados da música brasileira. Agora só pra provocar, alguém conhece alguma letra de bossa nova que não fale de relações amorosas? Ah, é verdade, tem "o Barquinho" e "O Pato". Essa última sim é trilha sonora de matinê de Carnaval, é só tocar em ritmo de marchinha.

Por que destacamos matérias antigas?




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção MatériasTodas as matérias sobre "Ultraje A Rigor"


Full Messenger: "Inútil", do Ultraje a Rigor, como nunca se ouviu

Marcos Kleine: Honrado em fazer parte do Ultraje a RigorMarcos Kleine
Honrado em fazer parte do Ultraje a Rigor

Regis Tadeu: Lobão, Roger, Tico e Waters, mesmo errados, estão certos (vídeo)Regis Tadeu
Lobão, Roger, Tico e Waters, mesmo errados, estão certos (vídeo)

Ultraje a Rigor com Dinho: mandando bem em clássica de HendrixUltraje a Rigor com Dinho
Mandando bem em clássica de Hendrix


Megadeth: as 10 maiores tretas de Dave MustaineMegadeth
As 10 maiores tretas de Dave Mustaine

Iron Maiden: Bruce Dickinson e sua preferência pelo BrasilIron Maiden
Bruce Dickinson e sua preferência pelo Brasil

Dio: as músicas de Heavy Metal/Rock favoritas do vocalistaDio
As músicas de Heavy Metal/Rock favoritas do vocalista

Pink Floyd: a história por trás de "Animals"Dossiê Guns N' Roses: A versão de Slash para os fatosTotal Guitar: os 9 melhores riffs de 2014Rockers: dez músicos que os fãs gostariam de ver de volta

Sobre Sigried Neutzling Buchweitz

Sou arquiteta e urbanista, blogueira nas horas vagas, apaixonada por novidades sonoras. Por isso edito o blog Rio de Metal, pra ajudar a divulgar eventos e bandas (autorais) independentes de rock pesado que acontecem no estado do Rio de Janeiro. De vez em quando, falo de outros assuntos ligados a esse som poderoso que é o Metal, tipo arquitetura, decoração, humor... Gosto muito quando os leitores participam com comentários!

Mais matérias de Sigried Neutzling Buchweitz no Whiplash.Net.

adClio336|adClio336