Nazareth: um caso para o Guinness Book de recordes?
Por Ricardo Guilherme
Postado em 28 de novembro de 2012
Isto não é uma biografia, nem uma resenha do show em Caruaru. Uma biografia pressupõe, creio eu, que se discorra de forma minuciosa sobre todas as etapas da trajetória de um artista. Uma resenha de show, por sua vez, requer que o autor o tenha presenciado – e eu não estive em Caruaru. O que esta matéria pretende é trazer um resumo sobre a trajetória do NAZARETH, com destaque à longevidade da banda e a algumas das apresentações mais recentes no Brasil. Um texto curto, porém repleto de links para aqueles que quiserem se aprofundar nos temas abordados e conhecer um pouco mais do trabalho do grupo.
São quarenta e quatro anos de carreira. Isto, é claro, sem contar os anos anteriores a 1968, quando Dan McCafferty, Pete Agnew e o falecido Darrel Sweet tocavam juntos na The Shadettes, fundada por Pete em 1961.
Durante este longo período, muitos altos e baixos e uma persistência invejável têm marcado a carreira destes escoceses nascidos em Dunfermline, antiga capital da Escócia (apenas o guitarrista Jimmy Murrison nasceu em outra cidade – Aberdeen). Mas o NAZARETH traz em sua bagagem outras marcas registradas: uma quantidade impressionante de shows realizados (talvez, até, um caso para o "Guinness Book") e um inquestionável profissionalismo.
O número total de apresentações da banda nunca foi divulgado, mas quem acompanha a trajetória do NAZARETH sabe que o grupo há décadas tem o hábito de se apresentar quase diariamente, em turnês "intermináveis". Férias da estrada, quando muito, apenas um mês a cada ano. Uma rotina que deve exigir muito da saúde de seus músicos mais antigos (especialmente do sistema respiratório de Dan McCafferty), mas que eleva o longevo grupo ao patamar de possível recordista em número de apresentações ao vivo.
Na atual turnê pelo Brasil, após apresentações bem sucedidas em Apucarana e Toledo, houve um incidente em Campo Mourão que arranhou a imagem da banda. O NAZARETH passou por momentos muito difíceis até ter a oportunidade de dar a sua versão sobre o ocorrido. O jornal Gazeta do Povo, inclusive, publicou uma matéria informando que o grupo estaria cogitando processar a casa de shows onde o espetáculo deveria ocorrer.
Depois deste episódio, tudo o que seus integrantes esperavam era uma oportunidade para lavar a alma. E ela surgiu num lugar a princípio improvável para uma banda de rock: uma cidade conhecida como "a Capital do Forró".
Pelo que pude verificar em minhas pesquisas na internet, os roqueiros de Caruaru receberam o NAZARETH de braços abertos e os escoceses não desperdiçaram a oportunidade para dar a volta por cima. A banda subiu no palco do Agreste in Rock por volta da meia noite e – disto não tenho dúvidas – fez um grande show. As fotos postadas no Jornal Extra de Pernambuco mostram um público animado, Dan muito concentrado e Pete exibindo sorrisos. No Facebook do evento e em sites pernambucanos de rock encontram-se vários comentários positivos sobre a apresentação do quarteto. Por certo, foi uma noite especial para todos.
O NAZARETH é uma banda tradicional, um dos maiores ícones da história do rock. Tem composições clássicas, nos mais variados estilos. Dentre elas, podemos encontrar temas de novelas globais, hinos de amor, pauladas clássicas, músicas de "dor de cotovelo", além de baladas pesadas que se tornaram "cult" e ganharam releituras de outras bandas de peso. O grupo é também um especialista em fazer inesquecíveis versões para clássicos de outros artistas. Este quarteto escocês é respeitado e, até mesmo, idolatrado por outras lendas do rock. Ainda assim, seus integrantes são humildes e simpáticos. Eles não se importam de se apresentar em locais pequenos; basta que os materiais e equipamentos previamente solicitados lhes sejam fornecidos. E não são grandes exigências, sobretudo quando comparadas a outras bandas do mesmo nível.
Mas, é claro, os fãs preferem ver seus ídolos apresentando-se para grandes públicos. Os músicos, por sua vez, sentem-se mais felizes diante de multidões. Foi o que ocorreu, por exemplo, no show realizado para cerca de trinta mil pessoas, no início deste ano, na cidade de Ilha Comprida. Dan McCafferty e Pete Agnew – os heróis de Dunfermline – merecem este reconhecimento do público, já que a mídia nunca lhes deu muita atenção.
Nesta quinta-feira (15/11/2012), o grupo voltou a tocar ao ar livre. Não teve um público tão grande quanto em Ilha Comprida, mas a recepção dos fãs nordestinos, pelo que vi nos sites que visitei (e já mencionei neste texto), também foi muito calorosa. Há outros shows programados para esta turnê brasileira, sendo a última apresentação no dia 24 de novembro, dentro do XII Mega Macaé em Duas Rodas. É o NAZARETH de volta às trincheiras. E em grande estilo, como um autêntico Deus da Montanha.
A dúvida, no entanto, permanece: quantas apresentações ao vivo o NAZARETH terá realizado ao longo de sua carreira? Será que a banda tem uma contabilidade disso?
Seria interessante saber.
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