Nazareth e as pedras do caminho

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A trajetória do Nazareth não tem sido tranqüila. Pelo contrário, seu caminho esteve sempre repleto de adversidades. Como na história de tantas bandas, há um período de maior sucesso, mas sempre aparecem também as pedras pelo caminho.
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O Nazareth está às vésperas de uma nova turnê pelo Brasil. Trata-se de uma banda bem conhecida pelos roqueiros com mais de 30 anos. Porém, aqueles mais jovens, que podem ter ouvido apenas alguns hits, como “Love Hurts” ou “Hair Of The Dog”, talvez queiram saber um pouco mais sobre sua longa carreira.

Penso que o Nazareth nunca alcançou o reconhecimento a que faz juz. Aliás, um dia destes estive pesquisando aquelas votações para se eleger os melhores artistas nisto e naquilo, e notei no site Digital Dream Door uma lista relativa aos melhores artistas de rock que, lamentavelmente, por alguma razão, não tiveram o seu trabalho devidamente reconhecido. Bem, lá estava o Nazareth, em 2º lugar, superado apenas pelo artista norte-americano Link Wray, falecido há pouco mais de um ano. Outros grandes grupos, como Ten Years After e Uriah Heep também estavam lá, entre os primeiros.

Eu não sei qual seria a explicação para estas bandas não terem sido consideradas "Tops", mesmo em suas melhores fases. Talvez um pouco mais de marketing tivesse ajudado, mas o fato é que a história preferiu que fosse de outra forma. O que se pode fazer agora talvez seja apenas enaltecer o fato deste pessoal continuar na ativa, apesar das dificuldades.

Este artigo é uma maneira que encontrei de homenagear um grupo que contribuiu muito para o rock, sendo referência para vários artistas, mas que raramente recebe o reconhecimento a que faz juz. A homenagem, todavia, é extensiva a todos aqueles que, mesmo sem muito (ou nenhum) apoio, provaram no decorrer dos anos que são mais fortes que todas as dificuldades.

Tudo começou em 1961 quando Pete Agnew, na época ainda um adolescente, juntou alguns amigos na cidade de Dunfermline, Escócia, e formou a banda "The Shadettes". Em 1964, o baterista Darrel Sweet entrou para o grupo. No ano seguinte, o vocalista Dan McCafferty, com quem Pete estudava desde os 5 anos de idade, provou para os amigos que era bom de garganta e reforçou a banda. Diz a lenda, aliás, que, durante os anos setenta, Dan teria por mais de uma vez provado sua amizade, recusando convites para trocar de banda.

O tempo foi passando e o The Shadettes continuava a fazer seus covers, adquirindo um prestígio cada vez maior na região de Dunfermline. Desta forma, o que havia começado por brincadeira foi aos poucos se transformando num desejo de fazer da música sua profissão. O resultado: aqueles "showzinhos" não eram mais suficientes para as pretensões da banda e eles acabaram percebendo que era preciso compor material próprio para progredir na carreira. A chegada do guitarrista e compositor Manny Charlton em 1968 deu o impulso que eles precisavam, pois Manny era um pouco mais velho que os rapazes e, com mais experiência, os incentivou a comporem suas próprias canções.

Inspirados com a chegada do espanhol Manny, os escoceses Dan, Pete e Darrel decidiram que era chegada a hora de alçar vôos mais altos. Assim, trocaram o nome da banda para "Nazareth", mudaram-se para Londres e foram em busca do sucesso.

Já na capital da Inglaterra, lançaram em 1971 o primeiro álbum, que hoje é considerado um excelente trabalho, mas que na época não obteve qualquer sucesso. No ano seguinte, o Nazareth experimentou um som mais suave (“Exercises”), mas o reconhecimento passou distante.

Algumas bandas teriam desistido e tomado o rumo de volta para casa, mas o Nazareth tinha planos mais ambiciosos. A banda começava a ter a honra de abrir alguns shows do Deep Purple e deste convívio surgiu um verdadeiro divisor de águas na carreira dos escoceses, pois Roger Glover aceitou produzir seu próximo trabalho – “Razamanaz” - lançado em 1973. O sucesso deste álbum ficou na história. “Razamanaz” até hoje é considerado um dois maiores clássicos do rock, assim como “Hair Of The Dog”, lançado em 1975 (este último já produzido pelos próprios integrantes da banda).

Os anos setenta foram os mais produtivos e bem sucedidos do grupo. A alegria dos rapazes era indisfarçável até mesmo no nome e na arte da capa dos álbuns, como em “Loud 'N' Proud” e “Close Enough For Rock 'N' Roll”.

Durante vários anos a banda viveu um excelente período, dentro do qual merecem destaque, além dos álbuns citados, os muito bem trabalhados “Expect No Mercy” e “No Mean City”. No início dos anos 80, ainda surgiram os não menos importantes “Snaz” (ao vivo) e “2XS”.

Todavia, com o passar do tempo o hard rock foi perdendo espaço na mídia para outros estilos musicais. O Nazareth tinha, então, dois caminhos a escolher: continuar com seu rock puro, mas fazendo menos sucesso, ou tentar compor músicas num estilo mais pop, e assim continuar a tocar nas rádios. Os escoceses, talvez pressionados pela gravadora, parecem ter preferido a segunda opção, o que pode ser visto mais claramente nos álbuns “Sound Elixir” e “The Catch”.

Esta escolha, todavia, não rendeu bons frutos: o Nazareth perdeu prestígio, sendo duramente criticado durante boa parte dos anos 80. Em 1989, no pior momento da crise, lançaram "Snakes 'N' Ladders", considerado o álbum menos inspirado da banda. Como era de se esperar, não foi bem recebido no mercado e as tensões aumentaram dentro do grupo. O resultado foi a lamentável saída do guitarrista Manny Charlton, em maio de 1990.

Longe dos holofotes da mídia e sem o seu mais produtivo compositor, o Nazareth parecia estar com os dias contados, mas os escoceses surpreenderam público e crítica no início dos anos 90 com o bem sucedido álbum “No Jive”.

Assim, o rockão do Nazareth estava de volta e o grupo voltou a brilhar, embora não com a mesma intensidade com que brilhava nos anos setenta.

Finalmente, então, a carreira do Nazareth estava novamente estabilizada. No final de 1998, lançaram o promissor álbum “Boogaloo”, muito bem recebido pela crítica. Todavia, poucos minutos antes do primeiro show da turnê de lançamento do novo CD, o baterista Darrel Sweet sofreu um ataque cardíaco fulminante e veio a falecer.

O golpe foi muito duro. A banda precisou de alguns meses para refletir, mas Dan McCafferty e Pete Agnew logo perceberam que não conseguiriam mais viver longe dos palcos. Além disso, concluíram que continuar com a carreira seria uma forma de homenagear o amigo, que provavelmente gostaria que eles continuassem.

De volta à estrada ainda em 99, o Nazareth tem se apresentado em incansáveis turnês ao redor do mundo, presenteando o público com belíssimas apresentações. Atualmente, além das turnês, parecem dispostos a lançar um CD de inéditas. Dan, aliás, já declarou que a banda possui muito material novo de ótima qualidade, inclusive composições do novo guitarrista Jimmy Murrison.

Obviamente não é nada fácil para uma banda veterana, que está ausente das rádios já há um bom tempo, conseguir fechar um bom acordo para gravar um novo álbum, sobretudo nos dias atuais. Mas é claro que este fato não abala os experientes Dan e Pete. Eles certamente sabem que a razão da vida de um verdadeiro músico é estar nos palcos. Por esta razão, o Nazareth é uma banda vitoriosa. Afinal de contas, foi justamente por amor à música e por tocar ao vivo que tudo começou para estes rapazes de Dunfermline, nos idos anos sessenta. E hoje, já sexagenários, eles ainda continuam fazendo o que amam diariamente.

Por tudo isso, penso que a trajetória do Nazareth é uma prova de que quando o talento se conjuga à persistência para atingir os ideais, o êxito é inevitável. Sua tenacidade pode servir como incentivo para muitas bandas que estão começando. E para tantos músicos que estão pensando em desistir...

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