Hanoi Hanoi: pérola que o tempo esqueceu
Por David Oaski
Fonte: Ideologia Rock
Postado em 28 de outubro de 2012
Publicado originalmente no Ideologia Rock.
Inauguro essa sessão aqui no blog, visando dar espaço a bandas e artistas que foram sucesso em determinada época e, por um motivo ou outro, caíram no esquecimento na cultura popular. Ou seja, tentamos resgatar a história de bons artistas que não estão tão próximos dos holofotes atualmente, pois sabemos que muito do que é sucesso hoje daqui a algum tempo não será lembrado e, muitas vezes, o motivo não é o fato de o som ser ruim e sim a falta de espaço na mídia, falta de carisma dos músicos, enfim, uma série de variáveis.
O primeiro artista / banda que falaremos será o Hanoi Hanoi, banda carioca, formada em 1985 pelo baixista e líder da banda: Arnaldo Brandão, que já havia sido membro da banda A Bolha e Banda Brylho, além de ter tocado nas bandas que acompanhavam Raul Seixas, Luiz Melodia, Gal Costa, entre outros. Os outros integrantes eram o guitarrista Afonso, o baterista Pena e Cássio, percussionista.
A maioria das letras da banda eram feitas por Arnaldo em parceria com o poeta Tavinho Paes, porém Arnaldo realizou parcerias antológicas com artistas que marcaram época, como é o caso de "O tempo não para", com Cazuza e "Rádio Blá", com Lobão, sendo que ambas fizeram sucesso absurdo nos anos 80. Além dessas, a canção "Totalmente Demais", presente no primeiro disco da banda, foi regravada por Caetano Veloso, que lançou um álbum com o título da canção, em 1986.
Durante sua carreira, a banda lançou cinco álbuns: o disco homônimo, de 1986; "Fanzine", de 1988; "O Ser e o Nada", de 1990; "Coração Geiger", de 1992; e "Credus", de 1995. A banda nunca chegou a fazer parte do esquadrão classe A do rock nacional, mas fez algum sucesso em meados da década de 80, chegando a participar do Rock In Rio II, em 1991, em substituição ao Barão Vermelho.
A sonoridade da banda era calcada no rock, mas possuía influências de pop, reggae e, principalmente, funk, muito devido ao baixo suingado de Arnaldo. Ouvindo os discos da banda é impossível não se questionar como uma banda tão talentosa, com letras tão boas e sonoridade tão radiofônica não é lembrada nos dias de hoje, a conclusão que cheguei é que no momento em que a banda tinha tudo pra se firmar, no começo dos anos 90, após o Rock In Rio, o rock nacional perdeu espaço nas mídias para o sertanejo, pagode e afins, e a crise econômica dificultou muito a venda de discos no país, lembrando que na época os artistas eram totalmente dependentes das gravadoras, pois não havia internet, redes sociais, etc. Creio que a soma desses fatores tenha feito com que essa ótima banda nunca tenha recebido a devida atenção e valor.
O Hanoi Hanoi durou dez anos, encerrando as atividade em 1995, mas pelo que pesquisei, eles se reúnem periodicamente para shows, festas temáticas dos anos 80, flashbacks, etc. Arnaldo segue em carreira solo, lançando álbuns, além de ter um estúdio no Rio de Janeiro e ter lançado um projeto de resgate do O Bolha recentemente.
Não fosse a internet dificilmente conheceria essa banda, mas durante alguma pesquisa num Wikipedia da vida cliquei naqueles arquivos relacionados e por curiosidade baixei o disco "Fanzine" e não paro de ouvir desde então, as letras são algo como poesia urbana, que marcam um período pós repressão que o Brasil passava, de saber se a queda da ditadura era pra valer mesmo.
Bom, se você for curioso como eu e não ouve somente o que está na moda e toca nos rádios, corra atrás de material dessa banda, pois vale muito a pena, há talento e boas canções de sobra na discografia da banda.
David Oaski
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